30/12/2015

Mitos ou verdades?


“Não saias para a rua de cabelo molhado”

Para além do medo de que pudesse despoletar vírus respiratórios, começou também a espalhar-se a crença de que ir para a rua com o cabelo molhado podia potenciar o risco de paralisia facial. “A paralisia facial consiste numa paralisia total ou parcial dos músculos da face, que pode ser classificada de duas formas: paralisia facial central ou paralisia facial periférica. A paralisia facial central acontece quando existem lesões no encéfalo, no sistema nervoso central, pois é este que envia todas as informações para o nervo facial. Quando existem lesões as informações não serão transmitidas ou poderão chegar com deficiências. Na paralisia facial periférica as lesões estão localizadas no nervo facial, o que faz com que exista uma irritação dos músculos da face”, explica Pedro Lopes. “Neste tipo de paralisia os doentes vão apresentar uma assimetria da face: o lado paralisado a boca sobe ligeiramente, os olhos poderão não piscar naturalmente, entre outros sintomas que assustam um pouco doentes e familiares devido à semelhança de sintomas com um acidente vascular cerebral.”
As causas não se conhecem na totalidade e nada é certo, lembra ainda o médico. “O nervo poderá ser afetado por infeções, traumas, distúrbios de glicémia, traumatismos cranianos, tumores situados próximo do nervo facial, otites, hipertensão arterial, entre outros. Grande parte dos casos conhecidos deve-se à reativação do vírus herpes tipo 1, que poderá ficar armazenado durante anos no organismo sem ter nenhum tipo de reacção. Contudo, se ficar latente nos nervos faciais, poderá causar uma inflamação que desencadeará este tipo de paralisia. Esta teoria não está totalmente comprovada mas é considerada uma das causas mais prováveis. Quando a causa da inflamação do nervo é viral, dá-se o nome de Paralisia de Bell. Mas não há qualquer fundamento científico que explique a relação entre andar de cabelo molhado com a ocorrência desta situação. Contudo a exposição prolongada a condições de frio extremo pode provocar sintomas de paralisia facial periférica.”

“Não tomes duche a seguir às refeições”

Sempre ouvimos isto na praia, nas tardes de verão em que, a seguir ao farnel, a mãe nos proibia de ir à água… ou arriscávamo-nos a ficar lá, fulminados por uma indigestão. Mas o mesmo conselho era dado relativamente aos duches caseiros, onde, normalmente, a temperatura da água até está próxima dos 37ºC do nosso corpo. E até há quem defenda que, se for tomado na meia hora a seguir a acabarmos de comer, não há mal que nos toque. “O banho a seguir às refeições é uma questão que deixa sempre muitas dúvidas até porque todos nós fomos educados para não o fazer”, lembra Pedro Lopes. “Após uma refeição, o organismo aumenta o aporte de sangue ao tubo digestivo para que o processo de digestão ocorra. Uma vez que o volume de sangue é constante, para fazer isto o organismo tem de o desviar de outras localizações, nomeadamente das extremidades do corpo. Quando estamos expostos a temperaturas baixas, como acontece num banho de mar, o organismo necessita desse mesmo sangue para manter a temperatura corporal. Para já não falar do sangue que é necessário transportar para os músculos, que nos permitem nadar, e mesmo dos músculos involuntários que se contraem para manter a temperatura do corpo. Acresce a isto o facto de o frio provocar uma contração (constrição) dos vasos sanguíneos, com consequente diminuição do fornecimento de sangue ao tubo digestivo, durante o processo de digestão em que ele é necessário. É por esta razão que o banho com água fria após uma refeição é desaconselhado. Contudo, um banho com água tépida ou quente e em ambiente com temperatura controlada, como acontece em nossas casas, não tem qualquer tipo de inconveniente.”

“Não bebas bebidas geladas”

Nos tratados de conselhos preventivos das avós, elas são sempre responsáveis pelas dores de garganta, até no verão, e por pararem a digestão. Estarão certas? “As bebidas geladas quando ingeridas muito rapidamente podem de facto trazer alguns problemas”, confirma Pedro Lopes. “Quando ingerimos uma bebida gelada ela vai provocar uma diminuição abrupta da temperatura com consequente despoletar dos mecanismos corporais para compensar esta variação térmica. Durante a digestão, a ingestão de bebidas frias vais provocar uma contração dos vasos sanguíneos, com diminuição do aporte (fornecimento) de sangue ao estômago, o que pode comprometer o processo digestivo.” Quanto às dores de garganta, na maior parte dos casos, é mesmo um mito. “Dores de garganta, só se o frio provocar irritação. Mas normalmente o frio é analgésico e até anti-inflamatório por isso é um mito. Quanto aos estados, gripais é falso. A gripe é uma doença viral, pelo que o frio não tem qualquer efeito.”
Fonte:ecografiadavida

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