20/05/2018

ANGOLA PORTUGAL – VISTOS




Valdemar F. Ribeiro
É com desilusão que assistimos aos responsáveis políticos de nossos países a não facilitarem o seu desenvolvimento sustentado.

Os novos países dos PALOP tiveram imensas dificuldades para chegarem ao século XXI e continuam a ter entraves de vária ordem no seu desenvolvimento.

Em 2018, os PALOP precisam é de ajuda política que os ajudem a resolver suas dificuldades políticas, sociais e ambientais neste mundo global muito desequilibrado.

Portugal tem beneficiado desde a independência dos PALOP não só com a ida de empresários de sucesso que viviam antes de 1975 nestes países e também com a ida de cidadãos dos PALOP sejam eles quem forem, empresários, turistas, estudantes, técnicos, políticos, etc., nestes anos pós independência e com os negócios na reconstrução estrutural dos PALOP, principalmente Angola e Moçambique.

Não foram os PALOP que se beneficiarem nestes anos pós independência pois os ganhos financeiros com os projetos estruturantes nestes novos países foram e continuam a ser de sentido único ou seja, em direção a Portugal apenas.

Quando um cidadão ou uma Instituição privada ou pública destes países dos PALOP envia valores financeiros lícitos ou ilícitos para Portugal, o maior beneficiado é Portugal e seus cidadãos que vão beneficiar-se direta ou indiretamente destes valores ali guardados.

Não são poucos os cidadãos e Instituições dos PALOP que enviaram valores financeiros ilícitos e lícitos para Portugal, valores esses  no conjunto muito elevados. 

Não estamos a analisar aqui se os capitais e os negócios eram lícitos ou ilícitos, se os empresários eram e são mais ou menos honestos mas em todos os países há pessoas de diversa índole.

É importante que o movimento de capitais seja licito mas compete aos países de onde saiam os capitais a responsabilidade maior pelo seu controle.

No mundo globalizado e canibalizado de hoje as manobras ilícitas no movimento dos capitais são cada vez maiores e difíceis de controlar, gostemos ou não, pois a moral no mundo atual navega por águas cada vez menos cristalinas.

Portugal e seus cidadãos mais conscientes sabem que houve e há ainda muita responsabilidade lusitana nos desequilíbrios das novas nações dos PALOP.

Os países dos PALOP agradecem se Portugal, nação bem inserida hoje na Europa, puder cada vez mais ajudar no seu desenvolvimento sustentado.

Portugal colaborar seria ter mais coragem e dar exemplos de iniciativas que criem mais incentivos ao desenvolvimento sustentado, não apenas crescimento económico, dos PALOP.

Por exemplo, hoje em dia e desde sempre, a maioria dos angolanos que vão para Portugal regressam à origem, outros vão para estudar, outros para negócios, outros para turismo, outros para visitarem suas famílias que moram e trabalham em Portugal, etc..

Se houvesse nestes anos passados e passar a ter neste tempo presente mais facilidade legal para entrar em PORTUGAL, vistos facilitados ou eliminação da necessidade de vistos, Portugal beneficiaria muito mais em todos os sentidos inclusive o económico.

A Maior parte dos cidadãos angolanos que vão a Portugal regressam a Angola e na grande maioria são cidadãos de respeito.

É um vexame e gera descontentamento, quando assistimos a milhares de cidadãos angolanos, todos os dias, em frente aos consulados e embaixadas portuguesas a mendigarem um visto de turismo para entrarem em Portugal e poderem visitar suas famílias ou fazer turismo ou estudar ou fazerem simples negócios.

Porquê então Portugal pequenino mas corajoso, numa decisão unilateral , não avança para a facilitação de vistos ou acaba com a necessidade de vistos, entre Angola e Portugal, incentivando mais as relações culturais e económicas entre estas duas nações irmãs?

Portugal está à espera de quê para inovar diplomaticamente? Está à espera que seja Angola a dar os primeiros passos?

Portugal deve avançar neste sentido e com urgência pois de outro modo os mais prejudicados continuam a ser os simples cidadãos angolanos, os cidadãos portugueses ou de origem portuguesa que vivem em Angola e seus descendentes, as famílias que vivem nestes dois países, a amizade entre estes dois povos que está a deteriorar-se e a perder vez em prol de outros povos menos irmãos que buscam Angola apenas para ganhos fáceis mas sem raízes profundas.

As pessoas que não tem nenhuma relação com os PALOP não estão muito interessadas no desenvolvimento mais profundo destas relações afetivas e económicas entre os povos da CPLP. 

Portugal perdeu a vez na sociedade mundial quando em 1950 não soube liderar o movimento em prol da independência das antigas colónias.

Se tivesse liderado esse movimento certamente que muitas situações menos boas não teriam acontecido e os PALOP teriam tempo para preparar convenientemente sua independência e hoje haveria com certeza uma união mais forte na CPLP e esta organização seria um exemplo equilibrado no mundo atual que tanto precisa de bons exemplos.

Não foi por falta de alertas de alguns cidadãos lusitanos e africanos mas a falta de visão dos políticos à época que rodeavam Salazar e beneficiavam do sistema, não permitiu que Portugal tivesse construído talvez um Quinto Império , império da cultura , da irmandade e da união política.

Queremos que o Portugal político, neste 2018, assuma um papel mais sapiente e corajoso e seja o primeiro a dar exemplos necessários e urgentes pois talvez assim Angola e os PALOP possam estar interessados em se unirem mais a esta pequena grande nação lusitana, à volta de uma fogueira de mil cânticos, ao pôr do sol incandescente e nas noites africanas ao som dos batuques vibrados por mãos calejadas e cânticos espiritualizados.

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