(“Jornal
de Oeiras” de 21-2-2006). Uma das tragédias de Portugal (são tantas!) é o seu miserável
PIB, que é urgente aumentar, principalmente por duas razões: uma é,naturalmente,
porque isso será a indicação de que aumentou a riqueza dos portugueses e, como
consequência, o seu poder de compra; mas também, como alguns dos índices nacionais
que tanto nos fazem a vida negra, como o défice orçamental e a dívida pública, são
expressos em percentagem do PIB, quanto mais este crescer, mais descem esses valores.
Também convém não esquecer que é importante que o PIB cresça principalmente nos
sectores que criam o que eu designo por riqueza de base, que são a agricultura,
a pesca e a indústria. O comércio e os serviços precisam que alguém lhe forneça
produtos ou dinheiro. O ordenado do pessoal do totobola e do euromilhões apenas
transfere dinheiro, sem qualquer criação de riqueza. Tanto quanto sei, o único ministério
deste governo que contribuiu para algum aumento do PIB foi o da Agricultura.
O
desemprego é outro dos graves problemas nacionais, pelo peso no orçamento do
estado, que é enorme. Já dei duas sugestões para ajudar a combater esse
gravíssimo problema e, na segunda, termino com a pergunta do que é que
sucederia à nossa economia e às nossas finanças se se fizesse o que propus
(Público de 10-5-2012).
Apesar
dessa sugestão não trazer qualquer encargo adicional ao orçamento e
apenas
lhe encontrando vantagens, entre elas aumentar o PIB, não consegui obter uma resposta,
o que motivou outro artigo (“Uma pergunta sem resposta”, Público de 15-9-2012).
No
Público de 11-1-2013, o Prof. José Miguel Pinto dos Santos apresenta
idêntica
sugestão: “Pode-se facilmente aumentar o PIB sem alterar em nada a realidade económica.
Como? Transformando, por exemplo, um desempregado em funcionário público,”. Foi
exactamente o que eu propus, com um ordenado que deve incluir, além do subsídio
de desemprego, o valor do que o estado gasta com os serviços respectivos.
Mas
o Prof. Pinto dos Santos acrescenta aquela frase “sem lhe dar nada de útil para
fazer” e desta parte discordo totalmente.
Eu
não quero o estado limitado a cobrar impostos e a dar negócios a privados.
Não
sou socialista nem comunista e, por essa razão, não quero o estado a fazer a agricultura,
nem as pescas, nem as indústrias, nem o comércio. Mas há muitas acções úteis -
algumas que eu sei que até são optimos investimentos, como tenho mostrado – que
entendo que o estado devia fazer e não faz. E uns centos de milhares de desempregados
poderiam executá-las, sem qualquer encargo adicional para as finanças do
estado, só vantagens.
Terei
de concluir que os governos que Portugal tem tido não são capazes ou não querem
desenvolver o país?

