18/08/2018

Eles ainda comem tudo, no presente (parte 2)



António Fernandes

As sociedades atuais, com suporte tecnológico que dispensa o Homem, poderão ser sociedades de sucesso ou de retrocesso consoante as lideranças que tiverem:
-       Se tiverem lideranças com visão de solidariedade e respeito social. Terão sucesso.
-       Se tiverem lideranças com visão meramente economicista de pendor neoliberal. Terão retrocesso.
O que presumo estar a acontecer é haverem duas frentes em disputa pelas lideranças políticas nacionais:
-       Uma que defende a organização política e social do Estado assente numa maior distribuição da receita comum para a qual todos contribuirão de acordo com os seus rendimentos. Em que o cidadão percebe que, pagando impostos, está a salvaguardar a sua qualidade de vida presente e futura. Mas também percebe que, ao elevar o nível cultural existente, usufruindo de rendimento salarial ou outro compatíveis com o nível de vida balizado por fatores credíveis de satisfação avalizada, as suas ambições serão de sustentáculo ético e solidário para com a sociedade no seu todo e a fasquia dos valores sociais será sempre de um nível elevado para responder em tempo útil a todas as necessidades que cada vez vão serão de grau mais elevado. Em qualidade e eficácia ambientalmente sustentável. 
-       E, uma outra que defende uma organização política e social do Estado assente no principio de que o investimento deve gerar receita em favor do investidor, independentemente da forma e com que capitais esse investimento é feito e de como é apurado esse rendimento sendo que, a estrutura central do modelo assenta em cartéis e carroceis instalados de forma centrifuga na capitalização dos ativos comuns em favor de uma casta que se protege, e, em prejuízo das populações que em vez de se libertarem das privações existentes as verão ser agravadas em todos os fatores de relevância para as suas vidas, sejam do foro  económico, social ou outros. Porque o lucro para existir tem de haver aumento de custos no consumidor final tantas vezes quantas as vezes o mesmo produto circular. Condição central para o aumento do fosso entre os ricos que acumulam esses lucros e os pobres cujo rendimento não acompanha a discrepância do preço inicial do produto até ao preço final por que o paga para o poder consumir.
E, as terceiras vias tão do agrado daqueles que procuram sempre na estratégia politicamente correta de camuflagem ou dissimulação, a uma distância considerável do camaleão porque esse usa o disfarce para se defender dos seus predadores?
É uma questão pertinente porque para um vasto leque de pensadores políticos e estrategas didáticos sociais, já não há espaço económico e social para terceiras vias politicas como os pretensos e prosaicos economistas do presente, acompanhados por pretensos “quadros” políticos, gostam de dissecar em autenticas verborreias mentais, verbais e escritas, veiculadas por órgão de comunicação social, sem que consigam explanar uma única ideia que lhes seja comum num meio em que as assimetrias, sejam elas da índole que forem, são transversais ao novo ciclo político onde pontuam perseguidores de cargos convencidos que são lideres com carisma sem sequer ter a preocupação de certificar se essa suposta liderança tem qualquer cabimento ou é aceite pelos pares e em consequência disso pelas populações, acompanhados por serviçais de ocasião que se contentam com as migalhas que o amo sacode da mesa. O poder tem destas coisas. “Eles comem tudo eles comem tudo. Eles comem tudo e não deixam nada”. Como o disse e cantou José Afonso.
Esta simplicidade de analise é incomum para todos aqueles que complicam de forma a dificultar o raciocínio e influenciar as novas gerações no sentido de que:
-       para haver emprego, tem de haver disciplina;
-       para haver estabilidade, tem de haver disciplina;
-       para haver futuro, tem de haver disciplina;

Aquilo que não dizem é que o princípio da disciplina é aquele que é socialmente aceite e nunca aquela que lhes querem impor!
E esse princípio é a principal base de suporte da liberdade e da democracia, nunca de uma ditadura. Porque nessa, a disciplina não é aceite, é imposta.

