09/02/2009

Referendo à Regionalização condicionado


Mário Russo



A questão da regionalização voltou ao debate público na moção de Sócrates ao Congresso do PS. Deveria ser um momento para se discutir seriamente a questão da reorganização administrativa e política do nosso país, sem pré-conceitos, nem aproveitamentos ideológicos ou políticos.
Quando se submete uma questão a referendo é porque se pretende aquilatar da opinião popular. É para que a voz do povo valha alguma coisa. É hora de esclarecer o que se pretende, clarificando as propostas e não manipulando-as.
Ora o que Sócrates veio dizer ensombra a nossa democracia, que está podre. Só submeterá a referendo a regionalização se for para ganhar. Ou seja, ou estão comigo, ou o caos. Tal qual Salazar dizia. Por isso Manuel Alegre dizia que há gente com medo de falar.
Batemo-nos por ideias que valem a pena e as demonstramos e não para impor a nossa vontade a todo o custo.
Só acontece isto porque o caso Freeport, licenciatura, e outras trapalhadas, com culpa ou sem ela, está a pôr Sócrates em verdadeiro KO. Mas ainda mais triste é um partido no poder não ter no seu staff gente suficientemente séria e independente de pensamento que apoie o seu líder, para evitar estes dislates.
Mas Sócrates está a pagar a sua estratégia de eucalipto, de se rodear de “yes-men” . Assim, quando estiver diante de um abismo, os lambe-botas dizem-lhe para seguir em frente. É o que está a acontecer.
Que outras excrescências teremos nós de ouvir destes senhores? Ou será que é preciso pedir ao Rei de Espanha para voltar a dizer “porque non te callas?”.