15/07/2015

Varoufakis em entrevista à New Statesman.




Varoufakis abre o livro: “Você até tem razão, mas vamos esmagar-vos à mesma”

Yanis Varoufakis
“Desde o início, esses países [os mais endividados] deixaram bem claro que eram os mais enérgicos inimigos do nosso governo(…). E claro que a razão era que o seu maior pesadelo era o nosso sucesso: se conseguíssemos um acordo melhor para a Grécia, isso iria obliterá-los politicamente, teriam de responder aos seus povos porque não tinham negociado como nós fizemos”, responde Varoufakis na entrevista à New Statesman.
O ambiente no Eurogrupo é um dos temas mais tratados na entrevista e é definido assim pelo antigo ministro das Finanças grego: “Aquilo é como uma orquestra bem afinada e Schäuble é o maestro. Tudo segue a sua pauta”. Para Varoufakis, apenas o ministro francês sai do tom, mas de forma “muito subtil”, parecendo que não se está a opor ao homólogo alemão. Mas no fim, quando o Dr. Schäuble responde a definir a linha oficial, o ministro das Finanças francês acaba sempre por aceitar”, explica.
Varoufakis explica também o episódio da sua “expulsão” da reunião do Eurogrupo em junho. Quando chamou a atenção de Dijsselbloem que as declarações do Eurogrupo têm de ser aprovadas por unanimidade e que ele não pode convocar uma reunião excluindo um dos membros, “ele disse: Tenho a certeza de que posso. Então pedi um parecer legal. Isso criou alguma confusão. A reunião parou cinco ou dez minutos, os funcionários falavam uns com os outros ao telefone e acabou por chegar um responsável dos assuntos legais ao pé de mim a dizer-me isto: Bom, o Eurogrupo não tem existência legal, não há nenhum tratado que tenha previsto este grupo”.

“Eurogrupo toma decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém”

“Afinal o que temos é um grupo inexistente que tem o maior poder para determinar as vidas dos europeus. Não presta contas a ninguém, dado que não existe na lei; não há minutas das reuniões; e é confidencial. Por isso nenhum cidadão sabe o que lá é dito… São decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém”, prossegue Varoufakis.
Quando falava nas reuniões, com argumentos económicos preparados, “as pessoas ficavam a olhar para mim, como se não tivesse falado (…) Bem podia estar ali a cantar o hino da Suécia que ia receber a mesma resposta (…) Nem sequer havia mal-estar, era como se ninguém tivesse dito nada”, revela Varoufakis.
O que mais impressionou Varoufakis nas reuniões a que assistiu foi a “completa ausência de qualquer escrúpulo democrático por parte dos supostos defensores da democracia”. O ex-ministro dá um exemplo: “Ter várias figuras muito poderosas a olharem-me nos olhos e dizerem ‘Você até tem razão no que está a dizer, mas vamos esmagar-vos à mesma’”.

Proposta de emitir moeda paralela, tomar posse do banco central e cortar dívida ao BCE foi a derrota que o levou a sair do governo

Varoufakis fala também pela primeira vez da derrota política que o levou a sair do governo. Segundo a versão do ex-ministro, propôs ao governo um plano com três ações caso o BCE obrigasse ao encerramento dos bancos: a emissão (ou o anúncio) de uma moeda paralela (uma promessa de dívida conhecida como IOU), o corte na dívida detida pelo BCE desde 2012 e tomar o controlo do Banco da Grécia. “Perdi por seis contra dois”, diz Varoufakis, que voltou a insistir no plano na noite da vitória do OXI.
Mas o governo tinha outros planos, segundo Varoufakis, que levaria a “mais concessões ao outro lado: a reunião dos líderes partidários, com o nosso primeiro-ministro a aceitar a premissa de que o que quer que aconteça, o que quer que o outro lado faça, nunca vamos responder de forma desafiante. E basicamente isso significa desistir… deixa-se de negociar”.
InfoGrécia 

4 comentários:

  1. FMI defende carência de 30 anos para a dívida da Grécia

    Estudo do Fundo Monetário Internacional fala numa “deterioração dramática da sustentabilidade da dívida grega”.

