28/08/2007

Crónica de Genebra I


Nelson Magalhães Fernandes

“ Quando entrar, significa sair...”

Qualquer português que um dia tenha deixado, a sua terra e dado uma volta pelo Mundo, com um mínimo de olhos de ver, ao voltar a Portugal, por mais curta que tenha sido a estadia, ao atravessar a fronteira vai indubitavelmente ter a estranha sensação de entrar na “Idade do obscurantismo e sair do mundo da civilização”.
Mas como não há regra sem excepção, não se preocupe caro leitor, que me está a ler, que não é em si que eu estou a pensar. Eu já vou explicar o meu raciocínio.
Pelo menos até nova ordem, tudo o que têm vida teve um princípio.Assim sendo, a vida seja de qual for, o ser de que dela disponha, implica regras. A falta delas corresponde a pura anarquia.
Imagine-se, a terra a rodar à volta do sol ao ritmo que muito bem entendesse. Um condutor, a circular contra a mão.Uma videira, sem ser podada.O mato, sem ser roçado, sei lá, uma criança, sem ser educada...
Sabem qual é o redentor final da anarquia? É o fogo, que reduz tudo a cinzas.

I

Perdoem-me os meus leitores mais pudicos, o meu português campesino, mas também aqui para estes lados, `«merde est merde », aonde quer que seja.
Estava eu na Praia da Nazaré, deitado na areia, por entre milhares de banhistas, neste princípio de Agosto de 2007, enquanto na minha frente um casal com ar de relativa educação e cultura, brincava com a sua filha, bebé de cerca de um ano de idade, visto que ainda não se mantinha de pé.
Disse filha, porque estava nua, mas isso é o menos, visto que enquanto o outro mundo começa a aperceber-se dos efeitos nefastos da depravação, nós como é lógico, visto que somos coxos, estamos a descobri-la.
Ora a bebé de que vos fá-lo, como lhe deu a vontade de fazer as suas necessidades e não tinha fralda, a mãe -la a defecar na areia. Ainda assim, até aqui, nada do outro mundo.
Agora que a mãe, cubra a merda com areia, à vista de todos aqueles que a rodeavam, é que só mesmo em Portugal.
Eram portugueses e sem contudo lhes ter pedido que se identificassem disse-lhes que iria escrever o que tinha visto. Coisa que pouco os preocupou.Em roupa suja, é mais nódoa, menos nódoa!


empresário, residente na Suíça , simpatizante do clube