17/01/2019

O Brexit, uma página branca feita negra na História da Europa


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António Fernandes 
É comum em uma qualquer conversa de rotina o uso da expressão: deu-me uma branca. Cujo significado é a alusão a um episódico caso de esquecimento ou de correção justificativa.
Assim como é comum, na rotina quotidiana de um qualquer País, haverem “brancas” políticas premeditadas ou, simplesmente, “brancas” de esquecimento ou, “brancas” de circunstância conjuntural cujos danos ninguém assume.
O Brexit, por exemplo, vem sendo uma continuada “página em branco” conjuntural fraturante da estrutura social Britânica com incidência primeira no seu suporte económico cujas consequências são, neste preciso momento, incalculáveis. E, os efeitos e dimensão na Europa, imprevisíveis.
Por sua vez, a União Europeia, tenta a todo o transe acautelar os danos colaterais através de um acordo que, o Parlamento Inglês rejeitou por maioria esmagadora, avançando a oposição com uma moção de censura ao Governo do País que não surtiu i efeito pretendido. A queda do Governo.
O caricato desta “branca” na História contemporânea da Europa é que, a saída da Inglaterra da União, foi ditada por um referendo.
Uma prática democrática em que o cidadão maior tem o direito de, confrontado com uma pergunta em ato publico de dimensão nacional, responder: sim ou, não.
Os cidadãos Ingleses disseram nesse exercício referendário que queriam que a Inglaterra saísse da União Europeia.
Anota-se assim a dúvida, - a citada “branca” -, porque ao que parece a maioria dos cidadãos Ingleses já não quer que a Inglaterra saia da União, sobre se os citados terão sido suficientemente esclarecidos das consequências publicas do ato referendado. Na sua qualidade de vida individual, familiar e, por consequência direta, na qualidade de vida à escala nacional com projeção dessa dimensão no espaço internacional.
Estamos assim, perante uma “branca” coletiva que, ao não se auto-referendar em exercício racional da mente sobre as causas e os efeitos no momento oportuno, teve de se alterar posteriormente perante a previsão sequencial das consequências efetivas em todos os domínios. Individuais e coletivos.
Como é óbvio, só se consegue apurar a intenção se houver repetição do ato publico nacional. Um exercício que pode transformar a “página em branco” numa “página negra” da História da Europa do século XXI.
Para a História fica a “branca” que ditou um ato sem prévia análise das consequências tão só porque o sistema educativo promove o ego individual de forma maciça.
Ora, e assim sendo, a questão central no momento é, de facto, o Sistema Educativo no seu todo.
Porque, não acompanhando, o Sistema Educativo, as alterações sociais ocorridas e correntes, não pode formar uma sociedade lúcida e com capacidade de discernimento permanente para dar resposta no momento às exigências sociais, desse mesmo momento.

16/01/2019

Opinião de Joaquim Jorge na NOVA GENTE



Tenho seguido as notícias sobre assédio sexual em Hollywood. Começou com o produtor Harvey Weinsten e estendeu-se a vários actores: Kevin Spacey, Dustin Hoffman, Jeffrey Tambor, entre outros.
Roman Polanski, há uns anos atrás, teve que refugiar-se em França – não tem acordo de extradição -, com os E.U.A., por assédio sexual a uma menor.
Esta conduta imprópria é altamente reprovável, mas desculpem eu não vou deixar de ver e rever filmes protagonizados por Kevin Spacey, em que aprecio as suas interpretações, ultimamente, na série House of Cards. Mas, desejo ao mesmo tempo que se faça justiça. Procuro separar as coisas: o homem como actor, do homem na sua vida privada.
Condeno veementemente que as celebridades tenham atenuantes ou agravantes por faltas cometidas. Não podem ter um estatuto especial e desaforos deste tipo, devem respeitar as leis e ter uma conduta idêntica a gente comum. Mas, também é verdade, por ser-se muito conhecido, ser-se notícia na comunicação social desperta um curioso rancor e ressentimento de inveja, que pode levar certos juízes e policias quando apanham uma celebridade em falta, a querer humilhá-la e castigá-la, com mais dureza do que o comum dos cidadãos.

