07/03/2016

Artigo de opinião de Joaquim Jorge no ECONÓMICO

Corrupção
00:05 Joaquim Jorge
O que se tem passado nos últimos anos em Portugal, muita gente não quis entender ou faz de conta que não se tem passado. A dura crise económica foi, é, um assunto de Estado e de todos nós.

Os estudos recentes demonstram que os eleitores e os cidadãos em geral estão conscientes de que a gestão da economia é algo complexo, que o êxito ou fracasso no crescimento económico e na criação de emprego não depende exclusivamente da política, dos políticos e do Governo em funções. Depende de vários factores que fogem ao seu controlo.

Os cidadãos atribuem a maior quota-parte das responsabilidades aos políticos e esquecem-se de outro factor: a corrupção. Todavia, a corrupção, assim como o desemprego e as desigualdades atingiram cifras que batem todos os recordes.

Não nos podemos esquecer que na passada legislatura e nas anteriores houve algo sem precedentes: BPP; BPN; BES; Banif, etc.. É uma façanha ao melhor nível de países da América Latina. Se não houvesse desvio de dinheiros públicos, a nossa dívida pública estaria em níveis aceitáveis, possibilitando ao Governo dar apoios sociais decentes e não fazer cortes nos salários.

A corrupção requer a cumplicidade e a negligência dos políticos. Não vale a pena escamotear isto. A resposta para combater a corrupção está entrelaçada com a política e os políticos. Seja como for, há políticos sérios – a maioria –, embora alguns tenham responsabilidades na situação actual de Portugal.

A corrupção, além de ser endógena e de fazer parte da estrutura do sistema político, é amparada pela política ao criar redes de clientelismo, ao redistribuir recursos económicos, ao promover uns políticos à custa de outros, fazendo com que ganhem eleições. Logo de seguida, tomam de assalto áreas cada vez mais amplas da administração pública, sendo os decisores dessa contratação.

Se hoje em dia a corrupção floresce e se sente cada vez mais, é porque a política beneficiou dela. Só há uma maneira clara de acabar com a corrupção: quando esta implicar a perda do poder. Deste modo, poderemos começar a pensar em extingui-la.

A corrupção é a primeira ameaça à nossa democracia e ao funcionamento do sistema democrático. O combate à corrupção deve ser a tarefa primordial de qualquer governo. Todavia, nós sabemos como tudo se passa, como sentimos e suspeitamos. Porque provar-se não é fácil em justiça. Com efeito, vivemos num país que carece de princípios morais para condenar os infractores. A corrupção floresce graças à tolerância das pessoas que rodeiam o corrupto, pensando em beneficiar dessa situação para, de seguida, fazer os seus negócios.

O que se tem passado nos últimos anos em Portugal, muita gente não quis entender ou faz de conta que não se tem passado. A dura crise económica foi, é, um assunto de Estado e de todos nós.
ECONOMICO.SAPO.PT

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