21/07/2007

Espelho da vida


Mário Russo

O terrorismo, o racismo e a integração racial são temas da mais absoluta actualidade, ninguém o nega. Os políticos prometem combater os dois primeiros e consumar o terceiro. Mas será que estaremos todos a falar a mesma coisa? A propósito da reacção e do sentimento de pessoas sobre o mesmo evento, quero compartilhar um pouco a minha reflexão sobre este complexo caldo. Primeiro os eventos: a propósito da construção da grande Mesquita Muçulmana de Colónia, na Alemanha, li que há uma grande oposição à sua construção. Trata-se, como sabem, não apenas de um local de culto para orar, mas sobretudo para educar os jovens na cultura de seus pais. A primeira reacção seria de acusar de racismo e de intolerância. Na Grande Mesquita os jovens vão aprender a odiar os judeus e a cultura ocidental, a serem intolerantes para com a liberdade que o ocidente concede às mulheres e ao direito que têm de votar e serem eleitas, vão aprender a ser militantes de uma causa religiosa interpretada por um imã. Vão aprender a obedecer e a tratar os infiéis a ferro e fogo. Podem dizer-me que poderá não ser assim em todas as mesquitas. E é verdade, porque depende do Imã. Nem todo o árabe é terrorista, mas hoje no mundo, que mata em nome de uma religião, são sobretudo muçulmanos. Afinal integração não é o contrário. Os jovens “beberem” a cultura do país de acolhimento de modo que em gerações estão todos irmanados? Dizem que não. É por estas e por outras que o terrorismo vai continuar. Não acusem sempre os EUA, pese embora ter um presidente perigoso, mas ele só lá está há 7 anos (sei que é demais), porque o que está errado é esta relatividade de ver as coisas. Quem não quer se integrar tem todo o direito. Recebe um bilhete de volta e regressa ao seu país de origem. Eu, por exemplo, não quero ir para a Líbia, ou para a Arábia Saudita, ou para o Iraque, porque se fosse teria de fazer e sentir-me como eles. Aliás, eles obrigam as nossas mulheres a taparem-se e vociferam se lhes proibirem de fazer mutilações genitais no “ocidente bárbaro” ou de usar lenços na cabeça.
O outro evento foi a morte de duas crianças judias às mãos de fanáticos muçulmanos radicais e o silêncio da imprensa mundial. Foi apenas a morte de duas crianças. Um outro caso foi a morte de um jovem palestino pelas armas do “bárbaro assassino israelita” e o seu funeral com multidões de enfurecidos e raivosos militantes armados a atirar balas para o ar. A notícia percorre diversas televisões do mundo e nos jornais longos julgamentos do incómodo “intruso judeu”. Finalmente um outro decorreu numa palestra em Portugal sobre a preservação da vida selvagem e dos malefícios de processos de envenenamento tradicionais usuais em algumas aldeias de Portugal para eliminar predadores (lobos, raposas, etc.) que invadem as propriedades rurais à procura de comida. Sou a favor de um plano de salvaguarda da vida selvagem e de meios para que esta possa viver em harmonia com a natureza, sem pôr em perigo a vida da população do campo. Os caçadores também usam, a meu ver, condenáveis técnicas de envenenamento para “limpar” predadores de caça tradicional (coelhos, patos e perdizes). Prática essa que costuma envenenar os cães dos caçadores, que morrem às dezenas. O que estranhei foi a sensação de felicidade da palestrante de uma associação de preservação da vida selvagem (não interessa o nome) a mostrar slides com fotos de cães de caçadores mortos pelos venenos que os caçadores lançaram pelas matas. Dizia, rindo, que o feitiço se virara contra o feiticeiro. Este sentimento, mostra como reagem pessoas que abraçam causas justas de forma cega e fundamentalista.
É a visão da vida ao espelho côncavo ou convexo, com distorções consoante o ponto em que estamos do espelho. Factos diferentes que mostram que há motivos para reflectir o que queremos de facto com a integração racial e cultural. Porque o que existe não é integração mas “guetização”, para gáudio de radicais de direita racista e xenófoba, com a aquiescência de uma esquerda que se vangloria de progressista, mas que afinal confunde liberdade com libertinagem e potencia a desigualdade entre etnias e culturas, em vez de promover a real igualdade. Por outro lado, o planeta tem de ser visto como um todo, em que os humanos são os seus destinatários primeiros e, como tal, seus primeiros defensores, com direitos e deveres e muito respeito pelas restantes criaturas que o habitam.

professor , engenheiro , membro do clube e bloguista