17/08/2018

Opinião de Joaquim Jorge no RECORD


O primeiro jogo oficial da Juventus é este sábado, 18 de Agosto, pelas 17 horas. Ronaldo estreia-se no campeonato italiano, contra o Chievo Verona. Nesse dia vou ver o jogo na televisão com muito interesse e grande expectativa, como se vai desenrolar e o seu entrosamento com os restantes jogadores. Na semana seguinte joga contra a Lazio em casa e aí será porventura a loucura total, Ronaldo a jogar pela Vecchia Signora em Juventus Stadium.
A "Ronaldomania" está implantada em I...
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Eles ainda comem tudo, no presente (parte 1)




António Fernandes 
Os saudosistas do passado no presente, não tendo vivido nenhum dos períodos críticos da História passada, presumem que tudo eram facilidades tal e qual como o foram para si num estádio em que os seus progenitores lhes quiseram proporcionar tudo aquilo que não tiveram. E por isso, dentro do possível, num contexto político favorável de crescimento económico e de inovação tecnológica que os libertou para um maior e melhor acompanhamento da sua família, foi possível aos progenitores protegeram e apoiaram em tudo aquilo que lhes foi possível, os seus descendentes, mas também, os seus ascendentes, de forma cuidada demonstrando estar à altura da vertiginosa mudança que se operou nos seus hábitos, usos e costumes, ajustando-se aos tempos. Tempos de maior exigência e de aprendizagem, para suprir o atraso geral, em que o escolar era o mais relevante por ser a base de suporte, relativo à Europa, e fazerem as mudanças estruturais de que no tempo o País necessitou para acompanhar essa mesma Europa. A Europa do Conhecimento; da expansão económica; do desenvolvimento tecnológico; da investigação científica; da liberdade, da democracia e da justiça social.
Para isso criaram as condições necessárias à formação intelectual e cultural dos seus descendentes de forma a os capacitar para uma realidade que desconheciam, mas que sabiam ser a melhor.
Tarefa para a qual sabiam não estar suficientemente preparados ao nível da literacia mas que, e por o saberem, a enfrentaram e levaram de vencida, num curto espaço de tempo em que deram um passo gigantesco abrindo as portas da sua História enquanto Nação, criando as condições politicas para que as mudanças em curso não tivessem atropelos e seguissem o seu caminho no sentido da inovação dos hábitos, usos e costumes das populações, desde o Litoral ao interior mais profundo, e a revolução cientifica e tecnológica ocorrida proporcionasse as condições técnicas e Humanas necessárias, ao ponto de hoje, o País, ser possuidor de uma geração de jovens altamente capacitados para o exercício profissional em qualquer domínio e, em qualquer parte do globo.
A geração de setenta foi uma geração de transição, mas também, transitória, que soube fazer face a uma mudança de paradigmas e de valores. E, acima de tudo, soube ser sensata.
Foi uma geração que cruzou experiências de guerra; de fome; de pobreza extrema e baixos rendimentos; de baixo tempo medio de vida; de taxa de mortalidade infantil elevada; de condições de vida e de salubridade primitivas; de iliteracia; de analfabetismo; de dependência exclusiva da terra e de uma agricultura de subsistência; entre outros, em contexto político de ditadura e de todas as consequências que uma ditadura alicerçada num regime nazi acarreta para a qualidade de vida dos povos e, de perseguição e tortura para com todos aqueles que se lhe opunham.
Com o alvorecer da democracia no Ocidente após a segunda grade guerra, meados dos anos quarenta, Portugal que tácita e politicamente foi aliado dos Alemães, manteve o regime de que só se libertou em meados dos anos setenta, mais concretamente em 1974, sendo o penúltimo País a implantar um sistema politico democrático, influenciando a Espanha de Francisco Franco que se lhe seguiria sendo o ultimo País da Europa Ocidental a libertar-se dos grilhões da ditadura de pessoas doentes porque a saúde mental não compreende como é que é possível haver Homens capazes de tão maltratar outros Homens.
Volvidos todos estes anos, constatamos que a geração de setenta, falhou rotundamente na tramitação do seu legado escondendo-o por debaixo da democracia, envolvendo-o numa áurea de facilitismos de que não dispôs, mas que, aparentemente, a geração seguinte absorveu e fez transição.
Por isso, o atual contexto, em que a esquerda avança por necessidade conjuntural de sobrevivência dos povos em liberdade, mas enfrenta a incompetência que gera incapacidade gritante nos atuais dirigentes políticos em saber gerir as atuais circunstancias com que as civilizações se confrontam, completamente despolitizados naquilo que é a essência da vida em comunidade; os requisitos e os valores; abre caminho politico ao retrocesso civilizacional como forma de equilíbrio social, convictos de que esse equilíbrio só é possível com regras de vida assentes em carências geradoras de submissão a que se seguirá, impreterivelmente, um sistema totalitário.

