24/07/2018

"Não há dinheiro" Victor Gaspar versus Mário Centeno





Rogério Pires 
A mesma frase dita por Victor Gaspar e agora repetida por Mário Centeno.
Quando Victor Gaspar disse "não há dinheiro", era mesmo a realidade do país a sofrer as consequências de uma quase bancarrota, em que o PS de Sócrates e de António Costa tinham deixado Portugal em 2011, e, em pleno programa de assistência económica e financeira, vulgo TROIKA, portanto aquela frase dizia tudo, nada mais era preciso acrescentar.
Agora Mário Centeno repete as mesmas palavras, "não há dinheiro" quando se fartou de bradar aos quatro ventos, que acabou a austeridade, que virou a página, que é possível dar tudo a todos e termos o mais baixo deficit da democracia, não está a dizer tudo. Quando diz "não há dinheiro" quer mesmo dizer, por exemplo aos professores "não há dinheiro para vos descongelar o tempo de serviço que o PS vos congelou em 2009" Mas há dinheiro para comprar 7 navios para a Marinha, como anunciou o António Costa, Mas há dinheiro para dar carros topo de gama aos 23 gestores da Parvalorem, que gerem os activos do BPN que o mesmo PS nacionalizou e mandou para cima dos contribuintes cerca de seis mil milhões de prejuízos.
O discurso da chegada ao Paraíso está a ser substituído por um outro, mas é preciso perceber porquê. O Economia está a desacelerar há nove meses consecutivos, o BCE anunciou o fim do apoio às dividas  soberanas, com redução para metade em Outubro e fim em  Dez 2018, Será o fim das baixas taxas de juro com reflexo evidente na factura de juros a pagar pela terceira maior divida da UE. A conjuntura europeia e mundial está a arrefecer e a complicar-se por causa das relações comerciais USA e UE e até China a que se acrescenta agora o Irão. O excelente momento que a Europa e mundo viveu entre 2016 e 2018 em que PS de António Costa e Centeno beneficiou por um lado tendo recebido um país em franca recuperação, com reformas feitas e economia a crescer, e por outro com a conjuntura europeia e mundial em crescimentos, baixas taxas de juro e petróleo barato, pouco teve de fazer, senão aproveitar os ventos de feição e a navegar à vista, sem reformar ou preparar o futuro. Começa a ser difícil esconder a verdade e os alertas vão chegando. Do FMI, da EU e até o INE que não tem só boas noticias para dar como no passado recente, o rendimento per capita está em 78% das média da EU, quando em 1999 estamos em 84%. Somos na U.E. 22.ºpaís em crescimento e já se prevê com segurança que no final de 2018 seremos ultrapassados pela Lituânia, Eslováquia e Estónia . O indicador compósito que antecipa a evolução da economia, desceu para 99.3 regressando a valores de Setembro 2013, em pleno período de recessão e em resgate, sabendo-se que para se prever uma economia em crescendo tem de estar acima de 100 pontos. A divida publica acima de 250 mil milhões e a divida total da economia em 724,29 mil milhões representando 369,6% do PIB.
Esta é a realidade, que acredito António Costa, por uma questão de sobrevivência política, forcará Mário Centeno a alterar o discurso e a prática, e  a fazer muito do que  não quer agora, e agravará a situação com consequências já conhecidas por comparação com o passado. Sócrates com o país em queda aumentou em 2,9% os funcionários públicos e baixou o IVA. Que irá fazer António Costa para se manter no poder ? Prevejo que nada de muito diferente pois as politicas de ambos são parecidas apenas com a diferença de querer demonstrar através do controlo do deficit que é diferente, mas o problema é a forma como o está a controlar. Aumentando impostos, temos a maior carga fiscal dos últimos 22 anos, desta feita por via dos impostos indiretos e cortando a torto e a direito de forma cega e desesperada, para se distinguir, pelo controlo do deficit do PS de Sócrates de que António Costa foi seu número dois no governo e no partido, porque no resto não faltam as semelhanças.Com o país em queda Sócrates insistia no TGV. António Costa anuncia a compra de 7 navios para a Marinha fazendo lembrar Guterres com a compra dos 4 submarinos depois de outro governo os reduzir a 2 submarinos.      

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