    O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende para a Grécia um período de carência de 30 anos de todas as dívidas europeias.
    Num estudo secreto revelado esta terça-feira pela agência Reuters, a instituição liderada por Christine Lagarde fala numa "deterioração dramática da sustentabilidade da dívida grega".

    Os peritos do FMI admitem que a Grécia vai precisar de uma reestruturação da dívida muito superior ao equacionado pelos parceiros da zona euro.

    O documento considera que seria necessário conceder a Atenas um período de carência de 30 anos de todas as suas dívidas europeias, para além de um alargamento muito significativo dos prazos de pagamento.

    O estudo indica que a dívida da Grécia pode passar dos actuais 180% para os 200% do Produto Interno Bruto (PIB), em apenas dois anos.

    O relatório do FMI de sustentabilidade da dívida grega é conhecido na véspera de o Parlamento de Atenas votar as medidas acordadas na reunião do fim-de-semana do Eurogrupo.

    O ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, entregou no Parlamento de Atenas o pacote legislativo que vai ser submetido na quarta-feira aos deputados.

    RR

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  2. Tudo isto é verdade, talvez por defeito. As dívidas soberanas, muitas ilegítimas, são impagáveis e por isso, incobráveis. A volúpia dos vampiros não lhes permite ver a realidade. A persistir vamos andar num finge que paga. Será por longos anos um stop and go. Uma permanente situação de sobressalto. A qualquer momento um tsunami.
    A saída da Grécia abre caminho para a saída de outros, sendo Portugal o próximo alvo. Será mais fácil e barato acabar por comprarem o que resta deste país por cascas de alho, como iniciou o sr. Coelho, o comissário liquidatário, traidor da pátria.

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  3. Eu não acredito, numa só palavra que este figurão diga!

    " Você até tem razão, mas vamos esmagar-vos à mesma"
    Esta frase que ele deitou por aquela boca fora, é do género de muitas outras que são de sua autoria!
    Com este género de "boca", que ele mandou cá para fora..., foi a maneira de ele querer virar as costas, mas..., querendo mostrar a quem acredite, que ele é que tem razão! E...,ao mesmo tempo, deitar a culpa aos negociadores. Típico de gente como Varoufakis e Sócrates.
    Quem quiser que acredite; eu não.
    Espero, que com o tempo..., o povo grego se aperceba bem, a que tipo de pessoas entregaram o país.
    Se os anteriores eram maus..., estes ainda conseguem ser piores.

    Ainda hoje, Alex Tsipras vai ao parlamento grego tentar aprovar o acordo feito.
    Agora eu pergunto: como quer Alex Tsipras fazer aprovar um acordo, que ele anda desde o dia que o consegui, dizendo que não acredita nele...!!??
    Com este tipo de gente, não há país que se aguente. Podem dar mais e mais dinheiro..., a Grécia dificilmente sairá do abismo, e com este tipo de governantes, então..., muito menos!

    Hercília Oliveira

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  4. E' muito facil encobrir a cobardia dos nossos actos, condenando os outros, por tentarem melhorar o que esta' mal para o seu povo. Nao sera' interessante cada reformado Alemao ter uma ilha Grega em seu nome, para passar o resto dos seus dias, ao sol? Em poucos anos, os gregos pobres, ja' terao morrido de fome e o mais chocante, ja' passou!
    Entretanto, no nosso triste territorio, AJJ continua a somar, na lista de desbunda e favorecimentos do seu Reinado e PPC, a encobrir. O filho daquele ser execravel ser, ainda continua com o tacho, criado pelo pai. Nao ha' aqui motivos para o mandar para a cela 45? Santa inconsistencia de criterios, de algumas desalmadas pessoas...

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