19/01/2017

ESTATÍSTICAS FUNERÁRIAS




Hercília Oliveira 
Andam por aí umas " estatísticas"  muito interessantes e que mostram bem de como se perde tempo com coisas" importantes" para o país.
Dizem os fazedores de estatísticas, que o funeral de Soares teve muito pouca gente nas ruas a prestar-lhe  homenagem .
E para demonstrar isso mesmo, não faltaram publicações de fotos de funerais de  outros políticos, tais como:  Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e até imaginem, de Salazar!
E na verdade, todos estes tiveram mares de gente! Muita gente por todos os lugares por onde  passaram os cortejos fúnebres.
Com Mário Soares isso não aconteceu; realmente esteve muito longe de atingir o mesmo tipo de homenagem de qualquer um dos acima citados, muito longe mesmo.
Uma coisa que me deixou perplexa, foi o arraso nas redes sociais à figura do ex-Presidente! Nunca pensei!  E nas redes sociais é que  está a opinião do cidadão sem censura.
Não é preciso fazer um grande esforço para entender o porquê desta mudança de atitude.
Uma das razões, é que Mário Soares nunca teve a simpatia de uma grande parte dos lisboetas; vou de vez em quando a Lisboa, e sempre que  acontecia de "provocar" conversa sobre política e políticos, lá vinha o rol de "mimos" para a família Soares!
Mas, no meu entender e que não devo estar muito errada, o principal motivo desta indiferença, é que o que o sentimento , respeito e admiração que os portugueses sentiam há décadas atrás pelos políticos, está completamente moribunda, em jeito de morte lenta.
E de nada valeu, a figura ridícula que a ministra da Presidência e Modernização, Maria Manuel Leitão Marques, veio fazer, apelando ( ao que chegam...) para que a população estivesse na rua se despedindo do defunto! Só faltou andar de porta em porta, como em tempos idos se fazia nas aldeias.
A decepção, desilusão e até revolta que hoje as pessoas sentem em relação à classe política, é de tal forma evidente, que quem esperar ver grandes manifestações de apreço e aplauso aos nossos políticos, só se for em comícios organizados e até pagando a muitos dos que lá se encontram marcando presença para os aplaudir, só assim!
E não  podem eles, os políticos, se queixarem ou vitimizar, porque a culpa é exclusivamente deles que tudo têm feito para que isto, merecidamente aconteça.

1 comentário:

  1. Independentemente de estar em termos globais de acordo, acho que medindo os prós e os contras,os méritos e as virtudes superaram quase sempre os defeitos e os excessos do político e do homem. Mário Soares foi um político controverso e polémico, daí nunca ter sido indiferente ao País e nesta hora em que cai o pano merece que se lhe destaquem as coisas boas, a principal das quais o de ter contido em tempos de PREC a avalancha totalitária que quis tomar conta das rédeas do Poder em Portugal. E aí MS deu o peito às balas e fez-lhes frente. O dizer-se Pai da Democracia parece algo excessivo, mas não há dúvida que foi um dos grandes baluartes da continuidade de Portugal no mundo da modernidade e da liberdade. A democracia deve-lhe isso.

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