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| Miguel Mota |
A apicultura, a criação de
abelhas, em colmeias, para produção de mel e cera, tem algum desenvolvimento em
Portugal, mas podia e devia ter bastante mais. A flora de Portugal tem muitas
plantas que são boas melíferas. Além da produção directa que dão ao apicultor,
as abelhas têm um papel importantíssimo na polinização, não só de árvores de
fruto, mas de várias outras espécies. Se as abelhas desaparecessem, muitas produções agrícolas ficariam reduzidas a
quase nada.
Conhecidos estes factos, há que
ter o máximo cuidado em proteger dos seus muitos inimigos esse insecto
precioso, cujo nome científico é Apis mellifera
L. nome que, como se indica com o “L.”, lhe foi dado pelo naturalista sueco
Carlos Lineu, em 1758. Um dos inimigos é o homem. Nunca se devem usar
insecticidas perto da época de floração de várias espécies. Alguns dos modernos
insecticidas, como os nicotinoides, são particularmente perigosos para as
abelhas. Há anos apareceu em vários países, entre eles Portugal, um outro
inimigo, a varroa. É um ácaro (um pequeno aracnídeo, como o da sarna) que
dizimou muitas colmeias.
Os Estados Unidos estão muito
preocupados com os problemas, alguns mal conhecidos, que têm feito morrer
muitas colmeias. A revista americana TIME dedicou às abelhas um extenso artigo
(8 páginas), em que relata, entre outros temas, o caso dos produtores de
amêndoa da Califórnia (a maior exportação agrícola desse estado), que estão em
risco de ver essa produção desaparecer ou diminuir drasticamente pois, sem
abelhas a polinizar, os frutos não vingam.
Lembro-me do nosso Algarve, em
tempos famoso pelas suas amendoeiras, que até eram motivo de excursões em
Fevereiro, para ver o espectáculo maravilhoso dessas árvores em flor. Graças
aos péssimos governos que andaram décadas a destruir a nossa agricultura (e com
ela a nossa economia), isso hoje não existe.
O Ministério da Agricultura tinha
o Posto Central de Fomento Apícola que, além de estudar a vida das abelhas e os
processos de melhor conduzir os colmeais, tinha pessoal que ia ensinar aos
apicultores as mais modernas técnicas. A Estação Agronómica Nacional tinha um
bom Departamento de Entomologia, que logo no início, na década de 1940, resolveu
um problema importante, debelando uma anormal praga de gafanhotos.
Hoje, também nada disso existe e
eu temo, pelo que não foi feito (e pelo que foi feito), em mais de dois anos,
que se mantenha em vigor a criminosa “lei” (não escrita mas religiosamente
seguida) que manda destruir toda a investigação científica pública que não seja
das universidades, uma das grandes causas do descalabro da nossa economia. E
não foi só a investigação agronómica e a agricultura que foram destruídas; ainda
há quem se lembre do que era o Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Se essa
famigerada “lei” está em vigor, o futuro de Portugal vai certamente continuar
negro.

