17/01/2013

Análise política

Há frases que se dizem que deixam perceber o que vai na cabeça das pessoas . Pedro Passos Coelho afirmou: « estamos condenados a ser bem sucedidos no processo da reforma.». Este tipo de discurso deixa antever o já propalado, «custe o que custar» , « a única coisa que se pode fazer». Esta reforma do Estado não pode ser feita em cima do joelho e apressadamente e depois vê-se,  ou como diz Jorge Sampaio para inglês ver ( troika).

Não podemos manter esta realidade de sofrimento e de tristeza , temos que tentar transformá-la. Deve e tem que haver outro caminho, com mais tempo e de outra maneira. Só se fala em mandar para a rua funcionários públicos, mas deixou de se falar de cortes nas despesas com a máquina do estado extra- pessoal.

De acordo com os dados da Direcção-Geral do Orçamento, as despesas de pessoal na administração directa, institutos públicos, regional, local e segurança social representarão no final deste ano 15 mil milhões de euros, menos 14% do que em 2011 ( em 2012 deve ter ainda diminuído mais). Enquanto isso, as aquisições de bens e serviços – viagens, telecomunicações, serviços de segurança, etc – atingirão os 22 mil milhões de euros, ou seja, mais 17% do que em 2011( em 2012 não há sinais que tenha diminuído ,infelizmente aumentou).

O custo de uma reforma ,com esta amplitude pondo em causa tudo que se vinha dizendo e feito ao longo da nossa democracia , será demasiado profundo e com consequências demasiado prolongadas e imprevisiveis. Vai haver muitas tensões sociais, porque os cidadãos vão piorar as suas vidas do dia-a-dia. Com este feroz plano de austeridade não se pode cair em complacência , temos que lutar contra este monolitismo exacerbado e propor outras alternativas: redução do peso do Estado mas não somente à custa das pessoas, possibilidade de rescisões de funcionários de uma forma digna e humana.

Apesar de PPC dizer que vamos sair em 2014 desta recessão resultado de uma queda significativa das taxas de juro em leilão da dívida pública , por outro lado a Alemanha começou a soluçar e o principal destino dos bens portugueses vão deixar de o ser.

A crise chegou à Alemanha e como diz o Jornal Público , o único motor que tem estado a carburar em Portugal está a começar a gripar. Deste modo Portugal é uma carro a acelerar em ponto morto. O carro não sai do do local onde estava.

Os portugueses seguem suportando o empobrecimento sem limite de tempo.

JJ