06/12/2009

O Clube dos Pensadores: o meu testemunho


Foi na Maia, que pela primeira vez tive contacto com o Clube dos Pensadores, trazido pela mão de um amigo de longa data.

Fiquei impressionado pelo debate e pelo modo como a assistência tinha vez e voz porque o moderador, Joaquim Jorge, assim o determinava. Outros debates se seguiram na Maia até rumarem definitivamente para Gaia. São mais de 40 debates com salas cheias e participativas.
Inicialmente pensei que a energia característica do início deste tipo de iniciativas se desvanecesse e após alguns debates o Clube claudicasse. Felizmente tal não aconteceu. É um caso de estudo na área da sociologia política.

Joaquim Jorge protagonizava assim a mudança no conceito de participação cívica, oferecendo a cada um de nós o que achamos que podemos dar como contributo para melhorar a sociedade, que é pensar, discutir, aprofundar ideias, através de um fórum de debates.
De modo rigoroso Joaquim Jorge controla os tempos das intervenções de tal maneira que as pessoas podem participar activamente e não apenas os ilustres convidados.

O Clube dos Pensadores é um verdadeiro Clube de cidadãos livres e sem grilhetas, sem estatutos e regulamentos escritos, mas que cada um sabe bem o que quer e como pode contribuir para o desenvolvimento de correntes de pensamento não Seguidistas e Não oportunistas.

É uma lufada de ar fresco que alimenta a alma de muitos cidadãos ciosos de participar da vida política e que a organização partidária tolhe.
Poderia dizer que é um Clube quase Anarquista, no seu mais nobre sentido, ou seja, porque não há uma ordem hierárquica estabelecida a não ser aquela em que livremente é aceite por todos.
Nada está escrito, mas Joaquim Jorge é o líder natural deste Clube, não só porque foi o autor, mas sobretudo porque tão bem o tem conduzido de há 4 anos a esta parte, com o nosso mais vivo apoio.
O livro de JJ sobre o CdP, que serviu de pretexto para uma apresentação na Maia, é uma feliz síntese do muito que se discutiu e debateu neste Clube. De facto, os ilustres convidados que passaram pelas salas dos debates trouxeram experiências interessantes e levaram ideias novas.
Debateu-se o papel da comunicação social; a regionalização e descentralização do poder político; o poder local; a participação cívica e cidadania; a educação, o ambiente e alterações climáticas e a energia; a Cultura, o Futebol, a Justiça e o trabalho; a verdade em politica e a memória em política; o papel da oposição em democracia; o sindicalismo em tempos de globalização; Economia e sociedade; a refundação da República; a crise económica; o Parlamento; a Política no século XXI e os valores, etc…
No Blog, também se prolongaram e prolongam os temas, que dariam para verter em programas de governo.

Da origem dos convidados pode comprovar-se o ecletismo e independência deste Clube. Desde Garcia Pereira, Manuel Alegre a Paulo Portas e Manuel Monteiro, as mais gratas figuras da política nacional pisaram os palcos dos debates do CdP e todos recebidos com grata satisfação. E ao que se pôde inferir, também todos gostaram e prometeram ser repetentes.
Obviamente que este Clube, e o seu fundador em particular, de quando em vez são alvo de ataques de invejosos e medíocres que se incomodam com o sucesso dos outros. Mas ligar a esses ataques, é dar importância aos seus medíocres autores que não merecem.

Para quem ainda não percebeu este conceito revolucionário de organização (quase virtual) gostaria de dar umas achegas acerca do funcionamento do Clube: porque por vezes há pessoas que se interrogam porque os debates são moderados pelo JJ ou porque é o JJ que faz os convites e porque é que não podem ser outros a convidar, etc.


De facto não pode ser de outro modo, sob pena de entrar em rota de colisão. Não há organização por geração espontânea. Imagine-se todos a convidar alguém. Como é que se operacionalizavam os debates? Não pode ser. Sugerir é uma coisa, convidar e realizar o debate é outra e nada colide com a democracia e liberdade vividas no seio do Clube dos Pensadores.

A minha experiência de convívio nestes 4 anos, me permite dizer que nunca fui condicionado pelo fundador, seja em debates, seja na participação no Blog ou na rádio e na TV. Sobre a maior parte dos temas até estamos de acordo, mas sobre outros não, e um em particular (a Regionalização, a mãe de todas as reformas políticas em Portugal e que ainda está por fazer) temos visões distintas, e nunca esse facto causou qualquer constrangimento na minha participação. Da discussão nasce a luz, bem diz o povo. Pois é isso que deve prevalecer e é isso que mais me satisfaz neste Clube dos Pensadores: o respeito pela diferença de opiniões.

Esta é a forma de actuar de JJ, cujo resultado é o que vemos: as pessoas continuam entusiasmadas e já não se pode pensar que o Clube dos Pensadores vá acabar. O mesmo dizia no debate Lino Ferreira, com bastante propriedade.

Por outro lado, gostaria de realçar, que o Clube é frequentado por pessoas muito interessantes, livres, cultas e inteligentes, cuja participação não se esgota nos debates, porque prolonga-se em amenas tertúlias depois dos debates, com ou sem os convidados ilustres.
Só foi possível o meu enriquecimento pessoal porque existe este Clube dos Pensadores, em boa hora arquitectado e conduzido pelo Joaquim Jorge.

Parabéns Joaquim Jorge e obrigado pela construção desta janela arejada para o mundo. Numa época em que a actual crise apenas evidencia o fim de um ciclo histórico e outro se abre, este Clube faz falta a Portugal.

Mário Russo