07/06/2007

DEBATE - CLUBE DOS PENSADORES








Lisboa/Eleições: Menezes espera que cada um "assuma as suas responsabilidades" em caso de derrota do PSD
7 de Junho de 2007, 00:31




Porto, 07 Jun (Lusa) - O presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Meneses, escusou-se esta noite a dizer o que uma derrota nas autárquicas em Lisboa poderá significar para a liderança do PSD mas afirmou esperar que cada um "assuma as suas responsabilidades".

"Se o PSD perder em Lisboa não será por culpa de Fernando Negrão, que é um candidato muito credível, nem das bases do partido, que são muito aguerridas", afirmou Menezes, acrescentando esperar que, em caso de derrota, "cada um assuma as suas responsabilidades".


Luís Filipe Menezes, que falava num debate promovido pelo Clube dos Pensadores, defendeu ser "vital e estratégico para um partido que está na oposição liderar a Câmara de Lisboa".

"É uma forma de contra-poder, de afirmação de uma alternativa", frisou, deixando uma crítica à direcção nacional do PSD, liderada por Marques Mendes, ao afirmar que o processo da autarquia lisboeta, desde a anterior escolha de Carmona Rodrigues para candidato, "tem sido muito turbulento e danificou a imagem de liderança".


O presidente da Câmara de Gaia era o convidado principal do debate organizado pelo Clube dos Pensadores, que tinha como tema central 'O paradigma da gestão autárquica - Gaia, um laboratório de ideias com aplicação no País".


O debate, a que assistiu cerca de uma centena de pessoas, numa sala completamente cheia, cedo foi orientado como uma forma de apoio à possibilidade de Luís Filipe Menezes poder vir a fazer no País o que tem feito na última década em Gaia.


Começou por ser apresentado como "um dos melhores, se não o melhor autarca do País" e, ainda na introdução, Joaquim Jorge, organizador da iniciativa, considerou que Menezes "é bom demais para este pequeno País".


O autarca de Gaia começou a sua intervenção com críticas à actual forma de se fazer política, "demasiado standardizada", na sua opinião, considerando que é dominada pelo princípio do "deixa andar".

"Em Portugal, esta é a regra do jogo depois da segunda parte do cavaquismo", afirmou, lamentando os "líderes plastificados" por oposição aos líderes que "arriscavam ser impopulares".


Menezes explicou depois a 'receita' do seu sucesso na gestão municipal em Gaia, defendendo que começou por definir um objectivo estratégico, fez depois um diagnóstico da realidade e estabeleceu uma metodologia faseada de acção para atingir o objectivo a que se propôs.


Depois de mostrar - através de dezenas de fotografias - a nova imagem de Gaia, Menezes defendeu que o que tem vindo a fazer neste Município "pode ser generalizado a todo o País".
"Trata-se apenas de definir o que queremos para daqui a 10 ou 15 anos, analisar os factores que nos podem dar vantagem e os que nos são prejudiciais, definir as acções a desenvolver e calendarizar a sua aplicação", resumiu.


O problema, segundo Menezes, é que "não é isso que está a acontecer" em Portugal.
"A actual lógica de abordagem da realidade é a mesma da última década, apenas a imagem está mais focada", afirmou.


O sucesso da gestão autárquica de Luís Filipe Menezes em Gaia foi depois elogiado por Rui Gomes da Silva, deputado do PSD, ex-membro do governo liderado por Pedro Santana Lopes, que deixou bem claro o seu apoio.


"Espero que esta seja a última vez que estou com Luís Filipe Menezes apenas e só como presidente da Câmara de Gaia", frisou, logo na primeira declaração que fez.
Rui Gomes da Silva considerou que "a obra feita em Gaia cansa só de ver" e salientou que Menezes é dos poucos políticos portugueses que "não governa por sondagens mas por ideologias, com coragem e princípios de liderança".


"Ganha eleições quem tiver um conceito ideológico mas também capacidade para realizar", afirmou, acrescentando que "em Gaia, há carisma".
Nesse sentido, recordou que "o carisma é uma característica essencial do PSD, que fez a sua história quando teve líderes com carisma".


Por isso, afirmando implicitamente o seu apoio a uma eventual candidatura de Meneses à liderança do partido, Rui Gomes da Silva defendeu que "é tempo de acabar com a ideia de que há pessoas boas para dirigir câmaras municipais mas que não servem para liderar o partido ou o governo".


"Penso que é chegado o momento de Gaia dar alguma coisa ao País", concluiu Rui Gomes da Silva, figura próxima do anterior líder social-democrata e chefe de governo, Pedro Santana Lopes.
FR.
Lusa/fim