16/08/2018

PENSAMENTOS




Valdemar F. Ribeiro 

O  SABER  HISTÓRICO E O SABER CIENTÍFICO

          A perceção da História, por definição, é o conhecimento do singular, do individual, do que não se repete no tempo nem no espaço, do que se conceitua como único, portanto não é previsível.
O pensamento científico é o conhecimento do geral, do universal, conhecimento este centrado na predizibilidade de eventos e na formulação de leis, numa lógica universal.
A ciência busca realidades, factos, e cada individuo aprofunda em si essa realidade ou não.
Na verdade científica, a realidade nasce de dentro para fora e não de fora para dentro.

         A GRANDE AVENTURA – O PENSAMENTO CIENTIFICO

O desenvolvimento das ciências modernas e suas aplicações, constituem para a humanidade uma grande aventura e é uma aventura que não permite medir hoje os futuros progressos nem as consequências finais.
O esforço da ciência, por um lado tende a aumentar o conhecimento dos fenómenos naturais mas, por outro lado, também há a possibilidade de causar situações menos interessantes ou mais perigosas.
Basta olhar a bomba atómica e suas consequências, ontem e hoje.
         O conhecimento científico comporta perigos pois gera um poder que pode ser usado para o “bem” e para o “mal”.

          Mas não há como parar o desenvolvimento cientifico pois o risco é a condição do êxito e “a ciência progride por adaptação do espirito à realidade e exige a criação de noções sempre novas” ( P. Langevin).
        “Só na obra da ciência é possível amar o que se destrói, continuar o passado negando-o, venerar seu mestre contradizendo-o” (G. Bachelard).
            Não há numa floresta duas folhas iguais mas logo que a observação se torna atenta e refletida, apercebe-se de que há elementos fixos que se apresentam de uma maneira semelhante pois a variedade não exclui certas analogias. 
           O pensamento inteligente, científico, obriga a atender aos elementos permanentes ou estáveis e aos elementos impermanentes ou novos.
         O conhecimento refletido, exige uma multitude de observações diversas e sempre novas. 
         O carácter do conhecimento científico é a objetividade no sentido de que a ciência intenta afastar do seu domínio todos os elementos afetivos e subjetivos, deseja ser independente dos gostos e das tendências pessoais do sujeito que a elabora ou seja o conhecimento científico deve ser um conhecimento válido para todos.
         A evolução da recente ciência, e especialmente da física, mostrou a impossibilidade de separar adequadamente o objeto do sujeito e de eliminar completamente o observador.
         Este reconhecimento é essencial na teoria da relatividade e na nova física quântica, torna o carácter da objetividade mais complexo.
        A penetração e a profundidade são formas especiais do vigor do pensamento e são qualidades morais.
        O espírito superficial é muito indulgente para consigo mesmo pois contenta-se com pouco para si mesmo e para os outros ao seu redor pois aceita o que baste para conseguir o efeito.
         Este espirito carece de penetração ou de profundidade e dá por finda a investigação logo que as ideias encontradas forneçam assunto para uma página bem escrita e propende a considerar essas qualidades encontradas na primeira esquina como critério do valor das ideias.
          Ocorre em erro lógico porque o valor das ideias científicas só pode ser avaliado de harmonia com as regras do verdadeiro ou falso.
          Sem a subtileza do pensar profundo, não existe a força, porque toda a grosseria é fraqueza e impotência e quanto mais delicado o instrumento para uma operação cirúrgica, mais firme deve ser a mão que o segura.
          Deste modo, a inteligência, desde que se considere somente a sua função lógica, exige sempre nas suas mais diversas operações, a mesma qualidade moral de probidade escrupulosa e minuciosa, isto é, de precisão.
          O ato essencial da inteligência, o discernimento, não se contenta com o pouco ou com o mais ou menos.
             E esta qualidade moral é propriamente o que se denomina de espírito científico.
             Torna-se verdade no filho, aquilo que no pai era mentira (F. Nietzsche).

