12/01/2017

CAIU O PANO. FICA A MEMÓRIA DO HOMEM E DO POLÍTICO.



  
Daniel Braga 
 Caiu o pano. Após as honras fúnebres como ex-Chefe de Estado (o primeiro democraticamente eleito a desaparecer, dos ainda vivos) é tempo de reflexão e de análise de todo o seu percurso político, dos tempos da oposição e do exílio até às suas últimas tomadas de posição, mesmo já em situação débil de saúde.                                Mário Soares teve essa virtude – nunca ter sido uma personalidade indiferente –  e causar sempre empatias fortes ou desconfortáveis posições de antipatia e até de ódio. Estava na sua maneira de ser, o atuar de forma algo exuberante e até, em algumas situações, de forma altiva, incomodativa, quase autoritária. Mário Soares foi, em vida, um verdadeiro animal político, respeitado por muitos, não compreendido por outros tantos, até odiado ou despeitado por mais alguns. Tinha virtudes que o acantonavam para patamares só possíveis a alguns, mas também mostrou, em alguns momentos e períodos, atitudes de fraqueza, de indecisão e de precipitação. Falhou em muitos momentos, nomeadamente, no complexo processo da descolonização, com erros de palmatória e que causaram mossas até hoje incuráveis em algumas franjas da população que vieram com uma mão à frente e outra atrás, muitos deles corridos da sua terra natal. Mas haveria outro modo de encarar a descolonização dos ex-territórios ultramarinos, principalmente depois de uma longa guerra colonial na Guiné, Angola e Moçambique que causa demasiado sangue e traumas? Provavelmente hoje a descolonização teria trilhado um caminho bem diferente, mas também é verdade que, passados 40 anos, os referidos territórios são Países independentes e senhores do seu destino.  E após as independências, Soares mostrou sempre abertura suficiente para a ajuda necessária e aqui saliento Timor, que tem uma dívida de gratidão para com ele, através do enorme trabalho feito pela Fundação Mário Soares. Mas Soares também tinha virtudes, pois foi um lutador nato, intransigente e hábil pela liberdade e pela instauração da democracia. Por isso lutou, sofreu e foi exilado. Regressou triunfante ao seu País no 25 de abril de 74e a partir transformou-se no obreiro mor da defesa da democracia, da cidadania livre e da liberdade de opinião. Deu o peito às balas quando a avalancha populista e radical de esquerda tentou tomar o poder naqueles difíceis tempos do PREC. Nunca desistiu, defendeu os princípios democráticos que o norteavam e fez a ponte da integração europeia de Portugal. Foi Primeiro Ministro por três vezes e Presidente da República durante 10 anos (1986- 1996), não tendo sido os seus mandatos indiferentes a ninguém. Teve com Álvaro Cunhal e Sá Carneiro momentos brilhantes de discussão política, muitos deles de divergência profunda, noutros de concordância nos pontos essenciais da governabilidade. Mário Soares, foi por tudo isto, um combatente inato, perspicaz e nada avesso às lutas e às causas que defendia com denodo absoluto. Foi o tal animal político que muitos falam, controverso, apaziguador, combatente, altivo e intransigente. Nesta hora em que cai o pano sobre uma das figuras mais influentes da segunda metade do século XX português, há que prestar as devidas homenagens à pessoa, ao político, ao homem, ao lutador. Termino insistindo mais uma vez: não lhe canto loas, mas não lhe desprezo o valor e o mérito. E Mário Soares mereceu bem o preito e o agradecimento que o povo português lhe prestou na hora da despedida. Obrigado Mário Soares!

2 comentários:

  1. Caríssimo Daniel BRAGA.
    Foi com imenso prazêr que li o teu artigo. O teu texto aborda a realidade Portuguêsa, que consiste na teoria de que " O MEU AMIGO, SE QUÊR CONTINUAR A SÊ-LO, TÊM QUE DEIXAR DE SÊR, (AMIGO DO MEU INIMIGO)".
    E esta teoria, muito embora se tenha refinado com a Descolonização, existia na sociedade portuguêsa, vão lá séculos. Està na génese da nossa "raça".
    Somos imcapazes de perdoar. Somos imcapazes de nos reconciliar-mos. Afinal de contas Mario Soares, no contexto da época, foi o bode expiatório da descolonização. Quêm comandava e comanda as operações naquele tempo e ainda hoje não era nem é Lisboa. Mas Migueis de Vasconcelos é velha história.
    Parabens pelo texto Meu Irmão.
    Nelson Fernandes

    ResponderEliminar
  2. O estadista que tanto veneram e as suas histórias mal contadas!!!!

