22/08/2014

Associações de agricultores



Miguel Mota
No mesmo número da revista “Empresas & Negócios” de que comentei a notícia sobre o melhoramento genético do arroz (LE de 31-7-2014), é referida uma entrevista com a ministra Assunção Cristas, que exortou os jovens a agregarem-se em associações ou cooperativas de agricultores. É realmente importante esse conselho e há dezenas de anos que escrevo que a única forma de os agricultores, individualmente, deixarem de ser explorados pelos comerciantes é a associação em cooperativas, para terem dimensão, já que a maior parte da produção agrícola vem de pequenos ou médios empresários.
Mais de uma vez citei o caso do Cachão, a cooperativa agrícola do Nordeste Transmontano. Uma cooperativa daquela dimensão exige um gestor de grande capacidade, algo muito escasso em Portugal. Mas já não será tão difícil, pelo menos para iniciar, fazer uma cooperativa de menores dimensões.
Não cabe ao Ministério da Agricultura organizar essas cooperativas. Mas é tarefa dum serviço de extensão rural – que o ministério devia ter – sugerir e ensinar como se organizam e como devem funcionar, pois nem sempre da parte dos agricultores há a iniciativa e os conhecimentos necessários para que elas se concretizem. Algumas das actuais podem servir de modelo e se, em outras, há deficiências de funcionamento, há que chamar a atenção e sugerir as modificações necessárias para maior eficiência. Não deve ser esquecida a produção de publicações e vídeos sobre o tema, para serem distribuídas em larga escala, algo que o ministério em tempos fez bastante bem.
Há poucos dias vimos na televisão a notícia dos protestos de produtores de batata, que não conseguiam escoar os seus produtos. Não sabiam a solução para o seu problema. Ela certamente não nasce desses protestos.


1 comentário:

  1. Boas Miguel Mota,

    Estou sempre atenta aos seus textos e fico actualizada com o tema, para mim de muita importância.

    Obrigada
    Isabel Coutinho

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