03/01/2018

A homenagem versus vulgaridade




António Fernandes 
Uma homenagem é um ato de reconhecimento público transcendente a alguém que pelo seu trabalho em prol da comunidade ou de um segmento social especifico que deixando marca social indelével e visível em permanência na vida e na memória das gentes é perpetuado no tempo.
 Não deve, por isso, ser banalizado por uma qualquer entidade pública que, ao usar o poder que detém para esse efeito, pode incorrer em  forma de ridicularizar um ato que é supremo no reconhecimento de qualidades que não sendo inatas, o são duramente conquistadas ao longo de processo formativo resultante de condições e circunstancias da vida e, para a vida, por serviços prestados a uma comunidade, a uma causa ou a outro motivo do interesse comum conjugado com a necessidade coletiva, de forma abnegada em que a humildade e o altruísmo são o seu expoente.
 Neste contexto, uma homenagem vai muito para além do reconhecimento publico simples porque incorpora a veneração de um conjunto alargado de concidadãos contemporâneos e descendentes para com alguém que pelos seus atos se destacou no tempo pela entrega mas também pelas lutas encetadas e obra realizada sempre em favor do conjunto dos concidadãos sendo que, em muitos dos casos, ultrapassa a  barreira da nacionalidade para ser de efeito global.
 Ao longo da história as homenagens tem sido maioritariamente prestadas postumamente pois só findo o ciclo de vida é possível apurar da verticalidade mantida uma vez que a reversão da conduta pode ser a reversão de todo um trajeto de vida inclusive a reversão do efetivo efeito do serviço publico prestado colocando assim a obra em causa. Obra essa que muitas vezes é continuada por terceiros ao longo dos tempos por impossibilidade da sua conclusão ou por permanente necessidade no seu acompanhamento e que por isso o culminar desse trajeto sendo um caminho longo e penoso é sempre moroso.
Não sendo raras as situações em que o reconhecimento através da homenagem só o é feito quando a “sementeira produz frutos” o que leva a ser socialmente considerado, tardiamente feito.
Motivos de difícil explicação e pior compreensão num tempo em que se pretende que os resultados sujam a um toque de “varinha de condão” só porque tudo se tornou mais fácil de conceber e de realizar. O que não corresponde ao atual estado do raciocínio preguiçosamente acomodado. - Uma discussão para outro momento e noutro contexto -.
Pelo escrito, um ato quando vulgarizado, não só vulgariza a entidade que o promove como também vulgariza o personagem que é o motivo.
Desde a vulgaridade com que se atribuem medalhas de um pretenso mérito que poucos conhecem, ao nome de personagens que o cidadão não conhece atribuído a Ruas um pouco por toda a parte. Passando por uma determinada Autarquia que pelo andar das homenagens que promove qualquer dia homenageia os pombos da Senhora A Branca.
Sabendo nós que, os critérios para a atribuição de galardão publico não deviam passar  por crivos temporais anuais porque a carga de responsabilidade não é tão complacente na produção de mérito a rodos quanto os responsaveis politicos o são.

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