11/10/2017

Portugal versus a democracia condicionada



Rogério Pires 
Portugal em pouco mais de 43 anos viveu diversos estádios da sua jovem democracia. Este é o tempo da democracia condicionada. O tempo onde as avaliações dos atos e das atitudes nomeadamente dos políticos são lidos, interpretados, comentados não pelos factos em si, ou pelas atitudes tomadas mas sim pelo posicionamento em termos politico do seu autor. Exemplificando melhor. Um 1.º Ministro diz aos jovens que se estão com dificuldade em arranjar emprego em Portugal não deixem perder as oportunidades que se abram na Europa. Outro 1º Ministro falando aos jovens professores de português aconselha-os a não perderem  as oportunidades de lecionarem junto das comunidades de portuguesas espalhadas pelo mundo.  Ambos os conselhos são pertinentes e perfeitamente admissíveis. Somos ou não europeus ? Portanto qual a diferença de trabalhar em Madrid ou em Évora ?  Agora vamos ver como esta democracia condicionada trata o mesmo tipo de conselho.  O primeiro,  produzido por Passos Coelho e o segundo por António Costa. Em relação ao de  Passos Coelho saltou logo toda a esquerda, grande parte dos médias e até o Comentador Prof Marcelo criticando-o severamente por aconselhar os pobres dos jovens a emigrarem. Quanto António Costa, com idêntica atitude, viu os mesmos, que atacaram Passos Coelho, a saírem em sua defesa, incluído o já não Comentador mas sim  PR Marcelo a desculparem, justificarem e a concordarem com o conselho dado. Mais um exemplo. Passos Coelho no OE de 2015 congelou e transformou em cortes 521,5 milhões e António Costa congelou 942,7 milhões que transformou em cortes. Passos Coelho foi acusado de não parar a austeridade e António Costa, cortando quase o dobro, é aplaudido pelo resultado extraordinário conseguido. Apenas mais um exemplo. Sempre que Passos Coelho, no cumprimento de um programa duro de assistência económica e financeira, consegui em algum dos indicadores algo melhor a que estávamos obrigados, logo surgiam os comentários aos berros das esquerdas unidas acusando-o de ir para além da TROIKA. António Costa, depois de muitas negociações, conseguiu que Bruxelas aceitasse um deficit do OE de 2016 de 2,5%, e que acontece ? O deficit fecha em 2%. O coro dos mesmos, que acusavam Passos Coelho, para serem coerentes, deviam ter acusado, também aos berros, que Costa foi para além, não da TROIKA porque essa foi em devido tempo dispensada por Passos Coelho, mas para além de Bruxelas. Fica assim devidamente provado que vivemos um período de democracia condicionada. Condicionada apenas e só  tendo em conta quem diz, quem faz, ou quem ordena pouco importando o que diz, faz ou ordena. Condena-se tudo o que vem da direita, branqueia-se e desculpa-se ou omite-se, sempre que não convém, tudo às esquerdas.       

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