11/12/2012

Crónica de Liverpool




Pedro Liverpool
Imagem de Portugal ( II)

Muito se tem falado em exportações, como solução genial, para combater a estagnação da Economia Portuguesa.Há contudo, aspectos a ter em conta, quando se lida com outras culturas.
Num mercado relativamente novo, em termos de consumo de vinho, como é o Inglês, a exclusividade das castas portuguesas não joga a nosso favor, em termos de divulgação dos nossos vinhos. Mesmo para um português, não é fácil decorar nomes como “Tinto cao”,” Aragones”, “Trincadeira”, etc.  Assim como 33 regiões e sub-regiões  vinícola, em Portugal. Imagine-se para um Inglês, ou outra nacionalidade...

Assim sendo, a estratégia de Marketing usada, está errada. A forma eficaz de promover os vinhos Portugueses, sera’ seleccionar 3 ou 4 regiões demarcadas Portuguesas, indo de Norte a Sul, para que o leigo na matéria, se sinta confortável, com a sabedoria transmitida. Podem afirmar – e que fazer com as regiões demarcadas, que forem excluídas? Eu costumo dar um exemplo, de um barco que só pode transportar 4 passageiros entre duas margens. E há 20, ao todo. Ter-se-ha’ que seleccionar os primeiros  4, para depois, mandar vir o barco outra vez, para buscar mais. Com os 20 de uma vez, o barco afunda-se de certeza.

É na estratégica certa de Marketing, que Portugal terá que se centrar, quando promovendo o vinho Português no estrangeiro. Porque qualidade, tem-na  com certeza.

Há uns 20 anos atrás, fui convidado para a festa do Vinho Alvarinho, em Monção. O fim-de-semana, incluía prova de vinhos, almoço de degustação,Rally Paper, visita ao Palácio da Brejoeira, etc. Durante a prova de vinhos, houve um produtor Espanhol da Galiza corajoso, que trouxe um “Alvarino” para prova. Quase o lincharam, pela ousadia!

“O Alvarinho é Português”, “não pode ser produzido fora da região demarcada”, “bla’,bla’bla”, foram algumas das palavras ouvidas, em tom enfurecido.

Há uns meses, na televisão Portuguesa, vi uma cerimónia de entronização de um novo membro da Confraria do vinho Alvarinho. Muita pompa e cerimonia. Não sei muito bem o que estes confrades fazem, para a promoção deste excelente vinho. É que, por ironia, os poucos Ingleses que já ouviram falar em Alvarinho, é a versão Espanhola, nunca a Portuguesa, dita “original e genuina”.

Isto é a ironia da atitude elitista do Português, que não sabe pousar os pés na terra, para se dar a conhecer.