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| António Ramos Calhau* |
“O QUE TRAZ A SRª. MERKEL A PORTUGAL?
1.Prevê-se para dentro
de dois dias a visita da SRª. Merkel a Portugal.
2.Bem querida nos
Países do Norte e Centro da Europa e detestada nos Países a Sul.
3.A Imprensa Nacional e
Internacional considera-a – o político – mais poderoso da Europa. Na realidade,
a Alemanha é o maior contribuinte para o orçamento comunitário, é o terceiro
País com mais poder no FMI e assume uma participação de 27% no Fundo de Estabilização
Económico e Financeiro da União Europeia. É também o País com a maior fatia do
empréstimo externo a Portugal, no total de 78 mil milhões de euros.
4.Recordo aqui que a U.E. foi criada com o objectivo de pôr termo às guerras sangrentas, entre povos
vizinhos que culminaram na Segunda Guerra Mundial. O sonho visionário de alguns
líderes europeus, como Konrad Adenauer,
Jean Monet, Robert Schuman… Sem a sua energia e motivação a Europa não estaria
a viver numa esfera de paz e estabilizada, há 50 anos. Eles acreditavam nos
seus ideais: uma Europa em paz, unida e próspera.
5.E o que vemos agora:
Uma Europa dividida. O espírito Solidário entre os Países que fazem parte da EU
desapareceu. Uma nova bandeira – os mercados – substituiu os ideais e abriu a porta
à exploração dos países mais fortes sobre os mais fracos, neste caso, concreto,
Portugal.
6. Quando chega ao
nosso conhecimento que a Alemanha só dos juros que recebe dos Países “sob
ajustamento” permite-lhe o dinheiro ser canalizado para o Banco UBS na Suíça e
esta ser financiada do mesmo Banco a uns juros “zero” ou até negativos. Pergunta-se…
o que deveremos pensar?
7.Desde o verão que
Angela Merkel encetou um périplo pelos países do sul da Europa, em curtas visitas
de trabalho, levando mensagens de solidariedade, como, faz referência, a
imprensa. Será? Na Grécia disse que se ia informar: “ havia uma luz ao fundo do
túnel”. E em Portugal… vem visitar o seu “bom aluno…” e lembrar-lhe que é
necessário continuar mais cinco anos de austeridade, como defendeu, há pouco,
na Alemanha, na sua área territorial de eleições?
8.Não podemos esquecer que esta Senhora foi criada num
ambiente austero e duro, duma disciplina rígida, sob os padrões duma cultura
soviética e é uma defensora das “regras” da antiga “Rússia”,aquilo que
determinada imprensa não revela.
9.Acompanham a Senhora
muitos empresários alemães. Um País, como Portugal, com uma economia
fragilizada, torna-se num campo aberto para grandes negócios, mas
sempre a favor da Alemanha.
10.Nota-se, todavia, as
divergências entre o FMI e as declarações da Srª. Merkel sobre a austeridade
excessiva. Diz o FMI que a austeridade excessiva, poderá trazer perigo para
esses países.
11. Continuamos
“orgulhosamente sós”. Até quando? Ou aguardamos que a Senhora Merkel, nesta
visita, nos venha dizer que é necessário crescer e criar emprego?
12.O que é certo é que
a Alemanha não venceu a Europa pela guerra, mas está a vencê-la pela fome e
pela economia.
* a pedido do autor não se publica a sua foto

