17/06/2015

Caminham na desgraça, na solidão…



Carla Ribeiro









Caminham pelas ruas da cidade.
Solitários, tantas vezes sem rumo.
Rostos conhecidos,
Rostos desconhecidos.
Olhares triste,
Olhares sem brilho.
Guardam no peito tantas historias para contar.
Alegrias de outrora,
Amarguras, lágrimas sufocadas,
Lágrimas derramadas…
Caminham pelas ruas da cidade
Irrompem na solidão.
Observam, as putas, os chulos,
Os travestis, os prostitutos.
Mas continuam a caminhar na sua solidão.
Hoje veio juntar-se a nós.
Com receio, com vergonha.
Oferecemos um café.
Neste rosto um novo brilho,
Sorrisos, olhos que se rascam de tanto brilho.
Por alguns momentos
Despiu a sua solidão
Aceitou o café, partilhou algumas palavras
Sorrisos, gargalhadas até.
Um rosto ainda sem marcas da rua,
Mas com a amargura da sua Vida,
Que a carrega bem dentro de si.
Ainda com medo, com receio, com vergonha,
E carregado de solidão.
Na bolsinha vai guardando,
O que de físico temos para lhe dar.
No coração, guarda a alegria.
Com ela espero que consiga esbater tanta da sua solidão.
Simples, barbeado, até mesmo perfumado,
Agradece e parte.
O seu olhar volta a estar no chão,
Volta a olhar as pessoas que num frémito não param de passar,
Parece recordar a sua vida de outrora em cada um destes caminhares.
Caminham na solidão,
Trazem neles o medo,
A desilusão,
A dor,
A vergonha.
Levam agora algum amor,
Sorrisos, alegrias,
Partilhas de vida.
Que por momentos quebram toda a solidão.

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