05/04/2013

Relvas dá chance a Passos Coelho

Mário Russo
Miguel Relvas despediu-se do Governo e abre uma janela de oportunidade a Passos Coelho de fazer uma refundação do seu Governo.

A situação de Relvas era insustentável em qualquer governo, mas manteve-se olimpicamente a ser queimado em lume brando durante ano e meio, sem que PPC se apercebesse que só prejudicava o seu próprio Governo, para não falar na exponencial fragilização do Ministro. Claro que as cumplicidades de longa data em negócios empresariais e uma dívida de gratidão política terão pesado no PM para o manter no lugar, pois Relvas é quem abre caminho a Passos Coelho à liderança do PSD e por consequência ao Governo. No entanto, PPC não avaliou o descalabro que foi ter mantido um ministro que era unanimidade nacional: ninguém o queria no Governo pelas razões que sobejamente se conhecem.

Com este gesto inevitável, apesar de muito tardio,  Relvas dá mais uma vez a mão a PPC para que ele faça mais que um retoque no Governo. Tem de refundar o Governo, começando do Zero, com Paulo Portas por imperativos da coligação, mas sem mais nenhum lugar dos restantes ministros garantido. Não pode manter Gaspar, responsável pelo maior e mais profundo rombo na sociedade portuguesa, autista que pretende manter a mesma política de austeridade. É um ministro que não tem nenhuma ideia de como governar e que só sabe uma teoria, que é a que tem aplicado com os resultado que se conhecem e já disse que não tem plano B, a propósito de um eventual chumbo das normas duvidosas do OE, pelo TC (a esta hora não sei qual a decisão deste Tribunal). Só por masoquismo se mantém alguém que falhou a 100% em tudo.

Os comentaristas que ouvi defendem a permanência de Gaspar com o argumento da credibilidade “lá fora”, que acho uma verdadeira piada. Um fracassado interno que é adorado por um sinistro alemão que é ministro, ressabiado com a vida e que goza com o holocausto dos outros povos, a permanecer será apenas para agravar mais a situação de desespero do país a um passo da explosão social. Um país que clama por competência e coragem para fazer as reformas necessárias, com a seletividade que a inteligência recomenda, não pode ter um Gaspar.

O governo pequeno de PPC só fez jus ao seu fracasso, pelo que é erro a não ser cometido. É uma oportunidade de mudar pessoas e políticas, dando mãos à palmatória, que só dignifica as pessoas inteligentes que mudam ao reconhecer o erro. O contrário toda a gente sabe o que é.

A alternativa é a própria demissão de Coelho, reconhecendo que não estava preparado para governar um barco destes. Com efeito, PPC não tem experiência nem competência para nos governar, porque Portugal não é uma organização Jotinha. A culpa não foi dele, mas de todos os que permitiram que fosse eleito.

Mas se permanecer, do mal o menos, Passos Coelho se aprendeu algo nestes quase dois anos (tem obrigação disso), deve aceitar a mão estendida que Relvas lhe estendeu e já que gosta muito de refundação, que o faça no futuro Governo da nação: comece de novo e do zero um Governo com a dimensão necessária, senhor PM. Mão ligue aos amigos, porque serão os que lhe atraiçoarão.