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| Mário Russo |
A situação de Relvas era insustentável em qualquer governo,
mas manteve-se olimpicamente a ser queimado em lume brando durante ano e meio,
sem que PPC se apercebesse que só prejudicava o seu próprio Governo, para não
falar na exponencial fragilização do Ministro. Claro que as cumplicidades de
longa data em negócios empresariais e uma dívida de gratidão política terão
pesado no PM para o manter no lugar, pois Relvas é quem abre caminho a Passos
Coelho à liderança do PSD e por consequência ao Governo. No entanto, PPC não
avaliou o descalabro que foi ter mantido um ministro que era unanimidade
nacional: ninguém o queria no Governo pelas razões que sobejamente se conhecem.
Com este gesto inevitável, apesar de muito tardio, Relvas dá mais uma vez a mão a PPC para que
ele faça mais que um retoque no Governo. Tem de refundar o Governo, começando
do Zero, com Paulo Portas por imperativos da coligação, mas sem mais nenhum
lugar dos restantes ministros garantido. Não pode manter Gaspar, responsável
pelo maior e mais profundo rombo na sociedade portuguesa, autista que pretende
manter a mesma política de austeridade. É um ministro que não tem nenhuma ideia
de como governar e que só sabe uma teoria, que é a que tem aplicado com os
resultado que se conhecem e já disse que não tem plano B, a propósito de um
eventual chumbo das normas duvidosas do OE, pelo TC (a esta hora não sei qual a
decisão deste Tribunal). Só por masoquismo se mantém alguém que falhou a 100%
em tudo.
Os comentaristas que ouvi defendem a permanência de Gaspar
com o argumento da credibilidade “lá fora”, que acho uma verdadeira piada. Um
fracassado interno que é adorado por um sinistro alemão que é ministro,
ressabiado com a vida e que goza com o holocausto dos outros povos, a
permanecer será apenas para agravar mais a situação de desespero do país a um
passo da explosão social. Um país que clama por competência e coragem para
fazer as reformas necessárias, com a seletividade que a inteligência recomenda,
não pode ter um Gaspar.
O governo pequeno de PPC só fez jus ao seu fracasso, pelo
que é erro a não ser cometido. É uma oportunidade de mudar pessoas e políticas,
dando mãos à palmatória, que só dignifica as pessoas inteligentes que mudam ao
reconhecer o erro. O contrário toda a gente sabe o que é.
A alternativa é a própria demissão de Coelho, reconhecendo
que não estava preparado para governar um barco destes. Com efeito, PPC não tem
experiência nem competência para nos governar, porque Portugal não é uma
organização Jotinha. A culpa não foi dele, mas de todos os que permitiram que
fosse eleito.
Mas se permanecer, do mal o menos, Passos Coelho se aprendeu
algo nestes quase dois anos (tem obrigação disso), deve aceitar a mão estendida
que Relvas lhe estendeu e já que gosta muito de refundação, que o faça no futuro
Governo da nação: comece de novo e do zero um Governo com a dimensão necessária,
senhor PM. Mão ligue aos amigos, porque serão os que lhe atraiçoarão.

