07/06/2007

JUVENTUDE OU JUVENTUDES? ( I )



Guacira Maciel

Na verdade o ensino e a aprendizagem surgiram nas diversas sociedades como uma conseqüência natural da necessidade de sobrevivência das espécies, pela transmissão do conhecimento construído. Assim, o currículo surge como necessário à organização desse conhecimento a ser repassado e como reflexo da função social da escola, uma vez que nele estão fortemente presentes as relações de controle social, relações de poder e reprodução de valores que influirão na constituição das identidades e dos sujeitos. Ele é o elemento dinâmico da proposta pedagógica, devendo ser entendido como espaço de conflitos que estruturam a vida da escola e, como tal, um currículo precisa ser democrático, acolhendo as relações e abrindo-se à produção de significados próprios da comunidade onde a escola está inserida, de forma a recriar uma proposta pedagógica dinâmica, cuja linguagem inclua a diversidade, para produzir resultados satisfatórios, já que deve estar ligado à como se estabelecem as relações de ensino e de aprendizagem dentro dessas realidades.
Dessa forma, a proposta curricular não pode ter um modelo imposto, uma vez que é um elemento vivo e, portanto, provisório quanto à sua temporalidade, passível de ser revista; mudada, de forma a que possa incorporar novos saberes, novas experiências e uma compreensão contextualizada de mundo e das culturas que incluem e fortalecem as identidades. Entretanto, para que isso possa ocorrer será necessário que reflita a forma de sentir e pensar o mundo na contemporaneidade, a partir de um conceito lúcido do que seja juventude ou juventudes.
Sabemos que a participação do sujeito jovem na dinâmica social não é vista nem avaliada de forma ampla, quando se fala de propostas de políticas de educação. É fundamental que outras dimensões do seu estar na vida; o seu universo simbólico/emocional, não apenas a sua vida funcional, sejam incluídos, de forma a que essas representações sejam mais legítimas e seu contexto cultural possa ser reconstruído, e representar seu modo de viver e pensar.
Há uma tendência em todos os continentes, em todas as culturas, de se realizar, apenas, estudos em que as questões do jovem(s) são olhadas como dilemas, o que termina por apresentá-lo(s), tão somente, como um problema a ser encarado pela sociedade; um problema para o qual há que se buscar solução! E quando se fala em adoção de políticas para abertura do mercado de trabalho ou econômicas de um país, ou mesmo, busca de formas para incorporá-lo(s) aos sistemas de ensino, o fenômeno é sempre observado nessa ótica; o que terá como conseqüência a ausência, em suas vidas, do conhecimento significativo e oferta de outras possibilidades; de bandeiras e de sonhos...
É necessário que se mude essa dinâmica e o jovem(s) possa(m) ser ouvido(s); é importante que se possa entender o seu universo; como pensam e como gostariam de se expressar.Em que pese já existirem muitos trabalhos de educadores e pensadores sobre a forma como se traduz o significado político e cultural de juventude(s), e a consideração do que é ser jovem(s), ela deve ser vista e analisada de maneira bastante oxigenada e livre; aberta e sem amarras ou preconceitos, vez que nenhum desses conceitos é rígido, sendo necessário que existam momentos específicos para que se considere um ou outro, uma vez que há que considerar questões vitais, como: situação sócio/econômica; origem étnica; questões de gênero e religião, entre outros.
continua
escritora e educadora em Salvador da Bahia