Invasão anual aos serviços de urgência



Paulo Andrade 
“ O pessoal das ambulâncias é sempre insuficiente (...) ” Henry Dunant (1828-1910) Filantropo suíço, prémio Nobel da Paz e um dos mentores do serviço de primeiros socorros. 

Entretido nas minhas cogitações, lembrei-me de algo que li num jornal .  Aproximadamente em meados de 2017.  

Esse algo, foi uma notícia referente aos primeiros 11 meses do ano de 2016 !  Segundo esta mesma notícia, no período referido,  entraram nos serviços de urgência(SU) dos hospitais  cerca de 25 milhões de pessoas. Destas ,  a cerca  de  11 milhões de pessoas  foram atribuídas as cores “verde” e “azul”.  

Estas cores representam, precisamente, casos não graves, não emergentes! 

Por outras palavras são casos que...não ganham nada em ir para um  SU . 
Interrogo-me sobre o que levará um país a inscrever, em menos de um  ano,  nos hospitais  um número  de pessoas superior à sua própria população. 25 milhões, no total, sendo que 11 milhões destas penso que provavelmente nem deveriam ter ido para o  hospital. 
Lembrei-me de  fazer algumas comparações .... 
A primeira guerra mundial, que durou cerca de 4 anos, teve cerca de 9 milhões de vítimas, portanto entre mortos e feridos, são pessoas que , a dada altura, precisaram de atendimento médico. A guerra colonial portuguesa, que durou 13 anos, fez cerca de 16.000 vítimas. Assim como o exemplo anterior, estas 16.000 vítimas  necessitaram, nalguma altura do seu percurso da guerra, de assistência médica. As batalhas do dia D, fizeram cerca de 19.000 vítimas, a batalha de Estalinegrado (uma das mais ferrenhas e brutais da 2ª guerra mundial), fez cerca de 2 milhões de vítimas.Poderia dar mais exemplos, mas fico-me por estes!  
Portugal está em paz! Não defrontamos nenhuma guerra , no sentido bélico do termo que possa, nem que seja em imaginação, ser comparada  algum dos exemplos que aqui descrevo.  
E ,mesmo assim, é preciso ter uma imaginação com algum prodígio. 
Em tempo de paz, Portugal consegue colocar nos SU ( Serviço Urgência), 11 milhões de pessoas que provavelmente nem deveriam lá estar! 
Um número superior à nossa própria população. 
Trabalhando no Sistema de Emergência Médica (SIEM), e tendo profundo conhecimento das razões que  habitualmente servem para que uma pessoa seja conduzida ao hospital, se calhar até me espanto como é que o número não é maior! 
Todos os anos, só a nível do número 112, são accionados meios de emergência para mais de 1.200,000 saídas supostamente de emergência, informação constante online