Kevin Spacey por ter um talento excepcional para representar não aceito que seja perdoado tal excesso de assédio. Deve ser acusado e depois vê-se se é culpado. Todavia deve poder prosseguir com a sua carreira de actor.
Mas tenho pensado que este assunto além de delicado é polémico.
Weinsten era um homem muito poderoso e vivia num meio em que abundam mulheres muito bonitas e não fico admirado que tenha incorrido numa das maiores vilezas que se pode cometer: valer-se da posição de domínio para obter favores sexuais pela força ou chantagem.
O que me mete confusão é a série, seguida de denúncias, a seguir à primeira. Está na moda fazer denúncias de assédio sexual, fica-se com a ideia que Hollywood é um antro de assédio sexual. Porque é que as vítimas estiveram caladas tantos anos? Porque é que os seus amigos sabendo desta situação não os denunciaram?
Porque não há denúncias de assédio sexual de mulheres perante homens? E de assédio sexual de mulheres perante mulheres?
Recentemente o Ministro inglês Fallon demitiu-se porque tocou num joelho de uma jornalista faz quinze anos. Dustin Hoffman foi acusado de assédio por pedir uma massagem aos pés.
Não será melhor estabelecer um código de conduta entre homens e mulheres, homens e homens e mulheres e mulheres?
Pedir permissão para beijar uma mulher, acariciar o pescoço, tocar no peito, etc.? Até ficar nu e abraçados perguntar se se pode ter relações sexuais?
Esse código de conduta deve ter várias cláusulas. Respeito muito as mulheres, até pela sua debilidade física frente a um homem e, sou contra qualquer tipo de discriminação ou marginalização.
Há quem diga que um homem vai até onde uma mulher o deixa ir. Uma actriz subir ao quarto do seu produtor Wiensten, põem-se a jeito, uma mulher autorizar que lhe ponham as mãos nas pernas, aceitar um beijo ou uma caricia está a dar sinais de possível aproximação.
Todavia quem tentar beijar uma mulher sem ela querer, o que deve fazer é afastar-se e colocar o homem no seu lugar.
Por outro lado, a sedução não é crime: um olhar, uma aproximação, meter conversa, entre outros. Não entendo isso como assédio, convém redefinir tudo isso.
Daqui a pouco tudo é assédio sexual, porventura convidar uma mulher para sair, ou mesmo, falar com uma mulher.

