15/10/2012

Passos de Coelho não levam aos céus, mas ao inferno

Pedro Passos Coelho( PPC) está sob pressão de todos os lados e a sua vida nestes tempos não é fácil, quase que apenas por sua olímpica culpa e manifesto complexo de inferioridade a nível interno e externo.

Com efeito, PPC sendo licenciado revela um incompreensível complexo de inferioridade, manifestada na subserviência às doutrinas do Sr. Gaspar, que é um doutorado. Só que PPC devia saber que um doutorado não é um sábio e apenas se dedicou a um assunto restrito com maior profundidade e que tem obrigação de o dominar. Mas isso não faz de qualquer doutorado alguém superior. Em todos os assuntos fora da sua esfera de especialização muito restrita (essência dos doutoramentos) é um conhecedor ou desconhecedor como qualquer outro. Tudo que Gaspar lhe incutiu como sendo bom, ele acredita como uma profissão de fé ou dogma e acha “chique” aplicar “custe o que custar”, numa teimosia que roça a burrice.

Gaspar não passa de um tecnocrata, pelos resultados apresentados comprovadamente medíocre, sem estatura política, sem experiência empresarial e de gestão. Um controlador de índices económicos em Bruxelas. Coisa que PPC deveria ter de sobra, dado vir da linha política do seu partido. Deveria exibir esta dimensão política e social superior, mas incompreensivelmente não a apresenta.
Em segundo lugar, na Europa, os nossos governantes (Gaspar incluído) querem ser bons alunos e revelam-se marrões, que exibem o seu complexo de inferioridade e apenas sabem dizer YES, naquelas reuniões em inglês, com receio de contestar e serem acusados de terceiro-mundistas, julgando-se elogiados como bons alunos. Não passam de seres pequenos.

O terrível mito do bom aluno, próprio dos pensamentos medíocres, devia ser substituído pelo do Bom Professor. Aquele que, sem complexos de inferioridade, mostra aos seus pares e aos credores que a receita dada não é a melhor. Que misturando-se aqueles ingredientes só dá uma coisa (pobreza, miséria, desemprego, convulsão social) e, por isso, não se pode esperar outra coisa.
O bom Professor mostra e demonstra que a sua “receita” é mais sustentável: de facto é preciso reformar e reorganizar o país. Definir a missão do Estado e dimensionar para esse desafio. É preciso corrigir muitos dos regabofes cavalgados por sucessivos governos com o beneplácito dos credores e da UE. Sim, é preciso, mas isso demanda em tempo e em menos de 2 legislaturas não é possível.

Porque se teima em não experimentar uma receita não tentada, quando se aplica uma receita que não surtiu efeito positivo em lugar algum? Só conduziu à miséria absoluta.
O que se precisa é de tempo e um plano sério e competente com um calendário transparente. As famílias e as empresas sabem já o que as espera. Dê-se o tempo para o ajuste. As contas em ordem e equilibradas serão o resultado da aplicação do programa e não a sobra da implosão incendiária da receita que este Governo está a aplicar sem dó, nem piedade, nem sabedoria nenhuma.

Mário Russo

* novo AO