Para que nos situemos em termos de conceitos, porque não significa tudo o mesmo : 
O conceito de emergência médica define , por si só, qualquer situação que, num dado momento, afeta um ser humano colocando em risco eminente a vida. O conceito de urgência define uma situação que, apesar de não representar perigo eminente para a vida, tem que ser resolvida num curto espaço de tempo sob pena de se transformar numa emergência médica! 
Interrogo-me :  
Então mas que andam os portugueses a fazer para que todos dos anos um número equivalente a mais de 10 % da população ,a avaliar pelo número de saídas de meios de emergência, dê entrada nos diversos SU espalhados pelo país ? 
Serão os portugueses um povo assim tão azarado que todos os anos mais de 1 milhão de nós corre risco de vida ou risco imediato de vida ? 
Como e porquê há tanta gente a entrar nos SU todos os anos ?  
Quanto mais gente acede aos SU, mais sobrecarregado fica o sistema de emergência.  
O de dentro e o de fora dos hospitais ! Com todos os custos inerentes a este facto ! 
Sendo, como já escrevi, profissional do sistema e conhecendo algumas das razões que, servindo-me de  Lisboa como exemplo, conduzem a a maior parte das pessoas à urgência de um hospital, de facto, quase que é de pasmar o facto de o número não ser mais alto. 
Os conceitos do que é “emergente” e “urgente” parecem-me claros !   
Mas a prática de quase 12 anos  trabalhar neste sistema é também muito clara, muito professora de rotinas. 
Em Lisboa as razões que ocupam a maior parte da justificação(?) para saídas de ambulâncias de emergência penso que vão  desde o surreal, até ao absurdo . Substantivos que, quando comparados com a rotina diária, comprovam-se insuficientes para qualificar essa mesma rotina. 
Os motivos são reais, ocorrem com uma frequência assustadora e rotineira. 
Alguns do motivos que levam a que se ligue 112 e se provoque a saída de um meio de emergência  ao domicílio, e se proceda ao posterior transporte para um SU, vão desde o  “ chamei-vos porque está muito frio”, até à simulação de desmaios, passando por “doer um dente”, e acabando no “ tenho uma dor aqui porque fui atropelado em...1981” ! 
Pelo meio existem outros motivos que, do meu ponto de vista, são igualmente surreais! 
Mas se a pessoa fizer questão em ir para o hospital, a ambulância tem de a transportar ! 
Entre nós, profissionais do sistema de emergência, discutem-se por vezes percentagens de saídas não necessárias, e motivos de entrada no hospital,  que não justificam, de todo, nem deslocação de meios de emergência, nem o transporte para os SU . São contas que não são difíceis de fazer. Nós é que saímos com os meios, nós é que presenciamos as diversas situações e motivos de ida ao SU, e nós é que assistimos ao que as pessoas nos dão como justificação para ir! 
E sabemos o exagerado número de vezes nas quais este fenómeno ocorre !  
Mesmo podendo haver alguma discordância, a percentagem que se encontra com uma frequência e consenso assustadores é de cerca de  70 % ! Portanto de todas as deslocações e entradas no serviço se urgência, na área da grande Lisboa,  provavelmente cerca de 70% são absolutamente injustificadas.  
O próprio INEM , num cartaz publicitário onde utilizou o jogador brasileiro  Neymar, deixa claro que quase 80 % das chamadas para a linha de emergência, não são emergências. 
Não está em causa nem nunca esteve o critério clínico. Estão sim em causa outros critérios. Nomeadamente o respeito pelos serviços de urgência e , já agora, o simples bom senso! 
Transportes  ao SU, rotineiros, pelo seu enorme número,  sem ser de todo necessário, sobrecarregam o sistema , sobrecarregam profissionais, sobrecarregam hospitais . Aumentando a probabilidade de erro e de insuficiência de meios de emergência caso sejam efetivamente necessários! E são ... 
Esta forma de ser e estar do “sistema” tem custos! Muitos ! 
Quer humanos, quer financeiros ! 
A alguns cidadãos penso que provavelmente custa-lhes... a vida! 
Pelos exemplos que dei ( que constituem apenas uma amostra de motivos , no mínimo, questionáveis), é realmente de estranhar que o número não seja superior. 
Comecei esta minha redação referente a uma lembrança relativa a um facto de 2016. Hoje, em 2018, com 2017 a fazer parte do passado, o assunto que se discute é exatamente o mesmo, porque o problema é exatamente igual a 2016 ! 
Que já era igual a 2015! 
Henry Dunant, nasceu há 190 anos. A sua frase é icónica, por isso a escolhi. Acrescento apenas que , hoje em dia, com o sistema a manter-se a trabalhar da forma que está, não são apenas as ambulâncias que são insuficientes, ou o pessoal com a formação adequada para as tripular. Passam a ser insuficientes hospitais, médicos, enfermeiros, auxiliares de ação médica, administrativos e todos os demais profissionais que dão corpo e vida aos hospitais . 

