11/12/2012

Debate em palavras

Cândida Almeida a encerrar os eventos de 2012 no Clube dos Pensadores

Joaquim Jorge, fundador do Clube, foi feliz ao convidar a Diretora do DCIAP, a Dra. Cândida Almeida para encerrar as atividades de elevado nível realizadas em 2012 no Clube dos Pensadores. De facto, num ano em que estiveram presentes as ministras Paula Teixeira da Cruz, Assunção Cristas, o Secretário de Estado Marco António Costa, O Prof. António Barreto, o empresário Alexandre Soares dos Santos, o líder da Fenprof Mário Nogueira, o Prof. Garcia Pereira, encerrar o ano falando de e da Justiça com Cândida Almeida foi gratificante.

Cândia Almeida é simpática, afável, firme, convicta nos princípios que defende e humanista. Conhece bem o terreno que pisa. Dissertou, na primeira parte do debate, sobre a justiça e o direito. Socorreu-se dos filósofos da antiguidade aos mais eminentes cientistas da atualidade para dissecar as diferenças entre justiça e direito. Entre Justiça e legislação.

Depois teceu comentários sobre a organização e funcionamento do nosso sistema de justiça com meridiana clarividência. Falou do segredo de justiça e as constantes fugas, dizendo que não se pode acusar esquisofreneticamente o MP de tal delito, pois há 5 passos por que passam os processos e num deles pode haver a fuga. Por isso, não faz sentido acusar sistematicamente o MP. Disse que até sabem quem é que normalmente é o autor, pois têm acesso às escutas, mas não a podem usar como meio de prova para evitar ser como os delituosos.

Aqui eu tomo a liberdade de discordar de Cândida Almeida, pois por vezes é preciso dar lições para o futuro e usar os meios que a lei confere ao MP e pedagogicamente castigar quem prevarica, para servir de exemplo a todos. O que é preciso é não ter medo e como isso é coisa que CA não tem, espero que no futuro haja luz sobre o malfadada violação do segredo de justiça.

Cândida Almeida lamenta os atrasos nos processos mediáticos, que envolvem grandes figuras da sociedade, mas culpa as labirínticas possibilidades que a lei lhes confere com dilações, recursos, etc. Não é problema do MP.

Diferenciou corrupção de fraude e evasão fiscal (que são a maior parte dos casos). A fraude é sempre bem secundada por especialistas de vários domínios, que dificultam a desconstrução das tramas urdidas por estes, por parte dos profissionais do MP em diminuto número e meios para o efeito. Mas vão fazendo o seu trabalho com independência, que exortou os portugueses a manterem-se vigilantes para que tal continue como está em termos de independência. Os argumentos dos atrasos são para despistar e tentar retirar essa independência ao MP e coloca-lo a serviço de certos interesses. O que atrasa são os recursos que a lei bem “urdida” permite. O problema não é a justiça, mas o direito e o que a lei permite que seja feito com atropelos ao bom senso. É, pois, um problema político.

Cândida Almeida manifestou a sua preocupação com o direito das crianças, a uma questão concreta da plateia,  e lamenta que algumas decisões de magistrados não acautelem o direito da criança.

Também respondeu à questão da perceção pública de que há uma justiça para ricos e outra para pobres, dizendo que não, pese embora poder parecer, face aos casos relatados, mas frisou que não é do MP, para quem todos são mesmo iguais. É um problema do direito e do poder dos ricos em contratar advogados, que os pobres não têm.

Uma noite em grande no Clube dos Pensadores. Uma grande lição de uma grande Senhora corajosa e dedicada à causa pública. Parabéns Joaquim Jorge. Assim se vai fazendo a marca CdP com grande força.


Mário Russo