Mário Russo
Ao tomar conhecimento da notícia sobre o forte investimento que Portugal vai fazer no Turismo, para promover o país, segundo a notícia e as palavras do secretário de Estado (SE), lembrei-me de duas coisas: a primeira foi o último texto Portugal: que futuro II, que terminava com sugestões de áreas económicas prioritárias a desenvolver, que recordo aqui:
1. Turismo e ambiente;
2. Floresta e papel;
3. Calçado e têxteis de qualidade;
4. Novas Tecnologias de Comunicação e Informação;
5. “Cluster” automóvel e novos produtos;
6. Produtos selectos da agricultura.
A outra coisa foi a Regionalização e o meu amigo Joaquim Jorge. E porquê? A despesa será muito grande e a promoção será coisa nunca vista, em grande. Só tenho de aplaudir, porque pensar pequeno não nos leva a lado nenhum. “Portugal será promovido através do Algarve, de Lisboa, mas também da Madeira” , é o que dizia o SE e a peça jornalística. E o Norte? o Douro Vinhateiro, o Minho e o turismo no espaço rural? e Trás-os-Montes? e o interior beirão? e as terras de Viriato?
Vale a pena discutir a regionalização, mas vou aqui aflorar um pouco do turismo e Ambiente.
De facto, o desejo do governo colocar o país no topo dos países em matéria de turismo em tão pouco tempo, não sendo realizável, denota a convergência de opiniões sobre a importância estratégica deste sector para Portugal. Não podemos é esperar que o sol e praia façam tudo. Só promoção e marketing não chegam. A aposta deverá ser no turismo de qualidade contagiando toda a cadeia ligada directa e indirectamente ao desenvolvimento do sector, em conjugação com a tendência de crescimento sustentado desta indústria no mundo. Este desiderato exige uma abordagem holística desta indústria complexa incluindo infra-estruturas capazes de suportar o elevado nível de exigências que um turismo de qualidade reclama. É bom não esquecer o que outros países já vão fazendo neste domínio, para constatar que as referidas exigências vão desde a qualidade da formação dos intervenientes no acolhimento, serviços directos, hotelaria, restauração, guias turísticos, apoio logístico e infra-estruturas de comunicação, não só em auto-estradas, que fazem muito jeito, mas nas estradas, nacionais, municipais e secundárias com qualidade e segurança. A requalificação do território potencia a economia porque alavanca investimentos em todas as áreas da economia, da industria aos serviços.
O dinamismo económico e cultural da Galiza, e da área Metropolitana do Porto pode potenciar o desenvolvimento ao longo do seu percurso, beneficiando o Alto Minho, cujas características sócio-económicas são de territórios do interior e não do litoral.
Precisamos igualmente ter aeroportos dimensionados para a qualidade de serviços que se pretendem. O aeroporto do Porto é o melhor da Europa, porque está às moscas? O aeroporto de Lisboa continua há mais de uma década em expansão. Até quando?. Remete-nos fatalmente para a desastrada escolha autista da OTA, além de criminosa, revela falta de estratégia e visão de estadista pois não potenciará a desejada competição com Madrid na captação de passageiros da Estremadura espanhola para destinos longos sobretudo para a América Latina e África. Por isso, falar de turismo e da promoção do país, não pode ser só falar de Lisboa, Algarve e da Madeira. Não é só marketing (muito importante) mas pensar em tudo, sobretudo na educação e formação do sector para saber receber bem, coisa rara em Portugal. Pensar que países como o Brasil, com 15% de ricos, são mais de 25 milhões que não são cativados e gastam fortunas em destinos como os EUA e Europa (sem passar por Portugal). Por isso, o centralismo acéfalo de “Lisboa” incomoda-me e faz-me “urticária”. Mas sei que a liberdade conquista-se lutando e não pedindo que nos seja concedida de mão beijada.
engenheiro e membro do clube

