28/03/2017

Celebração do 11.º aniversário do Clube dos Pensadores




Onze anos para uma pessoa é relevante, mas ainda é infância, mas para uma instituição é já um caso de maturidade. E é o caso do Clube dos Pensadores que comemorou os seus 11 anos de existência com um jantar e um debate com a presença de ilustres convidados que abrilhantaram conjuntamente com Joaquim Jorge a fria noite de 27 de março de 2017. De facto, o CdP contou com a presença de Paulo Morais, Prof. Universitário e ex-candidato à Presidência da República; Nuno Magalhães, Líder Parlamentar do CDS, António Tavares, líder da Misericórdia do Porto e representando o PSD Porto, Manuel dos Santos, Eurodeputado do PS há 4 mandatos e ex-Secretário de Estado da Economia, João Semedo, Médico e ex-lider do BE, candidato pelo Bloco à Câmara Municipal do Porto, António Filipe, Prof. Universitário e deputado pelo PCP, ex-Vice Presidente da Assembleia da Republica e na plateia, entre outros o ex-jogador do FCP e seleção nacional Semedo, um dos jogadores que me lembro com mais classe dentro e fora de campo. Um verdadeiro príncipe dos relvados seja no clube seja na seleção nacional, que dava gosto ver evoluir pelos relvados com a classe de um bailarino de balé ou um maestro de orquestra em plena ação.
As comemorações iniciaram-se com um jantar em honra dos distintos convidados onde João Vieira, um distinto membro do CdP, deu as boas vindas em nome do Clube, referindo-se ao CdP como um clube eclético, sem ser elitista, clube de classe sem ser classista, pois todos têm lugar a debater. Clube da liberdade de pensamento.
O debate propriamente dito iniciou-se a seguir com um bonito momento musical que sintetiza a filosofia do CdP, com a canção de Sinatra “New York New York”, seguido de uma mensagem gravada do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, muito significativa em que parabenizou o CdP e realçou a sua importância no contexto do serviço em prol da cidadania em Portugal, desejando longa vida dada a sua importância.
Iniciou-se então a efeméride com as intervenções dos convidados, com Paulo Morais que salientou a importância do Clube num momento em que a liberdade de expressão em Portugal está muito limitada, pela degradação do espaço público com um jornalismo proletarizado e refém de grupos económicos, designadamente Angolanos e Chineses, cujos interesses são espúrios e em que os tribunais são usados como formas de silenciar opiniões livres e contrárias aos interesses económicos dos novos patrões da imprensa. Esta nova forma de intimidação está a fazer carreira em Portugal e, nesse sentido, um espaço de liberdade plural como o CdP, fazem a maior diferença e falta no espaço público nacional. O espaço noticioso foi completamente capturado pelos partidos políticos que são responsáveis por 90% da opinião divulgada, estreitando o campo da liberdade. Por isso, ainda mais importante se torna o CdP como espaço de liberdade.
De facto, os convidados, não só desta efeméride, mas ao longo dos mais de 110 debates, em que estiveram gradas figuras, de todos os quadrantes do pensamento, assim demonstra a pluralidade e liberdade de ação.
Seguiu-se Nuno Magalhães que também se referiu a este facto, tendo vindo pela primeira vez ao Clube há uns 8 anos, quando da vinda de Paulo Portas e já nessa altura ficou admirado com a filosofia do CdP. Realçou a importância do Clube continuar a sua ação cívica porque é um espaço em que os políticos podem interagir com as pessoas de forma direta e evidenciar as suas reais qualidades pessoais, ao contrário dos espaços televisivos que por vezes distorcem o que de facto cada um é e deu o seu exemplo de pessoas que gostam dele lhe dizerem para ele não ser tão antipático e “zangado” como aparece nas filmagens, quando o próprio se surpreendeu com esta apreciação que é contrário do que é. Assim, o contacto direto mostra a real face de cada um e num espaço livre como o CdP, mais falta faz ao escassearem no país.
Seguiu-se António Tavares, líder da Santa Casa da Misericórdia do Porto e representante do PSD Porto, que saudou o Clube e JJ, desejando longa vida pela missão que desempenha. Realçou a importância dos jovens que estavam a assistir, trazendo-os para a discussão dos temas com importância para a vida dos portugueses. A importância do CdP é de tal monta que o PR enviou uma mensagem especial, relembrou António Tavares.
De seguida o Eurodeputado Manuel dos Santos, que saudou o CdP pelos 11 anos, começando por dizer que tal como nos tempos do PREC para ser qualquer coisa na política nacional tinha de passar pelo “Pires Veloso”, atualmente também para se ser algo na política tem de se passar pelo CdP , que inclusive sugeriu ao seu Camadada de partido António J Seguro que não deveria perder a oportunidade, ao contrário da opinião das pessoas que o rodeavam, que era contrária. Claro que AJS veio ao Clube e saiu-se muito bem. Generosidade à parte do Eurodeputado, mas de facto, vários políticos que passaram pelo Clube, foram depois eleitos, designadamente o ex-líder do PS e o atual do PSD, assim como o PR Marcelo Rebelo de Sousa e o PM António Costa.
