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| Antonio Jota |
Ruy Stievano
Dentro
do recinto enorme, fui recebido por uma funcionária eficiente, que me acomodou
numa saletinha. Procurei, no sofá aconchegante, o lugar mais próximo da enorme
pilha de revistas. Folheava-as enquanto esperava Ruy Stievano para uma
entrevista sobre Tiro Esportivo. Conheço-o há dez anos, mas apenas de ouvir
falar. E os boatos recorrentes dão conta de um sujeito difícil. ‘Ai meu Deus como é que eu vou abordar esse
homem’, pensava eu enquanto folheava as revistas.
De
repente, numa das revistas, a Veja, me aparece Michel Temer revelando-se poeta.
Poeta? Como é que eu não sabia disso?! Pois é... Poeta de versos apimentados! A
ele ninguém chama de imoral. Quanto a mim, coitado de mim, não posso nem abrir
o bico. Se divago por um corpinho definido, bronzeado, salgadinho pelas privilegiadas
maresias, o mundo simplesmente desaba sobre mim!
Então, depois de um tempinho, veio um funcionário e me conduziu a sala do chefe que, falando ao telefone, entendeu-me à mão enorme e pesada. Encaixei a minha na dele e pensei em quão importante seria a primeira impressão: apertar mais a mão, apertar menos, espalmar mais a minha dentro da dele...? Como fazer tudo da melhor forma? Fiz tudo direitinho, pesado e medido, conforme imaginei adequado à ocasião.
Ele
desligou o fone, atendeu rápido o celular, aplicou comandos no laptop, pediu
desculpas e nos apresentamos. Agradeci por receber-me entre suas tantas
tarefas, e fomos como que nos reconhecendo. Em pouco tempo, quem nos visse,
dir-nos-ia grandes amigos, tão rápido travamos camaradagem.
Fiquei
impressionado com o contraste entre o Ruy da boca do povo e o Ruy real, ao vivo
e a cores, ali na minha frente. Um homem expansivo, confiante e ar de quem
protege a si e aos seus. Franco, jamais reticente, gestos largos, tipicamente
de ascendência italiana e, como eu gosto de adjetivar os grandes homens: um
verdadeiro sangue azul! Pena que esse tipo de homem pouco se interesse pela
política.
Eu,
literato de formação, tentava encarnar o jornalista, indagando-o e
extasiando-me: “Um atirador de tiro esportivo, Jota, não é um puxador de
gatilho, é um atleta”.
Fustiguei-o
sobre outros temas, fugindo do Tiro Esportivo, já que o próprio Ruy não
permitiu gravação, alertando: “Primeiro vamos conversar; calma!” Pesca – e
sobre pesca? “Pesco no Mato Grosso, que é um lugar extraordinário. Construí a
Pousada Mucuripe no meio da selva amazônica’. Caça: ‘No Brasil é proibida; caço
no Uruguai’.
O
grande e agradável Ruy Stievano concedeu-me longa entrevista (daria para escrever
um livro), avisando: “Veja lá o que você vai escrever. Só estou fazendo
entrevista porque minha tia intercedeu e para divulgar o Tiro Esportivo”.
Obrigado Ruy e Odete Stievano pelo presentão que inaugura meu registo de
jornalista profissional (mtb 71.412). Estou bastante satisfeito.
Também
estou tentando descolar uma estadia na Pousada Mucuripe, quando terminar a
piracema. Lá tem tudo que o dinheiro pode comprara: campo de pouso, ar
condicionado, água tratada, aves e animais silvícolas, muita água, muito peixe
e diversão garantida; um verdadeiro paraíso no âmago do Brasil.

