13/01/2013

Crónica do Brasil

Antonio Jota 

Ruy Stievano

Dentro do recinto enorme, fui recebido por uma funcionária eficiente, que me acomodou numa saletinha. Procurei, no sofá aconchegante, o lugar mais próximo da enorme pilha de revistas. Folheava-as enquanto esperava Ruy Stievano para uma entrevista sobre Tiro Esportivo. Conheço-o há dez anos, mas apenas de ouvir falar. E os boatos recorrentes dão conta de um sujeito difícil.  ‘Ai meu Deus como é que eu vou abordar esse homem’, pensava eu enquanto folheava as revistas.
De repente, numa das revistas, a Veja, me aparece Michel Temer revelando-se poeta. Poeta? Como é que eu não sabia disso?! Pois é... Poeta de versos apimentados! A ele ninguém chama de imoral. Quanto a mim, coitado de mim, não posso nem abrir o bico. Se divago por um corpinho definido, bronzeado, salgadinho pelas privilegiadas maresias, o mundo simplesmente desaba sobre mim!

Então, depois de um tempinho, veio um funcionário e me conduziu a sala do chefe que, falando ao telefone, entendeu-me à mão enorme e pesada. Encaixei a minha na dele e pensei em quão importante seria a primeira impressão: apertar mais a mão, apertar menos, espalmar mais a minha dentro da dele...? Como fazer tudo da melhor forma? Fiz tudo direitinho, pesado e medido, conforme imaginei adequado à ocasião.
Ele desligou o fone, atendeu rápido o celular, aplicou comandos no laptop, pediu desculpas e nos apresentamos. Agradeci por receber-me entre suas tantas tarefas, e fomos como que nos reconhecendo. Em pouco tempo, quem nos visse, dir-nos-ia grandes amigos, tão rápido travamos camaradagem.

Fiquei impressionado com o contraste entre o Ruy da boca do povo e o Ruy real, ao vivo e a cores, ali na minha frente. Um homem expansivo, confiante e ar de quem protege a si e aos seus. Franco, jamais reticente, gestos largos, tipicamente de ascendência italiana e, como eu gosto de adjetivar os grandes homens: um verdadeiro sangue azul! Pena que esse tipo de homem pouco se interesse pela política.   
Eu, literato de formação, tentava encarnar o jornalista, indagando-o e extasiando-me: “Um atirador de tiro esportivo, Jota, não é um puxador de gatilho, é um atleta”.
Fustiguei-o sobre outros temas, fugindo do Tiro Esportivo, já que o próprio Ruy não permitiu gravação, alertando: “Primeiro vamos conversar; calma!” Pesca – e sobre pesca? “Pesco no Mato Grosso, que é um lugar extraordinário. Construí a Pousada Mucuripe no meio da selva amazônica’. Caça: ‘No Brasil é proibida; caço no Uruguai’.

O grande e agradável Ruy Stievano concedeu-me longa entrevista (daria para escrever um livro), avisando: “Veja lá o que você vai escrever. Só estou fazendo entrevista porque minha tia intercedeu e para divulgar o Tiro Esportivo”. Obrigado Ruy e Odete Stievano pelo presentão que inaugura meu registo de jornalista profissional (mtb 71.412). Estou bastante satisfeito.
Também estou tentando descolar uma estadia na Pousada Mucuripe, quando terminar a piracema. Lá tem tudo que o dinheiro pode comprara: campo de pouso, ar condicionado, água tratada, aves e animais silvícolas, muita água, muito peixe e diversão garantida; um verdadeiro paraíso no âmago do Brasil.