13/06/2016

Artigo de opinião de Joaquim Jorge no ECONÓMICO


Será que vale a pena?
00:05 Joaquim Jorge, Fundador do Clube dos Pensadores

O sistema é avesso ao que não controla. Valha-nos que alguns partidos vão incorporando ideias de outros e da sociedade civil quando lhes dá jeito.

O fracasso eleitoral de Paulo Morais e Henrique Neto nas últimas eleições presidenciais deixou-me a pensar. Depois de tanto esforço o que conseguiram mudar? Já conseguirem as proposituras para concorrerem à presidência da República não foi pouco. É o mesmo que formar um partido político. Numas eleições legislativas alguns partidos têm menos votos dos que precisaram para se fundarem.

No fundo, estes dois candidatos com boas ideias prometeram mudanças e foram contra a hegemonia dos partidos políticos. A sua luta já vem de trás procurando criar alternativa às políticas vigentes. Encabeçaram a luta contra a corrupção, denúncia de intocáveis privilégios, contra a delegação de poderes, a responsabilização de quem exerce um cargo público e negam-se a participar na repartição de influências.

Eram pela recuperação de competências do Estado na educação e saúde. Reivindicam o direito universal à igualdade de oportunidades e à mudança da lei eleitoral. No seu 'staff' não tinham gente imputada nem suspeita de corrupção.

Então a que se deve esta votação tão fraca quando a maioria dos portugueses concorda com este tipo de discurso? Uma das respostas a este acontecimento é que o espaço político está ocupado pelos partidos políticos, principalmente pelo PS e PSD. Por outro lado, o efeito Marcelo Rebelo de Sousa secou tudo à sua volta.

Depois deste fracasso eleitoral, muitos acham razoável retirarem-se com dignidade e renunciar ao impossível. Outros acham que o coração tem razões que a própria razão desconhece. As razões não deixam de ser razões e o gosto por intervir e querer mudar as coisas suplantam todas as dificuldades. Põem roupa limpa e continuam.

Mas será que os portugueses, alguma vez, mudarão o seu sentido de voto? É bom para os portugueses terem a oportunidade de votar em gente séria, limpa e correcta. Muitos rir-se-ão e acharão risível, todavia causam sempre um determinado sobressalto. E só por isso vale a pena.

Manuel Monteiro também atirou a toalha ao chão. As suas intervenções continuam no âmbito da cidadania sem passar por sufrágio eleitoral. É alguém com boas ideias e pensamento político. Infelizmente, os espaços de debate e informativos passam pelos partidos políticos com assento parlamentar. Tem que se seguir sem desânimo. Mas será que vale a pena?

O 'establishement' não deixa espaço para além dos partidos políticos. A maioria das pessoas que pretendem emergir militam em partidos e como nada conseguiram dentro deles procuram fazê-lo fora. O sistema é avesso ao que não controla. Valha-nos que alguns partidos vão incorporando ideias de outros e da sociedade civil quando lhes dá jeito.


O sistema é avesso ao que não controla. Valha-nos que alguns partidos vão incorporando ideias de outros e da sociedade civil quando lhes dá jeito.
ECONOMICO.SAPO.PT

1 comentário:

  1. PARABÉNS ao JJ! Excelente!
    Eu também me ando questionando há muito tempo. É um cansaço, um desânimo tal, que muitas vezes me dá vontade de estar a "Leste" de tudo!
    Dizem que andamos 40 anos levando com uma desgraça política; pois já lá vão mais 42, está muito pior a vários níveis e não se vê uma luz ao fundo do túnel!?


    Hercília Oliveira

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