José Carvalho
Brilhantes, os intervenientes e o ambiente no debate que aconteceu ontem à noite no Holliday Inn
Dada a escassez de tempo, não pude felicitar o Presidente da Liga de Clubes pela alteração de estilo que introduziu na entidade a que preside. Duma verborreia sem limites, passou para a saudável intervenção serena e quando necessária.
Drulovic e Carlos Daniel confirmaram o bom senso, sensibilidade, conhecimento, capacidade de intervenção e clareza de alguns (infelizmente poucos) profissionais do futebol e da informação. Ricardo Costa de sensatez e cuidados de elogiar.
Menor dignificação do futebol, falta de qualidade do espectáculo, incomodidade e insegurança dos espectadores, ambiente familiar quase ausente, preços,…etc Que provoca a constatada falta de gente nos estádios?
Poucos Portugueses? Pouco dinheiro? Muitos estádios? Muitos jogos sem qualidade suficiente? Preços elevados? Pouca motivação? Pouca habilidade comercial? Pouca captação da "família"?
Uma das coisas que gostaria de ter perguntado a quem pudesse responder: Porquê o apoio tão incompreensível às CLAQUES?
O futebol é hoje uma das importantes actividades económicas de qualquer país moderno. No caso de Portugal creio que será, além de forte dinamizadora da economia, grande criadora de riqueza, graças à exportação dos nossos melhores praticantes e técnicos.
O futebol, de nível mais elevado, possui, como actividade económica, uma característica quase única: para funcionar da melhor maneira necessita do entusiasmo presencial,… para ter as melhores receitas precisa das televisões…um "bico de obra".
Tal como um bom gestor que na busca da produtividade da sua empresa, se pode transformar num "fazedor" de desempregados também as melhores fontes de receita do futebol se apresentam como motivadoras do abandono dos campos por troca com a comodidade do lar e companhia da família. O presidente da liga sabe que é necessário CATIVAR, aí está o segredo.
Novas competições para ocupação e rentabilização dos profissionais, profissionalização dos árbitros e conciliação da escola com a prática e desenvolvimento do desporto rei, foram outros dos assuntos abordados. Resolúvel o primeiro, graças à energia e imaginação dos dirigentes da LIGA, não se vislumbra solução para o último.
Os árbitros, apontados quase sempre como responsáveis pelos desaires dos clubes de cada um, são decerto o maior problema dos responsáveis pela "BOLA".
Quem quer seguir esta carreira se tem de passar por todos ao níveis?! Como dizia um amigo meu:-Um dia ofereceram-me um emprego fantástico. Tinha uma condição, nos primeiros três meses teria de vender porta a porta… bolas, assim só se o salário for o triplo.
Profissionalização, concordo, mas não é o que se passa hoje com os árbitros de topo? O emprego não será apenas um part-time que garantirá o futuro depois dos 45 anos?
engenheiro e membro do clube


