01/11/2007

UMA IDEIA PARA PORTUGAL


Reformar é uma atitude de curto prazo, é preciso sim inovar, pensar no longo prazo para depois voltar à prática no curto prazo

JOAQUIM JORGE


É necessário saber que caminho Portugal quer trilhar, a vontade de mudar para melhor através de uma visão, que «país queremos ter?». Como desenvolver Portugal sem perder a dimensão social (justiça, saúde, educação, ambiente, habitação, etc.) necessária para sustentar uma sociedade mais justa e equilibrada que aquela até agora vivemos e aumentar ao mesmo tempo o número de oportunidades que oferece aos seus cidadãos em termos de possibilidade de iniciativas pessoais na esfera de negócios, cultura, inovação e investigação.

Reformar é uma atitude de curto prazo, é preciso sim inovar, pensar no longo prazo para depois voltar à prática no curto prazo.

Será que Portugal é viável enquanto país? Portugal não é a Espanha desde a união das duas coroas entre 1581 e 1640. Também não é mais o Brasil do séc. XVIII e XIX ou a África Portuguesa do séc. XX, nem a Ásia, personificada em Macau ou a Oceânia de Timor – Leste. Porém Portugal conserva uma característica comum que deve explorar e tirar partido, que é a sua capacidade de actuar enquanto nó de redes de pessoas (os portugueses presentes no Mundo), de empresas (internacionalizadas em muitos continentes) e instituições internacionais. Partilha várias redes de poder e identidade que vão da NATO à U.E., dos países lusófonos de África ao Brasil e à Ásia e Oceânia, aos estados vizinhos (Espanha e Marrocos). Laços históricos de alianças político-militares com a Grã – Bretanha e os Estados Unidos.

Precisa de adaptar a sua democracia à evolução da sociedade, e ao mesmo tempo encontrar um lugar nos novos modelos económicos de uma sociedade à escala global.

Um defeito desde há muito tempo, que enfermam os nossos governantes é a busca de modelos de desenvolvimento ou modelos de gestão, no exterior e a sua aplicação directa numa realidade diferente daquela para onde foram originalmente pensadas e experimentadas.

Portugal vive politicamente com a ideia, que a solução é ou parece ser a diminuição do papel do Estado na economia, administração pública, extensiva a outros sectores como a saúde e ensino.

Será este o caminho certo? Não existe inovação tecnológica e desenvolvimento económico e social em nenhum país do Mundo sem a intervenção forte do Estado: na investigação científica; criação inicial dos mercados; presença forte e permanente nas dimensões sociais. Deve apostar naquilo que sabe fazer, por exemplo, nos têxteis em vez de apostar em marcas próprias apostar na produção e inovação nos tecidos e materiais.

Mas uma sociedade é um todo e Portugal só se pode desenvolver se for capaz de mobilizar a maioria da população. Não podemos continuar a fingir que podemos continuar a tomar decisões sem saber o que as pessoas pensam delas, sem envolvê-las nelas.



publicado no Semanário página 8