14/01/2019

ANGOLA - UMA ECONOMIA INVERTIDA




Valdemar F. Ribeiro*
Após mais de um ano de um novo governo em Angola, estamos em inicio de 2019, após tanta esperança numa politica mais inteligente, competente, responsável, organizada, após um tempo de espera pragmática, há hoje uma frustração na expectativa de muitos cidadãos e das empresas mais responsáveis.
 Não são muitas as empresas em Angola que trabalham ou têm interesse em trabalhar fundamentadas nos três pilares básicos da nova economia global, os pilares económicos, sociais e ambientais.
São estes pilares que permitem uma economia moderna sustentada neste século XXI e um PIB que representa o desenvolvimento holístico e real dos países e seus povos.
Há menos de um ano atrás, cem kwanzas compravam dez pães e hoje este mesmo valor compra cerca de três pães.
A grande maioria dos cidadãos vivem de salários e não têm possibilidades de obterem outros recursos financeiros.
Mas diante dos resultados diários e reais da politica económica atual, há desalento por parte das empresas mais organizadas e responsáveis pois o esforço de sobrevivência é grande e muitas vezes as empresas parecem andar para trás como caranguejos aos sabor das ondas e com perspectivas de um futuro incerto e até tenebroso.
Mesmo que uma empresa se esforce e consiga vender mais, o que ela depois vai fazer com os kwanzas das receitas?  As empresas não podem ficar apenas a comprar e investir em matérias-primas.
Os juros bancários das aplicações a prazo estão abaixo da inflação e não compensam a desvalorização do kwanza.
Investir em divisas é difícil pois estão pouco disponíveis no mercado formal e até informal e o câmbio é desmotivador diante dos preços da economia real.
Qual a motivação que as melhores empresas angolanas e outras empresas menos boas, principalmente as empresas industriais e agro-industriais, têm na ampliação e na diversificação desta economia angolana se a burocracia estatal desnecessária continua, se as dificuldades Institucionais governamentais continuam impedindo um salutar desenvolvimento económico, se os decisores públicos pouco parecem entender de economia de mercado livre competitivo e de qualidade e se a moeda nacional perdeu seu poder de compra de uma maneira muito abrupta?
Ninguém de bom senso, empresário nacional ou estrangeiro, está interessado em aumentar sua carga de trabalho e seus compromissos económicos/financeiros e investir numa economia com juros de crédito bancário na ordem de trinta por cento e um retorno do investimento muito baixo pois a população e as empresas perderam seu poder de compra.
Exceptuam-se os casos de negócios de compadrio ou de privilégios institucionais ou acordos entre governos.
A politica económica angolana, neste novo governo, deveria primeiro ter começado a organizar-se internamente através da diminuição de suas despesas publicas, aumentar suas receitas, pôr em ordem a economia interna, diminuir a corrupção e má gestão das empresas públicas, diminuir a burocracia, acabar com as dificuldades Institucionais impeditivas de uma economia equilibrada, organizar o mercado informal, eliminar o mercado informal desonesto, etc..
Só após se verificarem melhorias na economia interna de Angola, pode-se permitir a oscilação cambial do Kwanza em busca de um valor mais real e equilibrado comparativamente à moeda externa.
O efeito da desvalorização cambial abrupta e descontrolada, teve um efeito perverso na já de si frágil economia angolana e, como resultado disso, as empresas e os cidadãos perderam muito de seu poder de compra e ficaram desmotivados e com perspetivas de vida económica futura muito preocupantes.
Para que Angola reverta esta crise económica, principalmente a cambial, é necessário voltar a valorizar (apreciar) o kwanza em relação às outras moedas e para isso Angola necessita de recorrer a empréstimos externos pois as divisas obtidas com as receitas do petróleo e outras não são suficientes para equilibrar a economia e dar lastro e pujança ao kwanza.
Angola, como ´nação potencialmente muito rica, desde que seja competente, responsável, realista e pragmática e assessorada com rigor e experiência, tem cacifo para negociar empréstimos externos mais favoráveis com países ricos e disponíveis, negociar empréstimos financeiros suficientes para investir corretamente numa economia estratégica, sem deixar que sua moeda seja tão desbaratada e depreciada.
Angola pode dar como garantia suas riquezas inexploradas que poucos países no mundo têm desde que seus líderes sejam totalmente conscientes de suas responsabilidades e que país pretendem construir.
Por outro lado, neste inicio de 2019, o Governo permitiu que as empresas devedoras ao Estado e que tenham de pagar multas e juros sobre essas dividas, estão isentas desses pagamentos.
É claro que estas empresas ficaram motivadas.
Mas qual a motivação que o Governo dá às empresas que durante estes anos conseguiram cumprir com suas obrigações perante o Estado e nada devem a este e continuam a esforçar-se por cumprir com suas responsabilidades mesmo diante de uma economia de caranguejo?
Será que estas empresas cumpridoras e de qualidade em Angola são tão poucas e por causa disso não são visíveis ao olhar do Executivo?
Cumprir com as obrigações e responsabilidades económicas e fiscais, é um dever de cada um ou de cada empresa.
Mas o Governo deveria dar mais atenção às empresas cumpridoras, incentivando-as de alguma forma, e caso isso não seja feito está-se perante uma economia desmotivadora ou seja, promove-se uma economia não cumpridora e uma competitividade empresarial desonesta.
É necessário reverter rapidamente esta critica situação económica desmotivadora senão Angola terá muitas dificuldades na construção de uma economia diversificada, com mais qualidade e mais competitiva.
O Governo, a nível nacional e provincial, deve prestar mais atenção a cada uma das suas melhores empresas privadas angolanas, torná-las modelos, escutar o que cada uma, individualmente, tem a dizer sobre as medidas económicas actuais e motivar estas empresas com potencial a investiram mais pois quem sobreviveu até hoje, de modo próprio, já demonstrou capacidade, competência e responsabilidade e são estas empresas o garante da diversificação e de uma economia nacional mais forte.
*Economista. Ambientalista e industrial

08/01/2019

Opinião de Joaquim Jorge no Noticias ao Minuto

Aos olhos dos portugueses é um classe mal vista, de manguelas e que ganha demais para o que faz.

