01/05/2010

Do que a agricultura necessita




Miguel Mota



Ao longo de várias décadas, muitas vezes chamei a atenção para o facto de, para haver boa e próspera agricultura, ser necessário que o respectivo ministério possua uma investigação agronómica ampla e de alto nível (fonte constante de inovação) e uma eficiente extensão agrícola, que leve até aos agricultores os conhecimentos existentes e os que vão sendo criados pela investigação.Sei que isto é assim em face de muitos casos, no estrangeiro e em Portugal, que o demonstram amplamente. Devem também sabê-lo os que, nos governos dos últimos tempos, têm desenvolvido uma intensa acção de destruição da agricultura portuguesa. E é assim que têm reduzido até quase à extinção o que havia de investigação agronómica (que tanto deu ao país!) e da já diminuta extensão agrícola, conseguindo fazer baixar imenso a eficiência da agricultura portuguesa e obrigando à importação de quantidades enormes de produtos agrícolas, de que a face mais visível se encontra patente em qualquer supermercado. São enormes os prejuízos causados à economia portuguesa por tão perniciosa política. Os efeitos nocivos são evidentes no PIB, na inflação, no desemprego, no défice orçamental e na balança comercial.É fácil, perante estes factos, indicar as acções a tomar imediatamente para se iniciar a recuperação da nossa agricultura. Pode iniciar-se sem encargos financeiros, embora a velocidade da recuperação dependa da amplitude que se queira dar a esses serviços, pois o que resta actualmente é uma parcela pequena do que já existiu e que, como atrás se disse, tanto deu ao país, como ainda há um ano mostrei numa conferência realizada na Universidade de Évora.O que proponho é a criação do Instituto Nacional de Investigação Agronómica, que ficará instalado na ex-Estação Agronómica Nacional, em Oeiras, sendo para ele transferidos os organismos que actualmente constituem o chamado L-INIA.Paralelamente, será criada uma Direcção Geral de Extensão Agrícola, que coordenará com as Direcções Regionais de Agricultura a implementação duma rede de serviços de extensão, com unidades concelhias, guarnecidas, de imediato, com os meios humanos e materiais disponíveis, esperando-se que, tal como para a investigação agronómica, possam vir a ser ampliadas até um nível mais compatível com as necessidades. Lembro que estes serviços, pelo desenvolvimento que imprimem à nossa economia, rendem ao orçamento do estado, através do aumento do PIB, várias vezes os valores neles investidos, como mostrei na conferência em Évora atrás referida.Pormenores do funcionamento destes serviços ocupariam mais espaço do que o normal neste escrito, mas podem ser encontrados em numerosos artigos que publiquei em jornais e revistas.