25/09/2013

Crónica de Liverpool

Pedro Almeida ( Liverpool)
Viver acima das possibilidades

É comum o português viver acima das possibilidades: vive num quarto com a família toda e tem um carrão à porta estacionado. Pede empréstimo ao Banco, para ir de férias.
Tudo, para manter o aparato de uma riqueza que não possui.
Ou então, para enganar a miséria?
Se mais tarde não tiver meios para pagar, o credor só tem que reclamar os valores em dívida, ou as garantias apresentadas. Neste caso, cabe ao Banco, ou empresa de crédito, assegurar uma garantia, aquando do empréstimo.
No final, viver assim das aparências não prejudica ninguém. Só os próprios.
Não gostamos desta mentalidade? Não temos que nos identificar com ela.
Podemos ignorar pessoas com esta filosofia de vida, se nos repugna tanto. E tentarmos defender melhores valores.
No outro lado da balança, há situações bem mais imorais e danificadoras para a sociedade portuguesa:
Aqueles que querem mais do que podem e devem e, lidando com dinheiros públicos, enriquecem e ajudam a enriquecer os que os rodeiam, que, em contrapartida, os ajudam a praticar as suas actividades ilícitas.
Essas actividades de esgoto não pagam impostos e o país fica mais pobre.Eles negoceiam contratos duvidosos com companhias privadas, onde mais tarde se vão empregar.
Eles fazem contratos PPP`s, com todas as vantagens para o privado e todos os encargos para o Estado.
Eles não cobram os impostos às grandes empresas.
Eles começam um mandato com 1 casa e no final do(s) mandato(s), têm 5 ou 10 casas, no seu portefólio.
Tanto, que nem podem abraçar.
Citando, esse sim um grande Homem- Steve Jobs:“Ser o homem mais rico do cemitério não significa nada para mim...Ir para a cama à noite dizendo que fiz algo maravilhoso...Isso sim é que importa”