07/01/2019

Não há - de ser nada!




António Fernandes 
O mundo está em mudança como vem sendo hábito desde sempre.
Por isso, não se percebe muito bem os motivos da preocupação política e social perante uma condição que tem sido permanente e que, não fora essa constante mudança, não teria a Humanidade chegado ao corrente estádio de desenvolvimento da sua organização e das suas condições de vida em resultado do conhecimento  construído, um e, desbravado, outro.
Há condições geoestratégicas que se alteraram profundamente. Nomeadamente no Continente Europeu. Alterações que influenciaram e continuam a influenciar, direta e indiretamente, o rumo político de outros Estados, na Europa e no Mundo, como se tem verificado.
A Europa de hoje, no seu espaço geopolítico designado por U.E., é o único espaço geográfico organizado com condições políticas, sociais e tecnológicas, que lhe permitem uma  total autonomia e, por essa via, total independência politica e económica em todas as suas vertentes e domínios.
A sua dependência de terceiros em setores como:
- a energia, mão de obra qualificada e não qualificada, matérias primas;
- derivados e compostos nos setores agroalimentar, aquacultura, fármacos e outros;         
já há muito foi ultrapassada.
Simplesmente, os valores sociais pelos quais a Europa se tem pautado desde meados do século passado tem sobreposto o interesse social coletivo ao interesse individual de grandes grupos económicos e financeiros, ultrapassando interesse nacional de governação economicista e, por isso, o equilíbrio da correlação de forças internacional se tem mantido num quadro que excede já o quadro do possível, mas que ainda está muito longe do desejável onde cada Ser Humano usufrua dos Direitos Liberdade e Garantias insertos na Carta Internacional dos Direitos Humanos.
Mesmo com o Trump; o Putin; o Maduro; e muitos outros políticos irresponsáveis que se extremam, na equação internacional, a que agora se junta o Bolsonaro no Brasil mais a entrada da extrema-direita numa das  regiões da nossa vizinha Espanha, mais concretamente na Andaluzia, há cada vez mais motivos para que a Europa se reja por princípios de solidariedade interna como o tem feito ao longo das ultimas década para se autoregular e, olhar para os outros Continentes e respetivos Estados de uma forma diferente das outras grandes potências internacionais.
Mais concretamente os Estados Unidos da America e a Russia que se tem vindo a degladiar entre si e, com ameaças a Estados  terceiros tanto na componente comercial como em outras vertentes com ênfase para a sua componente militar.
Tenho para mim que, os cidadãos Europeus sabem que a Globalização inverteu o pressuposto do conceito que passou de consequência a condição:
- Consequência porque surgiu da necessidade da condição Humana.
- Condição porque passou a ser a principal garantia de suporte da vida. Humana e ambiental.
Assim sendo, há a retirar da História Universal, uma conclusão laminar:
- feita de avanços e recuos, a História, tem nos seus avanços, uma conquista irreversível: o conhecimento.
Por isso, o ano de dois mil e dezanove é mais um ano nesta epopeia a caminho do futuro que se quer:
- livre;
- com sonhos;
- justo;
- solidário;

03/01/2019

Opinião de Joaquim Jorge no Record



O VAR em inglês, Vídeo Assistant Referee, em português, Árbitro Assistente de Vídeo ou vídeo-árbitro é um árbitro assistente de futebol, que analisa as decisões tomadas pelo árbitro principal com a utilização de imagens de vídeo e de uns auscultadores para comunicação.
O VAR foi introduzido em Portugal em 2017 na final Taça de Portugal de 2016–17, depois na Supertaça de 2017 e, finalmente, na Primeira Liga de 2017–18
O VAR esta época 2018-19 ano está-se a consolidar e impo...
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