14/08/2018

Braga. A cidade da “Porta Fechada”




António Fernandes 
A cidade de Braga, capital do Minho, é conhecida por ser uma cidade de porta aberta por, em bom rigor, haver um dito popular sobre as suas gentes de terem o habito de deixar as portas abertas quando por elas passam ao ponto de, quando alguém se esquece de fechar uma porta qualquer, a exclamação é sempre : “É de Braga!”. Seja em que local do País for.
Creio que esta designação, a da “Porta Aberta”, para além das interpretações que alguns entendidos nestas coisas tem e delas dão nota como sendo verdades absolutas, comporta uma carga afetiva de bem receber e de franqueza no trato, mas também porque, não era hábito fechar as portas com chaves ou ferrolhos. Uma simples pedra a segurar a porta para que não batesse ou deixasse entrar o frio era o suficiente.
É óbvio que as razões para justificar esta conduta são muitas. Simplesmente, o facto de pouco ou nada haver a proteger poderá bem ser a razão maior para que na segurança das portas se refletisse essa preocupação.
O Arco da Porta Nova, que dizem nunca ter tido porta, teve, segundo testemunhos da época, um porteiro que cobrava a entrada para dentro da cidade muralhada o que constituía uma das receitas da cidade. A cidade tinha outras entradas, seriam quatro, todas elas com portas que se fechavam ao anoitecer e abriam ao amanhecer para as lides correntes numa cidade com vida, mas que já crescia extra muralhas e que, segundo a mesma testemunha, no Arco da Porta, Nova também haveria uma porta.
Os Historiadores dizem que não. A informação existente também diz que não. Sobra a dúvida: Para que foi construído então um arco, o da Porta Nova, se a intenção era não levar porta nenhuma?
A cidade de hoje tem muitas “portas de entrada” e outras tantas “portas de saída” que dispensaram os arcos desde que o Arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, mandou construir o Arco da Porta Nova, numa época em que o futuro das cidades as previa sem qualquer espécie de barreiras de forma a permitir o livre transito de pessoas e bens, senão quando… eis que, um novo poder instalado se lembra de “fechar as portas” da cidade quando lhe dá na real gana só porque assim o entende presumindo que os seus conterrâneos são maioritariamente amantes do automobilismo; do ciclismo; do atletismo; ou de outra qualquer modalidade que traga consigo os meios de comunicação social. Porque se for uma atividade qualquer levada a cabo por amadores não há “portas fechadas” para ninguém.
Não raramente, a cidade da “Porta Aberta” converte-se em cidade da “Porta Fechada” para gáudio de uma minoria em prejuízo de uma maioria que se vê limitada nos seus afazeres quotidianos mais todos aqueles que tem necessidade de atravessar a cidade em direção a outros destinos.
A cidade da “Porta Fechada” ao “trancar” com forças de segurança as suas principais artérias, vias de acesso, passagem e de escoamento, sem que disponha de alternativas devidamente sinalizadas, porque há circunstâncias em que as não tem, causa transtornos irreparáveis porque fecha completamente o acesso urbano usado com regularidade por todos aqueles que tem vida própria, alheia aos eventos em causa, aos que só querem passar, mas também, aos que procuram na cidade bens de consumo e, sobre tudo, aos que necessitam com urgências de recorrerem aos seus equipamentos de saúde.
Não percebe o Bracarense mais crente porque raio é que os trajetos dos eventos promovidos com o apoio da Autarquia se hão – de realizar nas principais artérias e praças da cidade transtornando-lhes a vida e a de todos aqueles que querem seguir caminho para as localidades vizinhas ou outras cujo caminho é a cidade de Braga, quando há tantas outras ruas e praças disponíveis a precisar de animação como de “pão para a boca”.
A cidade com as “Portas Fechadas” circunscreve-se assim, a uma coutada de que se dispõe consoante “dá na veneta” ao poder instalado, como se de um espaço próprio no seu todo se trate.

