11/12/2017

Catalunha




Joaquim Murale*
O levantamento do Povo Catalão e a proclamação da independência da Catalunha, que saúdo, veio pôr a nu que a actual ordem mundial, consequência da globalização do capital, apesar das contradições existentes entre as diversas potências, está unida contra os povos que não desistem de agarrar com suas mãos o seu próprio destino.
A nu ficou igualmente a posição da União Europeia, hipócrita e contraditória, como já sabíamos. Enquanto finge desconhecer a legitimidade histórica que assiste ao povo catalão, a União Europeia reconheceu a independência do Kosovo quando tal interessava à estratégia imperialista.
A nu ficou também a posição servil dos dirigentes portugueses face a Madrid. Desde o roubo de Olivença, Portugal nunca mais deixou de se curvar perante Espanha.
O processo da independência da Catalunha enferma, a meu ver, de algumas ingenuidades, nomeadamente não assumir que a libertação de um povo é, sempre, um acto de insurreição contra o ocupante, acreditar na boa-fé de Madrid e de Bruxelas e confiar nas “virtudes” do sistema democrático, e revela igualmente algumas fragilidades, a maior delas é a falta de uma liderança forte, mobilizadora e agregadora, capaz de tomar e de impor medidas resolutas, de entre as quais a expulsão imediata de todos os órgãos representativos do poder de Espanha e as que retirem a Madrid o controlo das forças militares e policiais ocupantes do seu território para que, em primeiro lugar, não possam ser usadas como forças agressoras do seu povo e, em último caso, possam ser usadas na defesa da independência proclamada. Todos estamos certos, por aquilo que a História nos ensina, particularmente a nós, portugueses, e pelas cargas policiais a que o mundo inteiro recentemente assistiu no dia da realização do referendo, que Madrid não hesitará em usar todos os tipos de força para recuperar a “sua” legalidade, isto é, manter o seu domínio sobre a Catalunha.
Certamente que o Povo Catalão, que já viu desfeitas, por diversas vezes, as suas pretensões à independência, lutará afincadamente para que, desta vez, seja a valer! Na sua luta, eu estou solidário com o Povo Catalão!

* escritor, poeta e dramaturgo

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