11/07/2015

Eleições presidenciais



Miguel Mota 
Não estão longe as próximas eleições presidenciais e já há algumas pessoas que declararam vir a ser candidatos. Só o serão depois de entregarem  a respectiva candidatura, com os necessários apoiantes.
Ao contrário da opinião da quase totalidade dos portugueses, eu considero estas eleições as únicas democráticas em Portugal. Candidata-se quem o deseja – com um certo número de apoiantes, para não haver um grande número de candidatos em quem quase ninguém votaria – e os partidos políticos limitam-se a apoiar o candidato que entenderem.
(Os partidos têm toda a razão de existir, como associações de cidadãos como mesmo credo político mas, na minha opinião, nunca como órgãos de poder e muito menos como órgãos de poder ditatorial, como são neste país. Tão ditatorial que são eles que dizem aos eleitores em quem é que eles têm licença de votar, e em listas com ordem fixa, para garantir que são eleitos os que os ditadores decidiram que devem ser eleitos. Em democracia, órgãos de poder são apenas os que são eleitos em eleições livres ou deles derivados.)

Para a eleição do Presidente da República os cidadãos tem toda a liberdade para escolherem quem desejam eleger. Os que se queixam do Presidente em exercício, só se podem lamentar de não terem sido capazes de eleger um melhor.
Diz-se que sem o apoio de um grande partido não é possível um candidato ser eleito. Creio que se pode dizer que não é exacto. O número de filiados nos partidos é pequeno, no total de eleitores. Mesmo os filiados num partido, se não concordarem com o candidato que a direcção do partido decidiu apoiar, por considerarem haver um melhor, nada os impede de votarem nesse. A grande maioria dos portugueses não está para maçadas... E depois, queixam-se!
Há pessoas que podem ser candidatos mas que não o fazem por não terem a certeza de haver suficiente número de votantes no seu nome.

Para as próximas eleições será necessário começar já. Se alguém está interessado em eleger o/a senhor/a X, deve, depois de o/a consultar e ter a sua aprovação, iniciar imediatamente a campanha de “O/A senhor/a X a Presidente!”.
Também se diz que uma campanha custa imenso dinheiro. Não necessariamente. Com as facilidades de comunicação que hoje há, telefone, SMS, Internet e autocolantes na lapela ou nos automóveis, cidadãos conscientes e interessados contactam amigos e conhecidos que desejam eleger o/a “Senhor/a X”. Se os contactados fizerem o mesmo, numa reacção em cadeia, em breve reúnem um número avultado de apoiantes.
Bem gostaria que o mesmo processo existisse para a eleição dos deputados para a Assembleia da República. Por essa razão, na Proposta de Alterações à Constituição, que publiquei em 2002 numa revista universitária, incluí a alteração dos artigos 149 e 151, que nos daria a liberdade de escolha que temos para eleger o Presidente da República e ter, finalmente, democracia em Portugal.


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