09/03/2015

Crónica de Genebra



Nelson Magalhães Fernandes

Hoje Fui Votar

O exercício do Voto, ou seja a essência mesmo da Democracia, está condicionado a parâmetros de interesses geoestratégicos que o simples comum dos mortais está longe de imaginar.
Dizia eu, que fui Votar (aqui na Suíça), pela construção, ou não, de uma piscina Municipal. Como havia divergência entre os habitantes desta Vila pela construção ou não da dita, visto que se fosse construída, o Município ia aumentar os impostos aos residentes, decidiram os Políticos locais de fazer um Referendo e tirar as coisas a limpo. Os opositores à Piscina Ganharam. Aumento de Impostos é coisa que ninguém quer.
Aproveito para dizer que os Impostos que os Cidadãos, residentes na Suíça pagam, é o Município de residência que os recebe e gere. Só uma pequena parte vai para o Governo Federal.
« Imaginem p.ex. que era assim em Portugal e que os Impostos pagos p.ex. pelos habitantes de Vila Nova de Gaia serviriam para ser aplicados lá na Vila, em vez de serem … mamados … por Lisboa … !
Mas cada um colhe o fruto da semente que deita à terra. E nós Portugueses quanto a sementeira, tenho dito. Somos fracos. E então no que diz respeito a exercício da Democracia somos deploráveis. Só nos queixamos quando nos dói qualquer coisa. Só nos lembramos de "S. Bárbara quando troveja". Somos adeptos do tratamento em vez da prevenção. Sem falar dessa « Diarreia de Leis » como lhe chamava um dos meus Professores na Faculdade de Lisboa. 

Refiro-me a essa espécie de bestialidade de Lei de exigir que os comerciantes emitam um ticket, por cada venda. É então, assim que se controla a fuga aos Impostos. Em que Universidade é que se formou o autor de tal ideia… !
Portugal dispõe do melhor sistema de controle e cobrança de Impostos que é o IVA. E qualquer Governo de qualquer País que tenha ministros das Finanças que saiba ler encontra no Anagrama a solução para encaixar os Impostos devidos e até se pode dar ao luxo de baixar a sua percentagem o que vai fazer muitos felizes e vontade de não fugir, ou fugir menos.
Vamos lá então : IVA : I = Imposto. V = Valor. A = Acrescentado.
Sendo assim o controle a fazer-se é na origem e não no fim. É o nosso mal entre outros. Depois queixamos-nos dos nossos Políticos. Pobres Políticos cuja única sabedoria governativa, não têm sido outra que, « indrominar » os pobres incultos compatriotas, para votarem neles.
Leio aqui, muita amargura (e eu mesmo) do Sr. Sócrates,(eleito duas vezes) do Sr. Coelho e doutros. Mas afinal, nenhum deles tomou o Governo da Nação pela força …! que eu saiba não esta nenhum Deputado assente na Assembleia que não tenha sido eleito por nós outros. Sabem os meus Caros Leitores com quantos votos o nosso Presidente Sr. Prof. Cavaco Silva foi eleito nas ultimas Eleições (Sufrágio Universal) …?  1.750.000 Votos. 

Sendo nós dez milhões (dentro do jardim) e admitindo dois milhões de menores, aonde passaram os outros seis milhões ?? Eu sei, são aqueles que agora se queixam que o Presidente é nulo. Até já nem falo nos Portugueses que deixaram de contar, porque emigraram.
E depois convém, não fazer muita afronta à Grécia. A Democracia manda respeitar as escolhas dos cidadãos e se mais não fosse ; » Um Homem manda tanto em sua casa, que mesmo depois de morto, são precisos quatro, para dela retira-lo ». Além de que estamos entre outros, a viver sob Regimes Políticos inventados pelos Gregos. Nós portugueses temos aquilo por que lutamos : A Res Publica. A Democracia. O Rei matámo-lo. Depois la conseguimos ir a Espanha matar o Humberto Delgado. A nossa bravura resume-se a eliminar quem quer que seja que nos faça sombra. Dentro e fora de portas.
Contudo, a solução existe. É uma formação escolar inteligente e enriquecedora. Até lá, Portugueses façam um « Mea-Culpa ». A solução reside em cada um de nós e a cada momento.
Quem viver daqui por cem anos continuará a falar dum D. Afonso Henriques dum Marquês de Pombal. Quem sabe hoje o nome de um, apenas um Presidente da Republica entre 1910 e 1930 ??. Estes políticos da actualidade serão condenados à mesma pena do (Esquecimento, da Indiferença).

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