24/04/2016

25 de ABRIL



Vivi o 25 de Abril, ainda era muito novo, tinha 16 anos. Nunca andei metido em política, este meu interesse apegou-se-me, muito mais tarde.
Repudio qualquer forma de ditadura e nunca negociarei a minha liberdade. Se vivesse numa ditadura com toda a certeza teria problemas com o poder vigente. Teria que emigrar ou procurava ajudar a derrubar esse poder tirano.
Como dizia Winston Churchill: " A democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras que foram experimentadas".
O que tem acontecido depois de 42 anos de democracia é mau demais para ser verdade. Dizer que a democracia está em crise não é novidade, há muito que se diz que a democracia está doente. Todavia a democracia sempre demonstrou a sua força e capacidade de adaptação, a democracia já sofreu enormes transformações. A democracia nunca foi um assunto exclusivo de eleições, leis e procedimentos, precisa de confiança e legitimação. As democracias europeias basearam-se na liberdade de expressão, equilíbrio entre poderes e de controlos institucionais. A nossa democracia não fugiu à regra. Para a maioria de nós, democracia era sinónimo de modernização, crescimento económico e realização pessoal. 
Porém actualmente nada disto se passa. O controlo sobre as pessoas é cada vez maior, o equilibro de poderes é uma balela. Há a força dos poderes financeiros e os controlos institucionais falham. As desigualdades sociais, geracionais e entre grupos sociais crescem sem parar. Há problemas relacionados com a democracia, com a sua vitalidade, com a sua capacidade para satisfazer as necessidades dos cidadãos, com o medo, com a corrupção. A democracia, que queremos que seja, não é esta, e muito menos como vai ser
Não se pode meter a mão no que é de todos. É preciso ter uma guia para educar a sociedade. A corrupção não tem que ver com a instrução mas com a moralidade.
Há que educar a sociedade, em que o que é público é sagrado. Que não se pode meter a mão no que é de todos. O problema que temos é que alguém pense que o dinheiro de todos não é de ninguém.
Esta sociedade é injusta e deve ter a segurança que a justiça funcione como parte do sistema.
O delito é a principal violação do direito dos demais quando é contra as Finanças Públicas é contra o dinheiro de todos.
A democracia tem que fazer valer que qualquer cidadão tenha uma vida livre, autónoma e essencialmente digna. O pior delito é o que toca a dignidade.
Como dizia Sá Carneiro, “os portugueses têm o direito de saber, naturalmente, para onde vamos e quando chegaremos". E não me canso de dizer que é preciso criar um ministério de Entendimento. Os políticos têm que se entender e terem um compromisso nacional. Há uma aridez e virulência no conflito ideológico muito grande. A dificuldade dos portugueses se entenderem e fazer acordos é gritante. Há uma tendência para a deslegitimação do outro que é surpreendente. Todavia, a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa tem esbatido essa tendência, o que é de louvar. 
A política, nos momentos difíceis, deve reunir as pessoas competentes para tomar decisões em comum. Estamos a viver um momento muito difícil: crise de regime, crise económica e crise de valores. E estou de acordo com o que dizia Martin Luther King, «o que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons".
Se não nos pusermos de acordo para mudar esta democracia e fizermos o favor de nos incomodarmos com este estado de coisas, a democracia vai sucumbir.

JJ

5 comentários:

  1. Reparo: A frase "o que me preocupa não e o grito dos maus. é o silêncio dos bons" parece-me que foi dita por outro Martin, o Luther King !
    No que refere a Lula da Silva, este foi tomado pelo fascínio do Poder e está confundindo as pessoas competentes, com "pessoas de confiança", ligadas unicamente a militância partidária.

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  2. Obrigado. A dia frase é atribuída a Martin Luther King mas em muitos escritos vem como Martin Heidegger.

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  3. O' J, ate' dava jeito uma ditadura! Imagina termos que sair de casa para votar! Que macada! E o ter que vir para aqui comentar sobre os politicos, a corrupcao, o desemprego, a falta de oportunidades, ma' Justica, a pedofila, a violencia domestica, a submissao aos poderes economicos Europeus e Mundiais!
    A democracia obriga-nos a cada coisa! Nao era melhor uma so' pessoa olhar por isso tudo, enquanro nos vegetamos?

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  4. Alguns comentários no FB

    Alipio Martins Feiteira Feiteira Olá Dr, Jorge estou de acordo com o que diz aqui na sua publicação. Um abraço, Alípio
    14 h · Não gosto · 2

    Duarte Moura Sardinha Agora não vivemos em ditadura. O mome é mais pomposo. Vivemos numa ditadura democratica. E lá vamos, cantando e rindo, levados, levados sim por governos de corrupção.
    13 h · Não gosto · 3

    Isabel Coutinho é-me inconcebível viver sem liberdade. Viver nesta democracia também, quem ainda pode emigra, quem fica tem que ajudar a derrubar este sistema de escravidão sem correntes. "A politica é um dever de cidadania" -Francisco Sá Carneiro
    9 h · Não gosto · 3

    Fernanda Drummond A educação e respeito fazem parte do ser-se democrático . Nós vivemos quase numa anarquia onde todos puxam para cada lado. Eu sempre fui livre, o que está dentro do meu pensamento é livre, não reconheço é uma sociedade onde não haja regras, onde os outros julguem que podem ocupar o meu lugar como cidadã, a nossa liberdade acaba quando a do outro começa e isso dá-nos só uma pequena margem.
    8 h · Não gosto · 2

    Augusto Alves Guimaraes Desde pequeno que meus pais me ensinaram a respeitar os mais velhos a dizer obrigado e a todos os lugares que chegasse dizer bom dia nos dias de hoje a politica é o oposto à educação que me foi dada não se respeita ninguém não se diz obrigado rou...Ver mais
    7 h · Não gosto · 2

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  5. Caro Dr. depois de ler o texto que escreveu e que está excelentemente elaborado, porque retrata com fidelidade, acima de tudo, que o homem é uma arma mortífera quando fareja dinheiro, e não só...
    Fala-se de pensamentos, acho que cheguei a um, e que diz o seguinte: todo aquele que pensa que o homem é o futuro, terá tudo menos futuro.
    Inocêncio Matos

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