Com muita graça disse Manuel dos Santos que ele é um caso de record europeu político, pois em 20 anos e por 4 vezes foi o primeiro candidato da lista a não ser eleito, mas em todas as eleições conseguiu entrar para o Parlamento Europeu. Ele é como os Maveric (clube de basquetebol americano – os rebeldes, de que é fã), sempre pensou pela sua cabeça e olha para o CdP como uma lufada de rebeldia necessária em Portugal. No Parlamento Europeu Manuel dos Santos está na comissão do orçamento, uma posição de relevo e importante, dada a matéria técnica que tem de tratar. É frontalmente contra a estratégia da atual direção do PS, que se aliou à esquerda, mas continua focado no défice e na crise, coisa que é totalmente diferente do que é economia e crescimento. Perguntou se há diferença entre este tipo de política e o que era feita por Passos Coelho?
João Semedo enfatizou a importância da pluralidade do CdP que permite a controvérsia em política, que é de fulcral importância. Referiu-se nas alterações profundas da política em pouco tempo, desde o facto de não estar mais a governar Passos Coelho, assim como não estar mais na PR, Cavaco Silva e do PS finalmente ter abandonado os tradicionais aliados à direita e se aliar à esquerda, que em sua opinião permitiu fazer uma outra política, mesmo não sendo a do BE. A nível internacional a eleição de Trump, coloca sérios problemas à política mundial, assim como uma certa retórica de uma Europa a duas velocidades que se vai ouvindo de responsáveis e que seria um desastre se permitida pelos países visados.
António Filipe regozijou-se de ter sido convidado e também realçou a importância do CdP pela diversidade e liberdade com que se debatem os mais diversos e ecléticos temas nacionais. Desde a primeira vez que esteve no Clube que se interessou pelo formato. Referiu que hoje com a internet as pessoas refugiam-se e se fecham num espaço em que não cabe o outro, apesar de muitos pensarem que ao comunicarem nas redes sociais estão a conviver e partilhar, na verdade estão isoladas. Fez referência ao livro Republic.com que justamente falava dos perigos da internet que pode induzir as pessoas a se alhearem da realidade à sua volta, de escolherem o telejornal que querem ouvir, num distanciamento cada vez maior da realidade. Por isso um fórum de debate com as características do Clube é da maior valia porque junta as pessoas para debater.
Pela plateia do Clube falou João Vieira que salientou a importância do Clube ao trazer para o debate magníficos oradores e temas diversificados numa base de liberdade em que o importante é ser-se pensador sem olhar a que quadrante pertence. Pelo Clube falou o escriba deste resumo, salientando também a importância política e social do Clube e do serviço cívico de JJ ao desempenhar tão árdua tarefa ao longo de 11 anos sempre em crescendo para manter vivo este conceito tão original e uma verdadeira lufada de ar fresco no panorama político nacional.
Depois JJ fez um conjunto de perguntas mais dirigidas a cada um dos “magníficos” convidados, iniciando por Semedo, ex-jogador do FCP e da Seleção, afirmando tratar-se de um jogador que sempre teve muita classe dentro e fora do campo, sendo por isso um exemplo para as gerações mais novas e lamentou que haja relativamente pouca coisa na internet acerca da sua vida desportiva para que os jovens possam saber um pouco mais. Perguntou sobre a metodologia de treino atual e a do seu tempo. Semedo, que atualmente faz parte de uma equipa técnica de futebol, afirmou que de facto as metodologias de treino mudaram muito relativamente ao seu tempo e tornaram-se muito exigentes e incorporam muitas técnicas. Salientou que ele era muito disciplinado taticamente e tecnicamente e por isso os treinadores gostavam dele (foi outra pergunta de JJ, que tinha a impressão que os treinadores que passaram pelo FCP gostavam de Semedo).
Paulo Morais falou da sua Frente Cívica que tem vindo a fazer debates descentralizados pelo país semelhantes ao que o próprio CdP faz. Nuno Magalhães acredita que a líder do seu Partido vai fazer furor na eleição para a Câmara de Lisboa.
João Semedo, que é médico, realçou porque luta pela despenalização da eutanásia, por acreditar que é uma questão de consciência e necessidade para casos extremos em que é a única maneira de pessoas se verem livres de sofrimentos atrozes. Sobre o BE querer ou não ser governo, JS disse que quem está na vida política é para poder implementar o seu programa e que o BE não foge à regra, mas só o pode fazer se tiver uma percentagem que permita ter uma relação de forças ativa. Como candidato ao Porto, há duas medidas que acha importantes, que é devolver aos moradores alguns direitos que perderam, desde o estacionamento junto de suas casas, assim como a fúria mercantil da Baixa que está a afugentar os moradores. Reabilitar sim, mas sem expulsar as pessoas que ali sempre viveram, apenas com o fito do negócio imobiliário.
Uma noite de celebração muito bem passada com interesse e a prometer futuro.

Mário Russo

1 comentário:

  1. Excelente análise sobre o debate e a celebração do 11º aniversário do CdP. Momentos muitos bons e marcantes vividos no CdP sob a batuta do nosso querido amigo Joaquim Jorge. Apenas uma retificação relativamente ao texto. A substituição de Força Cívica por Frente Cívica (na voz de Paulo Morais). Abraço grande.

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