23/06/2007

LISBOA!


Isabel Carmo


Lisboa é a minha terra. É verdade, nasci em Lisboa, “naquela janela virada pró mar”, como cantou Tristão da Silva, há um bom par de décadas.

Lisboa, beijada pelo Tejo, de telhados velhinhos, que do Cais dos Cacilheiros às ameias do Castelo de São Jorge, tem uma beleza ímpar e precisa muito de quem a sinta palpitar nas veias. Mas ai Lisboa! Como é triste, às vezes, percorrer as tuas ruas e avenidas, onde buraco aqui, buraco acolá, nos sentimos, nem sei bem definir onde…

Mas não é só isso… e o atravancamento de carros? Incrível! É uma “babilónia automóvel”, com condutores que pretendem ser os “melhores” em tudo o que é negativo, desde o não respeitar passadeiras (“zebra crossing” como chamam os ingleses), até cuspirem para o chão ou para o retrovisor do carro ao lado… ou ainda deixarem que os “Lulus” defequem em qualquer parte, sem apanhar os “cocós”, como aconselham as leis da higiene (e da boa educação).

Nem tudo é mau. Mas como se vão realizar eleições, com uma “pipa” de candidatos, talvez seja boa ideia lembrar algumas coisas que me perturbam e se calhar, terão o mesmo efeito em muitas outras pessoas, só que vivendo obcecadas pelo trabalho (manter o emprego) e pelas incongruências da vida, se esquecem destes “nadas”, mas que contribuem para uma menos boa qualidade de vida.

Sem perder a sequência, apenas acrescentarei mais alguns dos pontos causadores da minha perturbação diária… os inúmeros parquímetros (até aí tudo bem), com um incontável número de controladores dos mesmos (aqui há exagero), para controlar quem não processa o pagamento do seu espaço de parqueamento… o que me aflige, não é o aparato da situação, o bloqueio de rodas, e outras cenas, mas sim o quanto é triste, ter de ser controlado um acto, que deveria ser tido como cívico e que nem devia constituir matéria de lei ou qualquer coisa parecida, mas sim um acto de educação cívica (há que ensinar, e penso que reprimindo só se aguça a vontade de transgredir…)

Quanto a outras formas de me perturbar, não vou esquecer o barulho – poluição sonora – porque todos os que passaram pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (e as outras perto), sabem como é inconveniente o ruído dos aviões a interromper o mais eloquente discurso ou matéria que se esteja a dissecar durante uma aula…

Não abordei o tema população, ou melhor a pouca população que reside no centro histórico de Lisboa, porque é assunto que tem sido demais abordado, nem da sujeira que se faz pelas paredes… lixos espalhados, etc. Não fará parte, possivelmente, de quem irá ou não governar o Município lisboeta, mas poderia sugerir ao candidato a ser eleito, que criasse o gabinete de educação cívica, para que o cidadão comum, deixasse de ser tão indiferente ao que parece ser o reflexo do desamor pela nossa cidade.

Mas, há sempre um mas. O meu mas é referir o que já está mais do que dito e redito sobre a idade da maioria dos habitantes de Lisboa. São realmente pessoas idosas, os tais seniores, que passaram à reforma e que vivendo com recursos mais ou menos reduzidos, têm pouco onde dissipar as agruras de suas vidas, e muitas vezes, recorrem ao apoio dos seus médicos de família (quando os têm) para aí expandirem as suas frustrações, os seus dissabores, a sua fuga, através da tão almejada receita de anti-depressivos… seria interessante que se criassem centros de Psicogerontologia, adicionados aos Centros de Saúde, onde Psicólogos versados nessa matéria, dariam apoio (quebrar a solidão, ouvindo e acompanhando) à faixa etária mais marcante da cidade, e poupando alguns euros em medicação (do faz de conta). Seria maravilhoso o Município criar esta estrutura, a ser copiada por todos os outros, de Norte a Sul do País…

Mas amo a minha cidade – Lisboa!