    1 - Mário Soares e seu filho João Soares seriam dos principais beneficiários do tráfico de diamantes e de marfim levados a cabo pela UNITA de Jonas Savimbi

    2 - São conhecidos também os seus zigue-zagues políticos desde antes do 25 de Abril. Tentou negociar com Marcelo Caetano uma legalização do seu (e de seus amigos) agrupamento político, num gesto que mais não significava do que uma imensa traição a toda a oposição, mormente àquela que mais se empenhava na luta contra o fascismo.

    3 - JÁ DEPOIS DO 25 DE ABRIL, ASSUMIU-SE COMO O HOMEM DOS AMERICANOS E DA CIA EM PORTUGAL E NA PRÓPRIA INTERNACIONAL SOCIALISTA. Dos mesmos americanos que acabavam de conceber, financiar e executar o golpe contra Salvador Allende no Chile e que colocara no poder Augusto Pinochet.

    4 - Mário Soares combateu o comunismo e os comunistas portugueses como nenhuma outra pessoa o fizera durante a revolução e FOI AMIGO DE
    NICOLAU CEAUCESCU, FIGURA QUE CHEGOU A APRESENTAR COMO MODELO A SER SEGUIDO PELOS COMUNISTAS PORTUGUESES.

    5 - INSULTO A UM JUIZ
    Em Coimbra, onde veio uma vez como primeiro-ministro, foi confrontado com uma manifestação de trabalhadores com salários em atraso. Soares não gostou do que ouviu (chamaram-lhe o que Soares tem chamado aos governantes angolanos) e alguns trabalhadores foram presos por polícias zelosos. Mas, como não apresentou queixa (o tipo de crime em causa exigia a apresentação de queixa), o juiz não teve outro remédio senão libertar os detidos no próprio dia. Soares não gostou e insultou publicamente esse magistrado, o qual ainda apresentou queixa ao Conselho Superior da Magistratura contra Mário Soares, mas sua excelência não foi incomodado.
    Na sequência, foi modificado o Código Penal, o que constituiu a primeira alteração de que foi alvo por exigência dos interesses pessoais de figuras políticas.

    6 - Em 1980, não hesitou em APOIAR OBJECTIVAMENTE O GENERAL SOARES CARNEIRO CONTRA EANES, NÃO POR RAZÕES POLÍTICAS MAS DEVIDO AO ÓDIO PESSOAL QUE NUTRIA PELO GENERAL RAMALHO EANES. E como o PS não alinhou nessa aventura que iria entregar a presidência da República a um general do antigo regime, Soares, em vez de acatar a decisão maioritária do seu partido, optou por demitir-se e passou a intrigar, a conspirar e a manipular as consciências dos militantes socialistas e de toda a sorte de oportunistas, não hesitando mesmo em espezinhar amigos de sempre como Francisco Salgado Zenha.

    7 - «DINHEIRO DE MACAU»
    Anos mais tarde, um senhor que fora ministro de um governo chefiado por MÁRIO SOARES, ROSADO CORREIA, vinha de Macau para Portugal com uma mala com dezenas de milhares de contos. *A proveniência do** dinheiro era tão pouco limpa que um membro do governo de Macau, ANTÓNIO **VITORINO, *foi a correr ao aeroporto tirar-lhe a mala à última hora.
    Parece que se tratava de dinheiro que tinha sido obtido de empresários chineses com a promessa de benefícios indevidos por parte do governo de Macau.

    8 - FUNDAÇÃO COM DINHEIROS PÚBLICOS
    A pretexto de uns papéis pessoais cujo valor histórico ou cultural nunca ninguém sindicou, Soares decidiu fazer uma Fundação com o seu nome. Nada de mal se o fizesse com dinheiro seu, como seria normal.
    Mas não; acabou por fazê-la com dinheiros públicos. SÓ O GOVERNO, DE UMA SÓ VEZ DEU-LHE 500 MIL CONTOS E A CÂMARA DE LISBOA, PRESIDIDA PELO SEU FILHO, DEU-LHE UM PRÉDIO NO VALOR DE CENTENAS DE MILHARES DE CONTOS.

    Existe mais histórias, mas o que importa mesmo é as últimas imagens na tv, o deserto nas ruas á sua passagem e os lamechas partidários e coniventes do sistema corrupto a prestarem a sua última vassalagem.

    ResponderEliminar