31/07/2007

ÉS NINGUÉM



José Manuel Pereira





Sacode o capote

Faz um pinote

Duas de letra
Uma pirueta
E o mundo é teu.

Amarra o escravo
Não vale um chavo
A seguir amordaça
Não é da tua raça
E o mundo é teu.

É assim que tu fazes
Para depositar mais uma migalha
No teu banco
Que é do teu mundo
Que de nada te serve
(Para morrer basta estar vivo!)
Com ou sem escravo.

Julgas-te um Deus
Um grande Senhor
Que já mandas
Que dominas
Não precisas de nada, de ninguém.

Não pensas no outro
Só na sua silhueta
Por mais que pises
Não a esmagas.

Azar!
Não vais longe
Nem perto.
Pensa.
Olha-te.
Que vales? Nada.
Nem um vintém.
Ninguém.



engenheiro, escreve poemas por prazer, membro do clube