22/05/2007

ANGÚSTIA DE UM SOCIALISTA




Isabel Carmo



Se “a renúncia é a libertação”
E “o não querer é poder”,
Como escreveu Fernando Pessoa,
Então a liberdade é pura ilusão
E o não querer deixa de o ser
Pois não se renuncia sem que doa…

Ora bem! Parece-me que não foge à regra (característica de grande parte dos portugueses), estarem com quem ganha, ou melhor, com quem dá mais, para que se obtenham benesses de que se julgam merecedores (aquilo a que se chama “tirar partido de”). Não no PS especificamente, mas no quotidiano dos nossos patrícios; há que tirar proveito até que o “enjoo” se verifique…

Reportando-me, particularmente, ao Artigo de Opinião publicado no J N de 19 de Maio (hoje) e referente, nomeadamente, ao PS do Porto, gostaria de salientar que concordo plenamente com a opinião do articulista (Dr. Joaquim Jorge), de que se faça uma autocrítica e se corrijam os erros, por forma a que não se repitam.

Claro que não tenho dúvidas, e, penso que poucos as terão, de que há sempre os tais “elefantes” (grandes, cinzentos e trombudos), que dão origem à formação de clãs que os apoiem e a quem proporcionam uns “favorzitos” em troca de uma eterna vassalagem… mais e pior, é quando esses ditos “elefantes” têm também tentáculos como os polvos, que vão esticando por aí e por além… (têm afilhados, cunhados, primos e mais…); então lá se usa a Sra. Dª. Cunha – a influencia, a recomendação… - (pequenas desonestidades)… (vão-se os “cunhas”, mas que não fiquem os “silvas” como me disse uma vez, um personagem que muito considero e já faz parte da História Universal.

Angústia de um socialista! Mas não será a angústia de muitos socialistas?!!!

Da minha observação, como “gente de fora”, não creio que a liderança continue excessivamente hierárquica… continuo a dar o voto da dúvida ao número um, mas penso que há muitos elementos a sofrer do “síndrome” de “a importância de se chamar Ernesto”…. Daí que se gaste tempo demais com certas ninharias entre pessoas e lugares… será que isso é democrático?

Admito que se nomeasse a pessoa X para o lugar Y e se esta provasse competência, continuaria, caso contrário, largaria a “cadeira” e passar-se-ia a “pasta” a outro. A menos que a pessoa visada, honesta e antecipadamente revelasse não se sentir à altura de ocupar determinado cargo. Poder-me-á ser dito que isso acarreta, imediatamente, a mudança de toda a equipa, ao que não concordo, porque isso me parece, à partida, “golpe de tacho”.

Não dá “chupar” tudo o que é benefício e aproveitamento de circunstâncias e depois, se algo corre mal ou se há algo diferente e mais proveitoso na mira, usar o sistema de chantagem emocional ou as “queixinhas” ou as manobras de depreciação, só para aparentar que se é melhor. É um quadro que se observa, infelizmente, não poucas vezes…

A opinião do nosso articulista, em que se mude a prática política ou ir-se-á continuar a atravessar desertos (e eu acrescento que não seja só a nível do Porto), será possivelmente a opinião de muitos, porque é essencial existir crítica e várias opiniões, que se discutem até haver uma forma, não perfeita, mas muito melhor de encarar certas realidades que, caso contrário, ficam sempre atrás de um espesso cortinado. A crítica construtiva, dentro de um partido, não significa antagonismo, descriminação, mas sim, purificação de ideias. Caso contrário, manter-nos-emos no eterno “faz de conta”.

Professora e membro do clube