12/10/2017

Quem é o senhor que se segue no PSD?



Mário Russo
Após o tsunami das eleições locais (para as câmaras municipais) que varreu o PSD, era esperada alguma reação das principais figuras do partido e ela aí está mas muito táticas. O único candidato assumido é Rui Rio, um quase eterno candidato e reserva moral do PSD que só esperava o momento para avançar e acha ser este o melhor. De facto é bom porque Pedro Passos Coelho, responsável pela catástrofe e pela teimosia num discurso ressabiado de quem não aprendeu nada com o passado e os erros cometidos, decidiu, face à humilhante derrota (até para o CDS), não se recandidatar.
Dois putativos candidatos que poderiam avançar eram Paulo Rangel e Luís Montenegro, mas declinaram. Em minha opinião, porque sabem que nas próximas eleições iriam perder, porque eram rostos da guarda pretoriana de Passos Coelho que trucidou o país com uma política “para além da Troika”, que nem o FMI hoje lhes defende.
Assim, dão o tapete a outro e vão desejar que perca para o PS, para afiar as facas após as próximas legislativas.
Emerge o eterno Pedro Santana Lopes (PSL), muitas vezes injustiçado no Partido, que tem carisma e muita experiência política e executiva, e que neste momento está num lugar com visibilidade na Santa Casa de Misericórdia, porém, também, com ambição de se vingar daqueles que o crucificaram antes de tempo e mostrar que pode recentrar o Partido e torna-lo numa grande força, descolando-se do CDS que ganhou força e independência com Cristas e o brilharete em Lisboa. Não se deve menosprezar a vitória de Assunção Cristas, porque foi a carta de alforria que precisava para traçar as linhas de força da sua atuação. É uma mulher inteligente, objetiva, metódica e culta, que não confunde a ideologia. Está a cimentar o caminho e a pautar a agenda. Já disse que com ela não há alianças com o PS e que o PSD é que é o natural parceiro de coligação, condicionando já o próximo líder deste partido.
A incógnita é se PSL avança ou não. Está a ponderar a sua decisão e ainda esta semana teremos decisão.
Será que é o tempo de Santana Lopes avançar? Claro que PSL não precisa do meu conselho. Sempre tive a impressão que PSL valia muito mais do que aquilo que os seus correligionários queriam e tudo fizeram para denegri-lo. PSL já deixou há muito de ser um “enfant terrible”, tornando-se num dirigente com experiência e maduro. Mas a mim parece-me que não é altura de avançar, porque o próximo líder será derrotado pelo PS nas próximas eleições.
Pensar o contrário é acreditar no Pai Natal. A economia mundial, e a europeia em particular, mesmo com as incógnitas no horizonte, passou muito tempo em baixa e o seu crescimento já não depende apenas da estabilidade política dos países, mas da iniciativa económica das empresas e pessoas cansadas da fase baixa da economia. Há muita poupança privada para investimentos que não pode ficar mais tempo “amordaçada”. A América Latina está a crescer, despontando economias fortes na região e a Ásia há muito que cresce de forma sustentada. A Europa começa também o movimento ascendente e os EUA, mesmo governado por um “desequilibrado”, tem empresas demasiado grandes que por si só determinam o crescimento económico, como aliás, se pode ver.
Neste quadro o mais provável é que Portugal continue a crescer a um ritmo como não se conhecia. O discurso de maior otimismo e muito mais humanista de António Costa ganha força e deve ser o ganhador nas próximas eleições, porque nem PCP, nem BE, que podem fazer algum folclore reivindicativo, ousarão por em causa os próximos orçamentos de estado, porque se o fizerem darão lenha para eleições antecipadas que ainda mais beneficiarão o PS e Costa.
Por estas razões, penso que PSL deve deixar o palco a Rui Rio para que este recentre o Partido e sofra os ódios de estimação dos Passistas que serão aliados escondidos do PS. Será uma refrega com muita poeira pelo ar. Assim, Pedro Santana Lopes posicionar-se-á para reserva da nação PSD após a tormenta e a poeira assente. Se avançar vai desgastar-se nesta fase da vida do partido, muito afetado pela estratégia do “eucalipto” que Passos Coelho impôs. Vai fraturar ainda mais o PSD e enfraquecer o poder de fogo e a si próprio, numa eventual derrota para Rui Rio, um político simpático, com discurso sem azedume, com áurea de seriedade e de rigor nas contas, que deixou os cofres da cidade do Porto cheias para Rui Moreira fazer alguns brilharetes.
Tudo boas notícias para António Costa e para a permanência do PS na governação a cheirar a maioria absoluta.

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