14 de Maio de 2008

PERVERSÃO DE IDEIAS



Em Portugal existe um mal-estar profundo, pelas dificuldades económicas, pela ineficiência do Público e por uma sensação crescente de inseguridade
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Joaquim Jorge


Nestes tempos de confusão, verocidade, desvergonha. Em todos os âmbitos, no político e no económico. Só existe o que ganha. Daí, o caso indecente do emparelhamento dos mais ricos com quem manda.
Quem paga impostos está claramente farto de pagá-los , não sabe aonde vão parar, nem produzem serviços e infra-estruturas. A redução da dívida, corte dos gastos em pensões - não generalizados , e a reforma da Administração Pública têm sido dolorosos. Em Portugal existe um mal-estar profundo, pelas dificuldades económicas, pela ineficiência do Público e por uma sensação crescente de inseguridade.
A acção deste governo , do primado da economia em todos os planos, conferindo ao económico um tratamento preferencial e por vezes exclusivo. A atenuação do debate ideológico que coincide com a atonia de cidadania, que reduz a política às lutas de poder nos partidos. O que se está a passar no PSD, numa luta entre barões (Manuela Ferreira Leite), bases (Pedro Santana Lopes) e híbridos (Pedro Passos Coelho).
Nesta democracia, homofóbica, misógina, traidora, pérfida, falaz, estulta, imbecil e por vezes estúpida, obcecada por regulamentos e com comentadores políticos que pretendem arrogar-se do título de Sumos-sacerdotes do Templo.
O PSD deve discutir o centrismo político e o oportunismo manobreiro que se está a operar numa apropriação ilegítima que só serve para aumentar a confusão entre liberalismo social e socialismo liberal . Aprender com os erros , nos ensina a evitá-los . Tirar proveito do erro não tendo vergonha do equívoco . As dificuldades dão experiência e maturidade.

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1 Pensamento(s):

Anônimo disse...

Como sempre oportuno e perspicaz no discernir das coisas e no lançar das mesmas para a arena da discussão. Sobre o dito pelo Joaquim ocorre-me uma questão: a quem atribuir a responsabilidade disto tudo? Ocorre-me igualmente uma resposta. A NÓS, porque nos demitimos das nossas responsabilidades, porque não fizemos o que a nossa consciência formada, sabem os deuses como, nos diz para fazer: estar atentos e vigilantes e exercer a capacidade que temos de avaliar (avaliar, valorar as coisas e os actos pelo seu valor para nós— mas eu sei, por o estar sempre a ouvir, que nos devemos abster de fazer julgamentos) o que é feito ou não é feito. Tudo o que diz no artigo obriga-me a colocar ainda outra questão: como ultrapassar esse estado de coisas? A mim, e pelo que diz infiro que também a si, foi-me incutido, reconheço que às vezes à força, que as dificuldades se deixam para trás (resolvendo-as) com trabalho, dedicação e empenho. Não conheço outra via, pois o resto é expediente de circunstância que fariam corar um verdadeiro pulha (engomado ou desengomado). Porém, e como bem diz, o que interessa é a cultura dos winners vorazes e despudorados que olham de soslaio para os outros e os apelidam de loosers. Se essa capacidade de ganhar faz existir (!?), então de facto os outros deixam de existir, porque não se conseguem deixar ir além do pudor e ganhar de qualquer maneira. Se o que importa é ganhar todos os meios estão justificados e legitimados e trabalhar com lisura de processos é para quem nada mais sabe fazer, pois mesmo que correcto estão em desvantagem. Sabemos, porém, que o correcto, o honesto e o justo mesmo que em desvantagem numérica, a democrática, não deixam de o ser e os outros, mesmo que em vantagem numérica, não se tornam por isso o seu inverso. Sabemos, de igual modo, que o trabalho se ensina e NÓS não estamos a ensinar as gerações mais novas a trabalhar (não fazemos nós todo o trabalho que eles deveriam, em diferentes graus— consoante as idades, ir fazendo. a máxima que dizia que é de pequenino que se deve torcer o pepino, HÁ quanto tempo não se houve?). A cultura do expediente está aí e nós temos de a combater. Se queremos mais combate ideológico deveríamos eleger esta ideia como coisa a perseguir e a instaurar nesta nossa sociedade que quer o que seja sem esforço.
Anónimo Z (de José Soares)