26/06/2016

BREXIT: O PRINCÍPIO DA DESINTEGRAÇÃO?



Daniel Braga 
Com a vitória da saída da GB da UE não se vislumbram grandes sorrisos de contentamento das duas partes. Porque ambos sabem que perderam. E perderam acima de tudo porque se mostrou à luz de todas as evidências a própria desunião e descrença, que não é nova, das posições entre a GB e a UE, quer nas políticas económicas e de mercado financeiro, quer ainda no modo como ambos encaram os problemas dos refugiados e da imigração na Europa. Com esta vitória da opção de saída, ficam ambos a pensar e a ter de fazer as suas próprias reflexões, pois daqui para o início da desintegração vai um passo muito curto, tendo a GB um problema acrescido e muito complicado: o modo como vai gerir o SIM categórico da Escócia e da Irlanda do Norte, com os sinais independentistas que se vão forçosamente reacender, correndo o risco da própria GB começar, hoje, o seu próprio processo de desintegração. Outros dados a assinalar são evidentes: um dado geracional pois a maioria do brexit tem a ver com uma faixa etária acima dos 50 anos (os mais jovens optaram claramente pela permanência) e um outro facto de cariz político - a extrema direita lutou, sem pejo de qualquer dúvida, pelo NÃO e esse dado poderá repercutir o reacender de animosidades xenófobas em relação aos refugiados e aos imigrantes e poderá transformar-se num problema complexo de resolução para o Reino Unido, mas também para a UE. Concluiu-se pois que, com a vitória do BREXIT, são mais visíveis os sinais de receio e incerteza perante o futuro, do que propriamente sinais de alegria e contentamento. Até porque todos têm mais a perder do que a ganhar. Mas, por outro lado, também terá que levar a UE a repensar seriamente as suas políticas e estratégias para com os países membros, retirando de cima desses países o cutelo sufocante da ameaça do poder económico e de austeridade permanente, sem alternativas de futuro credíveis e de desenvolvimento das suas economias e do bem estar dos seus povos. Para já, o que reina é um mundo enorme e incógnito de incertezas e de receios...

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