A duração e a dureza
desta crise económica empurrou milhares de cidadãos para a rua por variadas
razões : desemprego , perda de direitos , etc. Mas a mais importante é que o
protesto é a única forma de se conseguir mudar este estado de
coisas.
Com o protesto de 15 de
Setembro parou-se a TSU e tem-se conseguido algumas conquistas em diversas
áreas. Os cidadãos mostram-se indignados e já vêm alimentando este clamor há
algum tempo de diversas formas. Este grito de revolta está a acontecer por
sectores: estivadores, médicos , professores , militares, etc.
Este estado de espírito
já vem do tempo do governo de José Sócrates , por cortes sistemáticos e falta de
expectativas . Este clamor tem uma novidade : é transversal e vê-se na rua
pessoas de todos os estratos sociais , ex-classe média e muitas pessoas que
votaram PP ou PSD.
No fundo é um cocktail
explosivo de gente de todas as classes , idades e profissões ,pois trata-se de
um movimento social difuso com um sentimento de indignação profundo pela
deterioração económica e social, que enfrenta um poder politico cada vez menos
representativo.
Por outro lado este
movimento social já percebeu e está a tomar consciência que para melhorar as
coisas já não chegam os partidos , sindicatos e instituições.
As pessoas não se sentem
representadas , este é o sentimento de desencanto da sociedade . Mas também
acham que para além de protestar é preciso apresentar soluções e dizer que há
alternativas que se podem pôr em prática para melhorar as coisas sem que seja
excessivamente pesado para a sociedade, assim como atenuar determinadas medidas
inevitáveis.
A manifestação de 15 de
Setembro mostrou que há uma necessidade imperiosa e urgente de mudar o sistema
político. As pessoas não se revêem nestes dirigentes partidários e querem
mudança, para quem os governa ou tem a responsabilidade dos destinos do país.
Foi um sinal e apontar um caminho , a sociedade está pior que há ano e meio e os
cortes vão chegando aos pilares intocáveis do Estado: as bases do estado social
, saúde, educação , pensões e desemprego.
Depois de cinco anos de
crise económica a situação é insustentável para cada vez mais gente . A
instituição família tem sido o sustentáculo de não haver maior descalabro ,
funciona como almofada , para ajudar os parentes numa entreajuda
exemplar.
Parte do ajuste para
reduzir o défice está realizado mas agora querem fazer uma purga no sector
público.
O descontentamento
grassa , fica-se com a sensação que o descontentamento é de toda a gente menos
do governo. Tem-se a firme certeza que a austeridade não é repartida por todos ,
uns poucos ganham cada vez mais , ao contrário da maioria que está cada vez mais
pobre.
O sistema político está
manietado por interesses económicos e há uma grande frustração de muitos que
votaram no PP e PSD convencidos que tinham a chave para a saída da
crise.
A situação está-se a
agudizar , à medida que a crise vai afectando cada vez maior número de pessoas ,
há uma tomada de consciência que é preciso fazer algo, porque não há elementos
que nos façam pensar que isto vai melhorar , antes pelo contrário.
A democracia
representativa está a falhar redondamente e a crise nos partidos é também um dos
elementos que está na base destes protestos.
O protesto recruta cada
vez mais sectores da população tradicionalmente menos activos , tanto jovens ,
como adultos e idosos.
A base de apoio da
coligação governamental PSD/PP está-se a esfumar rápida e de forma contundente
.
Umas das novidades a
reter das sondagens é a queda de popularidade do governo ( PSD/PP)que não se
traduz na ascensão do principal partido da oposição ( PS):
O ano de 2013 será de
grandes conflitos e de perdas de peso dos partidos políticos e a porta está
aberta aos extremismos .
Todos estes protestos e
mobilização de rua não vão ter retorno e está na forja um novo modelo de
sociedade.
Este despertar das
pessoas mostram que tem toda a razão,porém é uma miséria de razão.
Este governo não tem
remédio é uma carcaça dos pés à cabeça. Viver actualmente é resistir e uma das
formas de resistir é a capacidade de indignação, criar novas de formas de
protesto.e de reivindicação.
Como diz Stéphane
Hessel é preciso « uma verdadeira insurreição pacífica»

