08/07/2015

Grécia: mais uma lição histórica



Mário Russo
As pressões ilegítimas que se exerceram durante a semana pela UE e os seus sinistros líderes, incluindo o inenarrável Passos Coelho moralista e justicialista, com o fantasma do medo e pânico do fim do mundo, faziam vaticinar a derrota do Syriza e o claudicar do povo diante da máquina trituradora aliada à finança internacional. Seria assim, seguramente em Portugal. Porém, não na Grécia, cujo povo, posto diante da espada e da parede, preferiu a espada. Uma vez mais a Grécia, a quem o Mundo ocidental que glosamos de civilizado, tudo deve, deu uma lição, como só os sábios podem dar.
O povo Grego mostrou porque não é igual ao português, e nisso o PM de Portugal tinha razão quando dizia que Portugal (e os portugueses) não eram a Grécia (e os gregos). Arrojado e destemido, preferiu a espada que esvair-se em sangue pela eternidade. O mundo não acabou e as coisas não vão ser fáceis para os gregos, é certo, como não vão ser para os portugueses. Provavelmente os gregos, com a sua luta, podem ter evitado que Portugal seja a próxima vítima dos vampiros.  Portugal depende mais da Grécia do que julga a maioria, incluindo PPC.
A UE não gosta do Syriza, mas foi a sua intransigência, insensibilidade, incultura, ganância e cinismo que o criaram.  Se não queriam que um partido de contestação chegasse ao poder, deveriam ter evitado e estudado mais a história e as razões do descalabro das contas na Grécia e os verdadeiros culpados. Onde estavam as instituições punidoras que agora apareceram a condenar à forca o povo grego e português, quando os bancos jorravam dinheiro aos amigos da Nova Democracia e ao Pasok? Para comprar submarinos, BMW, jatos particulares, iates milionários, à Alemanha.
Agora queriam que um partido de contestação arrumasse a casa por decreto em 3 meses?
Mas honra se lhes faça, porque rapidamente o partido de contestação arregaçou as mangas e fez as contas. A dívida é impagável como pretendem os algozes. De facto, se não houver um perdão, e não apenas à Grécia, mas também a Portugal e à maioria dos países da Europa, a economia que é o motor do desenvolvimento, não arrancará. A Alemanha esqueceu-se rapidamente da solidariedade que teve, pese embora as culpas próprias na destruição da Europa com a loucura de Hitler. Agora anda de chicote.
Tsipras surpreendeu tudo e todos, e o seu Ministro Yanis Varoufakis revelou-se um brilhante interprete prático da teoria dos jogos, mas um patriota. Constatou que saindo, abria caminho a que o Syriza consiga o que quer, ficando os ressabiados justicialistas contentes com a sua cabeça. Até porque um ministro desassombrado, inteligente e culto, diante de uma plateia de incultos e boçais, causava desconforto.
A Grécia deu uma lição à Europa e, sobretudo a Portugal, ou ao Portugal interpretado por Passos Coelho e Portas, mentirosos compulsivos. É facto que a Grécia tem pela frente os 12 trabalhos de Hércules, mas vai fazer o seu caminho e não o que os outros lhes quiseram impor. Tsipras pode perder, mas já ganhou o respeito do seu povo, pois lutou como um soldado por eles, ao contrário do nosso Governo que claudicou e nem uma palha mexeu para contrariar a fúria dos burocratas de Bruxelas e da esgazeada Lagarde que vomita ódio contra a plebe. 
Honestamente alguém pode afirmar que o sim é que valia à Grécia? O sim já se sabia o resultado, seria adotada a receita de maior emagrecimento e depauperamento perpétuo do povo do país. Miséria sem fim à vista e garantida. Deixo o desafio a quem me queira dar um exemplo de sucesso da estratégia da austeridade imposta pelo FMI (Federação de Malfeitores Incorrigíveis). A solução está no crescimento económico, sem o qual não há empréstimo que se possa pagar. A Europa, se exibir um pingo de juízo, fará uma reflexão global e extrairá ilações. Os próximos dias nos dirão que caminho trilhará e se aproveita a oportunidade que o destino lhe concedeu de corrigir o clamoroso erro que é o de “expulsar” a Grécia do Euro (pela asfixia) e abrir a caixa de Pandora.

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