15/10/2018

II - Pensadores. Precisam-se!



António Fernandes 
As sociedades. As políticas. O futuro.


… E, em consequência, a nova perspetiva concecional a ter sobre o modelo que a organização global deve prosseguir, em articulação com as novas exigências comuns da fauna, da flora e de todos os ecossistemas que constituem biodiversidade, importa repensar as lideranças nacionais e internacionais em todos os domínios.

Mais concretamente as lideranças políticas. Porque, sendo a liderança política a que emana diretrizes legais e sobre as mesmas exerce fiscalização coerciva e outras, influidoras e influenciadoras da forma e da condição de vida das pessoas, depende sempre do julgamento destas.

A que acresce o enfoque mediático com impacto social e de poder, e que por isso também, criou uma áurea de tabu em seu redor de forma a coarctar o livre exercício opinativo sobre a existência, ou não, de uma crise sem precedentes Históricos no que ao exercício de liderança político partidária diz respeito, criando assim, um vazio condutor de visão futura do mundo e das sociedades, e sintomatologia de um estado de orfandade liderante na lide partidária.

Esta matéria, a da liderança, é de contorno complexo por imperativos de conjuntura abrangente e transversal a uma conceção de sociedade completamente nova e em que as tecnologias, a inovação, o conhecimento e a formação dos indivíduos atinge níveis acima da média estabelecida, entre muitos outros fatores de relevo dignos de registo.

Questionam-se por isso as lideranças impostas, face à dificuldade extrema em vingar, salvo quando rodeadas pela incompetência servil e se por via corporativa conseguirem impor dinâmica de grupo ou de lóbi de interesse. Liderança a que restam duas vias: a da imposição pessoal por via ditatorial; a da imposição de chefia por grupo influente no seio da organizaçãoo.
No entanto, estas lideranças, serão sempre de desgaste rápido no tempo por falta de valores e referências de suporte. Pessoal e social.

Depois, há a liderança que emerge com naturalidade em um contexto de aceitação democrática. Liderança assente na capacidade em aprender a perceber o Homem e o mundo num contexto de mudança permanente em que as novas realidades: sociais; políticas; económicas; e outras; são fator determinante de juízo político permanente para o presente e para o futuro das civilizações.
Assim sendo, a 'Orfandade' de liderança que alguns ajuízam não ser responsáveis, é um estigma estereotipado que os despe da experiência que arrogam, e que lhes é exigível - porque para isso foram eleitos- e também porque a ciência política agrega correntes de opinião e do pensamento, e não o pensamento uno personificado, e muito menos personagens dependentes do pensamento de quem quer que seja!

A liderança é uma questão residente nos cenários local, nacional e internacional de há uns anos a esta parte mais concretamente após a 'revolução tecnológica' nossa contemporânea, que sendo de importância relativa para uns, e de importância vital para outros, não é um drama existencial de fundo nem sequer de relevo para muitos outros, uma vez que a diluição das lideranças omnipresentes se prende com a capacidade dos povos e das civilizações em se autonomizarem. E as lideranças democráticas emergentes resultam da vontade e do reconhecimento desses mesmos povos e das suas civilizações!

O que acontece é, e bem, em democracia, qualquer cidadão ser elegível desde que reúna as condições para o cargo a exercer a que se candidata suportado por um programa de trabalho e rodeado de uma equipa de pessoas capazes.

Um princípio em que cremos mas em que dificilmente acreditamos. Reflexo da situação a que chegamos com uma das gerações teoricamente mais bem preparada mas, efetivamente, sem preparação alguma naquela que é a matriz do raciocínio. O pensamento!

Atravessamos por isso uma das maiores, senão a maior crise de todos os tempos para a Humanidade, porque as soluções encontradas são sempre soluções de laboratório e, dificilmente, soluções do pensamento livre.