Opinião de Joaquim Jorge no jornal Público


A minha opinião no jornal Público. A liberdade de expressão e o elixir da democracia
PUBLICO.PT
A liberdade de expressão é o primeiro mandamento da nossa convivência democrática.

10/08/2018

O fogo lavra, o País e a estabilidade política





António Fernandes 
Considerados como catástrofes naturais, ao que se apura, os incêndios florestais das últimas décadas não têm sido tão “naturais” quanto se o possa considerar ou sequer afirmar.
O País teve, no dia 15 de outubro do ano passado, ano de 2017, o seu dia mais incendiário de que há registo ou memória, em que foram registados mais de 523 incêndios num só dia, de que ainda não recuperou emocionalmente, e que se centraram no Centro e Norte do País com a dramática situação que aconteceu em Pedrógão Grande a sobressair pela negativa de todos eles em face do numero de mortos e dos dramas individuais e coletivos causados no local mas também no todo nacional.
Esta ocorrência de, imagine-se (!), 523 incêndios num mesmo dia (?!).
Uma coincidência demasiado estranha que as condições climatéricas não explicam; a incúria de alguns usos e costume, também não; e muito menos o explicam a razão que não entende que fenómenos deste tipo aconteçam desorganizados.
A imprensa escrita, radiodifundida, de televisão e outros, vulgo comunicação social, a que acrescem as redes sociais, difundiram e comentaram o drama consoante a perspetiva que do citado tiveram. 
Os serviços de notícias dos diversos meios de comunicação cumpriram a sua função, informar, abrindo os respetivos noticiários com a informação disponível e os serviços de reportagens nos locais a darem conta dos acontecimentos em direto dos locais onde ocorriam os incêndios.
O País florestal, no Centro e no Norte ardeu, mas com ele arderam também pessoas e bens, carbonizados, irreconhecíveis, deixando uma áurea de dor que nenhuma intenção, por muito boa que seja, colmatará jamais, porque as marcas que deixou será eternamente indelével!
Feito este breve resumo há um facto inolvidável: A responsabilidade política.
Um argumento de peso, principal e, único, de vozes sonantes no panorama político que influíram na opinião e analise social do todo nacional.
Mas que, omitiram, com ou sem, premeditação, um conjunto alargado de responsabilidades em cadeia que, dizem outras vozes, não se souberam articular e que, porventura, não estariam preparadas para um acontecimento com a dimensão do acontecido, disseram também,  num cenário de tal forma dantesco em que nunca há a capacidade disponível para o combater e vencer.
Pediram essas vozes a demissão de um conjunto de personagens com primazia para a demissão da Ministra da Administração interna.
Ministra que acabou por apresentar pedido de demissão ao Primeiro Ministro depois da pressão publica ocasionada por uma intervenção do Presidente da República a propósito do ocorrido.
O Governo também abanou, pressionado por quadrantes políticos à sua direita, mas não caiu e a Senhora Ministra da Administração interna ao apresentar a sua demissão provocou a quarta alteração do elenco governativo desde a nomeação de António Costa para Primeiro Ministro.
Volvido um ano, corre o mês de agosto e, de novo, sendo que desta vez a Sul, o fogo assenhorou-se da Serra de Monchique que ardeu sem controlo devastando tudo por onde passou e semeando o caos nas populações residentes ou em férias em pleno coração do Algarve. Ao que parece, a crer nas notícias de hoje, dia nove de agosto, a situação de fogo estará já sob controlo.
No entanto, para memória futura, fica a sensação de que os incêndios florestais, pesem os argumentos aquilo que pesarem, deixam no fumo que espalham e nas labaredas que tudo consomem, muitas dúvidas sobre as suas origens e quais os verdadeiros motivos porque acontecem e onde acontecem no tempo em que acontecem.
O fogo do Pinhal de Leiria, dizem, foi acordado secretamente entre pessoas ligadas ao negócio da madeira, numa cave.
Outros fogos, dizem, são muitas vezes originados por queimadas a que, acidentalmente, se perde o controlo. E outros fogos, também dizem, são fogo posto. Vá-se lá saber com que intenções. E há os incêndios que acontecem provocados por fenómenos da Natureza.
Aquilo que ninguém diz, mas pensa, é que pode haver concertação de interesses: económicos, políticos, sociais, ou outros, com objetivos claros de benefício económico ou político, e que, os meios serão meras conjeturas de justificação ou resultados de investigação que demora o seu tempo. O tempo suficiente para que nesse espaço se tracem cenários hipotéticos em que o carater e a integridasão por demais denegridos e violados sem motivo ou justificação razoável e plausível por falta de informação fundada e fundamentada.
As tão célebres peças de investigações jornalísticas ficam-se pela notícia, salvo a do Pinhal de Leiria de que pouco mais se soube, para além da célebre reunião, testemunhada, de pessoas ligadas ao negócio da madeira para levar por diante o intento e acordar preço, que após denúncia anónima dizem, por exemplo, ainda não há consequências.
Assim como, pouco ou nada se sabe após o rescaldo mediático da notícia do que se passou em Pedrogão Grande, de gravidades extrema em que morreram pessoas e, haverem muitas dúvidas sobre as dádivas para a ajuda na reconstrução de casas e apoios focalizados. Das consequências sobre o crime perpetrado, publicamente, nada mais se soube.
Diz-se também, em surdina ou nem por isso, que o Governo não resistiria a outra vaga de incêndios, presumo, causados por e, com interesses obscuros que vão para além dos interesses de madeireiros e das “limpezas” obrigatórias que não chegaram a ser feitas em mais de dois terços das matas existentes no País.
Se a intenção era tirar partido político do incendio de Monchique esse interesse gorou-se porque a resposta política e de meios foi capaz e, no âmbito dos limites das respostas a dar por todos os operacionais, cumpriu.
Por isso, sobra a certeza de que o combate político se faz com argumentos; ideias; políticas estruturais; e outras; e não, com baixo nível cultural e intelectual.

