04/12/2014

4 DE DEZEMBRO. A MEMÓRIA DE UMA DATA QUE MARCOU




Daqui a pouco será o dia 4 de dezembro, uma data igual a tantas outras não fosse uma data marcante há 34 anos atrás. Encontrava-me eu e amigos, na altura simpatizantes e militantes do PPD, no Coliseu do Porto à espera de Francisco Sá Carneiro para um último comício de apoio à candidatura do General Soares Carneiro à Presidência da República. Um ambiente de festa ,de entusiasmo e alegria (num tempo em que a política albergava personalidades com outro gabarito como Sá Carneiro, Henrique de Barros, Álvaro Cunhal, Octávio Pato, Salgado Zenha, Lucas Pires, Amaro da Costa,Vasco da Gama Fernandes, Mário Soares - o antigo, não este -,etc,etc...), Lá dentro respirava-se uma confiança tremenda, uma vontade de estar com o líder do Partido, exprimir-lhe a nossa redobrada confiança por um tempo ainda melhor. De repente a notícia brutal, chocante, arrepiante mesmo! O avião cessna que transportava o Primeiro Ministro e o Ministro da Defesa tinha caído!Não haveria sobreviventes! Um silêncio sepulcral que rapidamente se transformou num histerismo coletivo, num misto de berros alucinantes, gritos de desespero, choros descontrolados. E a notícia correu célere, mesmo sem se saberem pormenores: Mataram Sá Carneiro! Mataram Sá Carneiro! Houve um atentado a Sá Carneiro! Depois das certezas de que já não haveria comício e que o Primeiro Ministro tinha mesmo morrido, instalou-se o pânico à saída, o histerismo e o descontrole apoderaram-se das pessoas, que mais pareciam zombies, ávidas de notícias e pormenores, não acreditando ainda no que tinha acontecido. A rua que desce do Coliseu até à Praça D. João I estava apinhada de gente sem rumo, completamente desorientada e num descontrole que metia dó. Estávamos a 4 de dezembro de 1980. Um dia que ficará para sempre nas memórias coletivas da Social Democracia e dos admiradores de Sá Carneiro. Portugal nunca mais seria o mesmo. Com Sá Carneiro, quem sabe, o rumo poderia ter sido outro. Fica a dúvida e a saudade. Saudade de um tempo e de um homem que aprendi a respeitar e a admirar, pelas suas ideias e convicções. Foi acidente? Foi atentado? Para o caso pouco interessa, apenas fica para memória futura a homenagem a um homem, combatente da liberdade e da democracia e que sempre lutou por um Portugal melhor e mais solidário. 

Obrigado FRANCISCO SÁ CARNEIRO.

1 comentário:

  1. Olá Daniel,

    Parabéns pela crónica viva desse momento histórico em Portugal. Uma síntese de grande qualidade e sensibilidade.

    Abraço

    Mário Russo

    ResponderEliminar