24 Setembro 2008

UM PAÍS IMAGINÁRIO E DO FAZ DE CONTA

Daniel Braga




Num faz-de-conta de um país economicamente tão próspero que pode gastar rios de dinheiro em projectos megalómanos ( tantos exemplos que seria fastidioso enumerá-los), num faz-de-conta de que os portugueses são todos assim tão pouco inteligentes que não conseguem distinguir a seriedade da sobranceria e da demagogia, do faz de conta de que a pobreza e a clivagem entre pobres e ricos não caminha perigosamente para um beco sem saída, do faz de conta em que a função pública é um oásis onde tudo funciona às mil maravilhas, um faz de conta onde a segurança é um dado adquirido e onde os carjackings, assaltos a bancos e gasolineiras, os gangs cada vez mais frequentes e perigosos apenas são fantasias de alguns, num faz de conta em que professores , polícias, etc são respeitados e reconhecidos, num faz de conta onde a autoridade existe e impera, num faz de conta onde o crédito dos portugueses não aumenta e onde as taxas de juro ao crédito à habitação diminuem a cada hora de passa, num faz de conta em que a educação e o ensino andam de vento em popa, num faz de conta de criação constante de postos de trabalho (lembram-se dos 150 mil???!!!) e onde o aumento do desemprego é uma farsa e uma vil afirmação não fundamentada, não será este um país imaginário pois afinal nada se passa por cá, ou como diz o nosso Primeiro Ministro tudo isto apenas é um país retratado por mentes habituadas ao bota abaixo e que no país afinal tudo corre sobre rodas? Ou não será que o País pintado de cor de rosa e do faz de conta apenas existe em algumas cabeças pensantes do nosso dirigismo nacional e dos governantes a começar pela cabeça do secretário geral do PS?
Antes fosse este o País imaginário e não o País real em que tão cruamente nos movimentamos e vivemos dia após dia.
Não restam , pois dúvidas: devemos estar mesmo a viver num País faz-de-conta...



frequente no blogue, professor de matemática e membro do clube

2 comentários:

  1. Caro Daniel,

    Realmente estamos mesmo a viver uma fase do faz de conta. E nem é só em Portugal, o que é pior.

    Por cá, a teoria do oásis deu frutos.

    Viva o oásis de Sócrates. Vamos todos a correr para lá, e já, .... enquanto não se acorda.

    Abraço

    Mário Russo

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  2. Quando era criança gostava muito de brincar ao faz de conta. Era divertido, fazer de conta, que era médica, professora, enfermeira e outras profissões. Mas nunca me lembrei de brincar ao «Faz de conta que sou membro do governo...»
    É que, embora fosse mau para muitos e razoável para outros, tínhamos um governo que, governava à sua maneira e pelo menos as crianças e os adultos, não sentiam medo, de andar na rua, estar em casa, ir a qualquer organismo, pois nunca tinha visto, um encapuçado ou não, de arma na mão apontada a ninguém. O povo passava miséria, mas os cofres do Estado estavam cheios, havia educação e respeito pelos outros.
    Hoje, as crianças, os adultos e o governo, brincam ao faz de conta que se é politico, mas há fome, não há segurança, educação, justiça, sistema social correcto, emprego e os cofres do Estado vazios...e com dividas.
    Isto de brincar ao faz de conta, não dá para rir, mas para chorar.
    Vamos acordar do sonho que rapidamente passou a pesadelo, e ser realistas!!!

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