09/08/2018

PENSAMENTOS




Valdemar F. Ribeiro 
Fernando Pessoa viveu seus heterónimos com profundidade, como se cada um deles fosse um eterno amor, e em nome desses heterónimos escreveu seus pensamentos.
Estes heterónimos foram personalidades conscientes em Pessoa.
É como viver vários amores , cada um na sua profundidade, sem tempo nem espaço ou seja , quando cada amor é vivido numa profundidade infinita, dentro de cada um, o tempo e espaço são relativos.
Cada amor, cada sensação, cada mergulho na essência de cada vivência individual ou em parceria, sem tempo pois o essencial é o instante ou instantes, permite construir, em em cada um, não uma mas diferentes vivências eternas, infinitas.
Cada uma destas vivências, sem importar o tempo, tornam-se obras de arte de extrema beleza.
Um dos seres humanos mais belos e profundos que viveu neste planeta e vive em cada um de nós, o cientista Stephen Hawking, inspirou os seres humanos mais atentos, com a consciência sobre os buracos negros e universos multi-versais e que também são vivenciados em cada ser humano, conscientemente ou não, na medida em que este  se permite viver.
Cada ser humano constrói em si muitos universos e cada universo é importante, sem importar o passado, presente ou futuro.
E como diz o poeta maior Vinicius de Morais, cada amor é infinito enquanto dure e sendo assim, cada amor é eterno em cada um,  e cada um deles é um momento único.
Feliz o ser humano que se permite viver universos multi-versais.
Cada ser humano nasce sozinho, vive,  e morre sozinho, nada mais do que isso, e precisa permitir viver em si os universos que lhe compete construir.

Matosinhos


Matosinhos ultimamente tem sido noticia por más razões... quem veio dar a cara não foi a presidente de câmara, nem o n.º2, ou o n.º3 do executivo, mas o vereador do PCP, que permite ter uma maioria ao PS.

CMJORNAL.PT
Chamas lavram nas traseiras de fábrica de conservas.

Opinião de Joaquim Jorge no RECORD


RECORD.PT
Clube dos Pensadores