Divórcio: cidadãos 'vs.' políticos
por JOAQUIM JORGE, FUNDADOR DO CLUBE DOS
PENSADORES
A democracia não se esgota no voto, votar é uma maneira muito pobre de intervir e de exercer a nossa cidadania. Devemos agir politicamente, participar em debates políticos, tomar posição, defender os nossos direitos e pontos de vista. Usar os meios que temos à nossa disposição para o fazer ( blogosfera, redes sociais, etc.), lançar petições individuais ou colectivas aos órgãos de soberania, participar em organizações profissionais e sindicais, lutar por condições de equidade, justiça e bem-estar para si e os demais cidadãos. Participar em movimentos e organizações da defesa dos direitos humanos, do ambiente, património cultural, solidariedade social, voluntariado, etc. Denunciar crimes e ser contra a corrupção. Reclamar, indignar-se, protestar e participar em manifestações, etc. Estas são algumas atitudes que um cidadão ou cidadã responsáveis devem tomar com o sentimento de dever e responsabilidade. Estas posições são essenciais à democracia. Porém há o reverso da medalha. Será que os partidos políticos e o Governo ligam faça o que se fizer? O que se faz tem consequências ? Não me parece...
Existe um mal-estar social latente e querem mudar este estado de coisas. Infelizmente os nossos governantes emanados dos partidos fazem parte do problema e não da solução.
Tem havido imensas manifestações: no dia 12 Março de 2011, recentemente a manifestação de 15 de Setembro, talvez a maior de todas. Há movimentos de cidadãos que despertam simpatia, clubes de reflexão, etc. Todas estas iniciativas colhem o seu impulso na insatisfação no modelo político vigente.
As dúvidas persistem para ver quando haverá mudanças. Não há dúvidas que se tem que mudar, o problema é saber quando e que mudanças? A democracia como a conhecemos tem os dias contados. As respostas estão nas ruas, em manifestações, greves, jornadas de luta, etc.
Esta crise actua como uma lupa em que mostra os defeitos da democracia que já existiam, mas não se tinha a exacta percepção e se sentiam.
A maioria dos cidadãos são a favor de mudanças na Constituição, nas instituições públicas e no modelo de Estado.
Os cidadãos sentem-se órfãos de líderes políticos e lamentam a falta de consenso básico. O descrédito político aumenta com a banalização do incumprimento de promessas em campanha eleitoral e dos respectivos programas. A opinião pública e os cidadãos estão fartos deste modo de fazer política e pode traduzir-se por uma ainda maior abstenção em próximos actos eleitorais.
A impressão que os cidadãos têm é que Portugal cada vez tem menos soberania e está sujeito a uma Europa em que muitas decisões económicas de corte de direitos e prestações sociais não estão sujeitas a debate e aprovação parlamentar.
O risco do descrédito total da classe política, a má reputação dos partidos e de quem os dirige é preocupante, vive-se um momento de desconfiança generalizada. O problema é a falência dos partidos. Há muita gente que está a passar mal. A brecha social pode tornar-se uma fractura insanável.
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